Pesquisa aponta milho de porte baixo como uma possível promessa na produção de leite

O milho de porte baixo (ou de baixa estatura) pode dar aos produtores de leite mais uma opção de produção de forragem sem sacrificar a produção de leite.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 7 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
Pesquisadores da Michigan State University estão estudando híbridos de milho de porte baixo, que crescem menos que o milho convencional, mas mantêm rendimentos competitivos. As vacas alimentadas com esses híbridos apresentaram maior ingestão de matéria seca e produção de leite. O milho baixo, com altura média de 2,1 metros, é mais estável e resistente. Embora os primeiros resultados sejam promissores, mais dados são necessários para avaliar o rendimento e o valor econômico dos híbridos em diferentes condições de cultivo.
O milho de porte baixo (ou de baixa estatura) pode dar aos produtores de leite mais uma opção de produção de forragem sem sacrificar a produção de leite.

Pesquisadores da Michigan State University (MSU) estão estudando híbridos de milho cultivados para crescerem menos que o milho convencional, mantendo, ao mesmo tempo, rendimentos competitivos e qualidade da forragem. Os primeiros trabalhos de alimentação encontraram resultados promissores — as vacas alimentadas com um híbrido de porte baixo tiveram maior ingestão de matéria seca, além de maior rendimento de leite corrigido por energia e de proteína no leite, em comparação às vacas alimentadas com milho convencional.

Efstathios Sarmikasoglou, pesquisador associado da Michigan State University, fez parte da pesquisa que avaliou o desempenho desses híbridos tanto no campo quanto na ração. "Esses híbridos foram criados apenas para serem mais baixos", diz Sarmikasoglou. "Eles não foram desenvolvidos para produzir menos lignina, por isso não são comparáveis ao BMR (nervura marrom) nesse conceito."

A pesquisa ainda está em desenvolvimento, mas o milho de porte baixo está proporcionando aos pesquisadores mais um tipo de híbrido para avaliar como forragem na pecuária leiteira, especialmente em relação ao rendimento, digestibilidade da fibra, desempenho das vacas e emissões de metano.

O que é o milho de porte baixo?

Milho de baixa estatura, de porte reduzido e milho anão são termos que descrevem a genética que resulta em uma planta mais curta. A pesquisa da MSU concentrou-se em híbridos portadores de uma mutação selecionada naturalmente, conhecida como brachytic 2, ou br2.

Os híbridos avaliados por Sarmikasoglou e seus colegas têm uma altura alvo de cerca de 2,1 metros (7 pés), em comparação com 2,7 a 3,6 metros (9 a 12 pés) do milho convencional. As plantas mais curtas também apresentam outras diferenças físicas, incluindo pendões menores, distâncias menores entre as folhas, inserção de espiga mais baixa e colmos mais grossos. Sarmikasoglou diz que essas características podem ser úteis no campo. "Essas características conferem [às plantas] maior estabilidade e mais resistência à quebra quando fortes rajadas de vento atingem as parcelas", afirma o pesquisador. "Elas também podem ser plantadas em densidades maiores e oferecem um acesso mais fácil para equipamentos terrestres."

A questão para os produtores é se essas diferenças na estrutura da planta também se traduzem em diferenças no valor nutricional e no desempenho das vacas.

milho de porte baixo

O milho baixo tem desempenho diferente na ração 

O milho de porte baixo não foi projetado para ser um híbrido BMR. O milho BMR é cultivado especificamente para ter menor teor de lignina e melhor digestibilidade da fibra, enquanto os híbridos de porte baixo são selecionados principalmente pela altura reduzida da planta. Ainda assim, os híbridos baixos estudados na MSU apresentaram menor teor de lignina do que o milho convencional utilizado em seus ensaios.

A equipe de Sarmikasoglou avaliou primeiramente três híbridos de porte baixo em um estudo de alimentação em 2023, comparando-os com o milho alto convencional e o milho BMR. O milho foi plantado em maio e colhido em setembro com cerca de 35% de matéria seca antes de ser ensilado sob condições similares.

O primeiro estudo foi desenhado para identificar o híbrido baixo com melhor desempenho. As vacas receberam dietas contendo silagem de um dos três híbridos baixos, do milho alto convencional ou do milho BMR. Os pesquisadores formularam as dietas com cerca de 24% de FDN (Fibra em Detergente Neutro) proveniente da forragem e alimentaram as vacas por períodos de três semanas.

Os híbridos baixos aumentaram a ingestão de matéria seca e a produção de leite em comparação com o milho alto convencional, embora os pesquisadores não tenham notado diferença na eficiência alimentar. O BMR gerou uma resposta diferente: vacas alimentadas com BMR tiveram menor ingestão e produção de leite, porém uma maior produção de leite por unidade de alimento consumida.

Sarmikasoglou afirma que vários fatores podem ter contribuído para a resposta inesperada do BMR, incluindo o estágio de lactação das vacas, potenciais diferenças nas micotoxinas e as condições de cultivo. “Não testamos para micotoxinas, mas essa era uma de nossas suspeitas”, disse.

As condições climáticas de cultivo também podem ter desempenhado um papel. O estado de Michigan passou por uma primavera e uma temporada de cultivo relativamente secas em 2023. “Pensamos que as condições secas podem ter sido um outro motivo pelo qual não vimos todo o potencial do BMR”, comenta.

Nível de fibra influencia o metano 

Após o primeiro estudo, os pesquisadores selecionaram o híbrido baixo com a melhor combinação de desempenho animal e rendimento de campo para um ensaio de acompanhamento. Desta vez, a equipe comparou o híbrido baixo com o milho alto convencional em dietas formuladas com diferentes níveis de FDN e amido. O estudo incluiu dietas com 25% ou 31% de FDN e diferentes concentrações de amido. Como esperado, dietas ricas em amido aumentaram a ingestão de matéria seca, a produção de leite e o teor de proteína do leite.

O híbrido baixo também teve um bom desempenho. “Descobrimos que o híbrido curto aumentou a ingestão de matéria seca, o rendimento de leite corrigido por energia e o rendimento de proteína no leite em comparação com o milho alto”, diz Sarmikasoglou.

Os pesquisadores também mediram as emissões de metano. O tipo de híbrido não afetou as emissões de metano, mas a fibra da dieta sim. “Não vimos efeito entre os híbridos”, relata Sarmikasoglou. “Como esperado, as dietas ricas em fibras resultaram em maiores emissões de metano, intensidade de metano e rendimento de metano.”

Sarmikasoglou observa que a descoberta condiz com pesquisas anteriores que mostram uma relação entre fibras mais altas na dieta e a produção de metano. Para agricultores e nutricionistas, a ausência de diferença no metano entre os híbridos de milho adiciona mais um elemento à avaliação. O milho de porte baixo não pareceu aumentar as emissões de metano em comparação com o híbrido alto convencional no estudo, enquanto a formulação da dieta continuou influenciando as emissões.

O rendimento ainda precisa de mais estudos 

Um desempenho positivo da vaca só vale a pena se um híbrido de milho conseguir produzir alimento suficiente por hectare. Nos ensaios em animais da MSU, os híbridos baixos produziram entre 16,8 e 20,8 toneladas de matéria seca por hectare (7,5 a 9,3 ton/acre). Os pesquisadores tinham apenas uma parcela por híbrido, por isso Sarmikasoglou alerta contra o uso desses números como uma recomendação ampla de rendimento.

Outros pesquisadores de agronomia da MSU também estão avaliando híbridos que carregam a mesma mutação. Em comparações com híbridos altos convencionais, eles observaram rendimentos semelhantes, sem uma resposta significativa ao aumento das taxas de semeadura.

Os primeiros resultados são animadores, mas são necessários mais dados de campo em diferentes ambientes e épocas de cultivo. “Parece promissor usar milho de porte baixo para grãos e forragem em fazendas leiteiras”, diz Sarmikasoglou. “No entanto, ainda precisamos de mais dados antes de podermos fazer recomendações.”

O clima é um dos motivos pelos quais mais pesquisas são necessárias. A temperatura, a precipitação e as condições do solo podem influenciar o desempenho do milho, tornando múltiplos anos de dados importantes ao comparar híbridos de porte baixo e convencional.

O que os produtores de leite devem considerar?

Para produtores de leite interessados em testar o milho de porte baixo, Sarmikasoglou diz que a primeira consideração deve ser o rendimento no campo. “Primeiro, os produtores devem verificar as produtividades”, afirma ele. “Se a qualidade [do milho de porte baixo] for superior, uma queda de 10% na produtividade ainda pode valer a pena.”

A decisão também depende do restante do sistema de cultivo e alimentação da fazenda. Os agricultores devem considerar o clima e as condições do solo, a quantidade de terra disponível para o cultivo de milho e a disponibilidade de outras fontes de fibra ao decidir qual híbrido se adapta melhor à sua operação.

Mais dados podem valorizar o milho baixo 

O próximo passo para a pesquisa da MSU é ir além das comparações de desempenho animal e rendimento e determinar o valor econômico do milho de porte baixo.

Os pesquisadores desejam mais informações sobre a consistência do desempenho dos híbridos em diferentes ambientes de cultivo, como os rendimentos se comparam ao do milho alto convencional e se os resultados do desempenho animal podem ser repetidos. “Queremos gerar mais dados sobre esses híbridos, incluindo o rendimento por hectare em comparação com o milho alto e a repetibilidade dos híbridos no desempenho de vacas leiteiras”, ressalta Sarmikasoglou.

Em última análise, os pesquisadores querem colocar um valor econômico por trás da decisão de plantar milho de porte baixo. Por enquanto, a pesquisa dá aos produtores de leite mais um híbrido de milho para ficar de olho. O milho de porte baixo apresentou resultados promissores no consumo, na produção de leite corrigida por energia e na produção de proteína do leite, enquanto os pesquisadores de campo continuam avaliando se os híbridos podem fornecer consistentemente rendimentos competitivos.

Artigo escrito por Taylor Leach, publicado no Dairy Herd, traduzido e adaptado pela Equipe MilkPoint.

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?