Testes de capacidade de serviço em reprodutores ovinos

Capacidade de serviço refere-se a uma medida do número de serviços que um reprodutor realiza sob condições definidas de avaliação, sendo uma característica diretamente relacionada à libido e à capacidade de cobertura. Por capacidade de cobertura, entende-se como: a capacidade física do macho para executar o serviço de monta. As características produtivas e reprodutivas positivas são irrelevantes se um carneiro é incapaz de localizar e servir fêmeas receptivas. Porém, e apesar da importância da capacidade de serviço para a produtividade do rebanho, os reprodutores ovinos são frequentemente vendidos e usados sem receber qualquer tipo de avaliação para essa característica.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 3
Ícone para curtir artigo 0

A pecuária ovina possui um rebanho de quase 14 milhões de cabeças, sendo, atualmente, quase todo direcionado para a produção de carne. Considerando que 55 a 60% do efetivo brasileiro é composto por fêmeas em reprodução e que, na ovinocultura comercial, praticamente, todo o rebanho de cria é concebido sob condições naturais de cobertura, a capacidade reprodutiva dos carneiros é essencial para o processo produtivo e o sucesso econômico do empreendimento.

Capacidade de serviço refere-se a uma medida do número de serviços (cópulas) que um reprodutor realiza sob condições definidas de avaliação, sendo uma característica diretamente relacionada à libido e à capacidade de cobertura. Por libido (ou desejo sexual), entende-se como a "vontade e ânsia" que um macho manifesta para tentar montar e servir uma fêmea, enquanto que, capacidade de cobertura (ou de monta) diz respeito à capacidade física do macho para executar o serviço (montar e copular).

As características produtivas e reprodutivas positivas são irrelevantes se um carneiro é incapaz de localizar e servir fêmeas receptivas. Porém, e apesar da importância da capacidade de serviço para a produtividade do rebanho, os reprodutores ovinos são frequentemente vendidos e usados sem receber qualquer tipo de avaliação para essa característica.

No teste de capacidade de serviço (TCS), os carneiros a serem testados são colocados individualmente (a priori) em um pequeno piquete ou área confinada com 2 ou 3 ovelhas em estro (natural ou hormonalmente induzido) por um período de 20 minutos. Durante o teste, procura-se avaliar a libido (nível de interesse sexual, incluindo montas e serviços), o tempo de reação (intervalo de tempo entre a cognição masculina de um estímulo apropriado e o primeiro serviço), a capacidade de servir (número de serviços por teste) e a capacidade de cobertura (relação do número de montas sobre número de cópulas).

Inicialmente, os carneiros em teste devem receber 10 minutos de estimulação sexual prévia. É crucial que os carneiros jovens ou novatos sejam avaliados separadamente dos carneiros mais velhos para evitar que os fatores de dominância social prejudiquem ou invalidem os resultados finais.

As ovelhas a serem utilizadas no TCS devem ser fortes e estarem em boa condição corporal, e antes do início do teste, a vulva de cada uma das ovelhas deve ser lubrificada com 5 a 10 ml de gel lubrificante estéril para reduzir o trauma tecidual devido às coberturas repetidas.

Para a classificação do comportamento sexual dos carneiros, é viável utilizar a pontuação preconizada por Chenoweth (1984) para touros, porém adaptada com alguma modificação para carneiros, conforme a Tabela 1 abaixo:

Tabela 1 - Classificação do comportamento sexual de reprodutores ovinos.

Figura 1


Assim, para a classificação final da capacidade de serviço e considerando um teste de 20 minutos, uma pontuação igual ou inferior a 7 é considerada questionável, 8 baixa, 9 média, e 10 alta. Carneiros que tenham obtido resultados questionáveis devem ser reavaliados sob condições diferentes ou em dias diferentes para assegurar que bons reprodutores não sejam descartados equivocadamente.

Embora o exame andrológico ajude a identificar reprodutores com potencial para conceber mais ovelhas, é o TCS que permite a identificação de carneiros que servem mais fêmeas, de forma a possibilitar a exploração do potencial de cobertura desses animais, que é uma das formas mais rápidas e mais simples de reduzir custos, conforme já abordado no artigo "Otimizando o uso de reprodutores".

Figura 1 - Reprodutores da raça Dorper e White Dorper trabalhando a campo em uma relação 1:52 em estação de monta de 42 dias sobre um lote de ovelhas da raça Santa Inês e Somalis que alcançaram taxa média de concepção de 93,2%.

Figura 2


Além disso, o uso de reprodutores com maior capacidade de serviço tem beneficiado as taxas de concepção, o tempo para concepção, a duração da estação de monta e de parição, a homogeinidade dos cordeiros à desmama, o uso mais eficiente da equipe operacional e a fertilidade da progênie desses reprodutores, uma vez que o comportamento sexual é uma característica herdável e independente.

Finalmente, as correlações entre as características examinadas no exame andrológico (circunferência escrotal, consistência testicular e epididimária, e volume, qualidade e morfologia seminais) e as avaliadas no teste de capacidade de serviço (libido e capacidade de monta) são próximas de zero, ressaltando que o TCS deve ser utilizado como avaliação complementar ao exame andrológico.
QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 3
Ícone para curtir artigo 0

Material escrito por:

Daniel de Araújo Souza

Daniel de Araújo Souza

Médico Veterinário, MBA, D.Sc., especializado no sistema agroindustrial da carne ovina. Consultor da Prime ASC - Advanced Sheep Consulting. Facebook.com/prime.asc Twitter.com/prime_asc

Acessar todos os materiais

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

eldar rodrigues alves
ELDAR RODRIGUES ALVES

CURITIBA - PARANÁ

EM 24/06/2010

Olá. Tenho um rufião vasectomizado e ele cobrio 56 ovelhas em 2 dias (algumas mais de uma vez) que estavam sincronizadas, fiquei de boca aberta com o vigor!
Daniel de Araújo Souza
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 09/06/2010

Olá Caio,

Segue uma rotina que você pode estar aplicando para a realização do TCS:

1. Antecipadamente, checar a condição corporal, a condição física e a saúde dos cascos e membros locomotores dos reprodutores a serem testados;

2. Induzir o estro [cipionato de estradiol (ECP®) - 2 mg IM] de 2 a 3 ovelhas em bom estado corporal e saudáveis ou utilizar algumas fêmeas em estro natural;

3. Confinar as ovelhas a serem utilizadas em um pequeno piquete ou baia (chão seco e que permita aderência), com espaço suficiente para permitir livre movimentação dos animais mas que não permita dispersão;

4. Lubrificar a vulva de cada ovelha com 5 ml de gel lubrificante;

5. Inicialmente, colocar um reprodutor mais experiente (de boa libido) para ser testado (tempo de 20 minutos), de forma a permitir que os outros carneiros visualizem a performance do mesmo;

6. Testar cada reprodutor individualmente por 20 minutos, registrando todas as manifestações comportamentais para, posteriormente, estabelecer a classificação, segundo a tabela do artigo;

7. Reavaliar os reprodutores que tenham obtido pontuação igual ou inferior a 7.

Obrigado por sua participação e desculpe a demora!!!!

Abraços,

Daniel
Caio Alves da Costa
CAIO ALVES DA COSTA

BOA VISTA - RORAIMA - PESQUISA/ENSINO

EM 27/05/2010

Muito interessante esse artigo sobre TCS Daniel.

Gostaria, se fosse possível, que você me disponibilizasse uma tabela com o teste e passos de realização mais detalhados.

Desde já agradeço à atenção.
Obrigado.
Qual a sua dúvida hoje?