Um olhar estratégico sobre a viabilidade econômica da safrinha

O agronegócio exige decisões assertivas. Para o produtor, cada safra demanda um planejamento detalhado, considerando fatores climáticos, de mercado e custos de produção. Entenda!

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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O agronegócio exige decisões assertivas. Para o produtor, cada safra demanda um planejamento detalhado, considerando fatores climáticos, de mercado e custos de produção. Neste momento, uma das grandes dúvidas no campo é: vale a pena investir na safrinha em 2025?

Com informações analisadas pelo Departamento de Inteligência da Labor Rural, apresentamos os pontos críticos que devem ser considerados pelos produtores e consultores no planejamento da próxima safra. Afinal, neste momento, qualquer escolha errada pode impactar significativamente a rentabilidade da propriedade.

O cenário atual: produtividade e desafios

A safra 2024/25 tem apresentado boas condições climáticas, com chuvas bem distribuídas e lavouras se desenvolvendo dentro do esperado. Com isso, espera-se uma produtividade acima de 140 sacas/hectare para o milho e 70 sacas/hectare para a soja.

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Porém, mesmo com boas produtividades, o mercado tem desafiado os produtores. Os preços das commodities estão pressionados, os custos de produção subiram e, com isso, as margens de lucro estão cada vez mais apertadas.

Para decidir sobre a safrinha, é essencial avaliar três fatores-chave:

1. Condições climáticas

O atraso no plantio da safra de verão devido à irregularidade das chuvas impacta diretamente a segunda safra. Com uma janela mais curta, a safrinha enfrenta um período de menor probabilidade de chuvas regulares, aumentando os riscos para o produtor. Isso pode comprometer o desenvolvimento da cultura e gerar resultados econômicos negativos.

2. Preço das commodities

O mercado global está volátil. Fatores internos, como a desvalorização do real e questões fiscais, somam-se a fatores externos, como guerras e oscilação do dólar. Essas incertezas exigem que o produtor tenha uma estratégia de comercialização focada em margem operacional, não apenas no valor nominal das commodities. Uma boa negociação será determinante para a rentabilidade final.

3. Custo de produção

A alta do dólar encareceu insumos essenciais. O custo de adubação, por exemplo, subiu cerca de 20% em poucos meses. Em setembro de 2024, adubar um hectare de milho custava R$ 1.739,14. Em janeiro de 2025, esse mesmo custo subiu para R$ 2.087,66. Se o produtor não garantiu insumos antecipadamente, os custos podem inviabilizar o plantio.

Além disso, para quem precisa de financiamentos, as altas taxas de juros elevam ainda mais o risco econômico.

Qual a melhor alternativa?

Diante desse cenário, os riscos da safrinha são evidentes. Para os produtores que não adquiriram insumos com antecedência, a rentabilidade da segunda safra pode ser menor ou até negativa.

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Uma alternativa viável é investir no plantio de plantas de cobertura. Essa estratégia melhora o perfil do solo e pode elevar a produtividade da safra de verão 2025/26.

O sorgo e o feijão surgem como alternativas que apresentam menor custo de produção e maior tolerância ao déficit hídrico. O sorgo é uma opção interessante para os produtores que destinam a safrinha à alimentação animal. Já para aqueles que buscam rentabilidade comercial, a cultura do feijão se destaca como uma alternativa viável, especialmente em regiões com boa estrutura de comercialização.

Por outro lado, caso o produtor opte pelo plantio da safrinha de milho, é fundamental escolher híbridos de menor exigência em fertilizantes e com maior tolerância ao estresse hídrico, principalmente para áreas sem irrigação. Além disso, é essencial adequar o planejamento às condições de plantio tardio, buscando minimizar riscos e maximizar a viabilidade econômica da produção.

A decisão de plantar a safrinha deve ser baseada em uma análise minuciosa do clima, dos preços e dos custos de produção. Em momentos de incerteza, o planejamento é a melhor ferramenta para garantir a rentabilidade e a sustentabilidade do agronegócio.

Antes de tomar qualquer decisão, avalie bem os cenários e busque orientação técnica especializada. O futuro da sua lavoura depende das escolhas que você faz hoje!

Autores:

Renato Shinyashiki – Zootecnista e coordenador de desenvolvimento técnico da Labor Rural

André Lopes - Engenheiro Agrônomo e consultor técnico da Labor Rural.

 

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