A conversa contínua sobre deportações em massa desencadeou um debate significativo em vários setores da economia americana. Entre os mais afetados está a indústria de laticínios, que depende fortemente da mão de obra imigrante para atender às suas demandas de produção. De acordo com a Federação Nacional dos Produtores de Leite (NMPF), as fazendas que utilizam trabalhadores imigrantes são responsáveis por contribuir com 79% do suprimento de leite dos EUA. Esse dado reforça o papel essencial que os trabalhadores imigrantes desempenham na manutenção da estabilidade e produtividade desse setor.
Há quase quatro décadas, organizações de fazendas leiteiras têm solicitado, de forma consistente, a criação de caminhos eficazes e sustentáveis para que trabalhadores rurais imigrantes possam obter status legal de trabalho nos Estados Unidos.
Organizações como a Edge Dairy Coop apresentam uma solução prática. Alguns de seus componentes são:
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Certificação e Responsabilidade: Estabelecer uma estrutura em que as fazendas leiteiras passem por inspeção, avaliação e treinamento para se tornarem certificadas a empregar trabalhadores legais.
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Verificação de Antecedentes Criminais: Garantir que cada trabalhador contratado esteja documentado, seja legal e livre de antecedentes criminais.
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Coordenação de Vistos: Desenvolver uma categoria de visto simplificada, liderada por produtores, especificamente adaptada às necessidades das fazendas leiteiras, sejam elas sazonais ou de operação contínua, com supervisão do USDA.
Karen Gefvert, diretora de políticas da Edge, expressa a percepção de que o sistema de imigração dos EUA está quebrado — uma realidade sentida de forma aguda pelos produtores de leite americanos.
“Há décadas os produtores de leite levantam a questão de um sistema de vistos agrícolas inadequado para os funcionários das fazendas leiteiras e pedem por reformas, apenas para se perderem na divisão partidária, que se aprofunda a cada ciclo eleitoral”, afirma ela.
Com o atual foco legislativo em segurança de fronteira, Gefvert vê uma oportunidade única de reformar os vistos para trabalhadores agrícolas. Os produtores de leite precisam ter acesso a uma força de trabalho de nível inicial que seja confiável, responsável e segura. Um sistema simplificado, econômico, ágil e confiável é de máxima importância.
“Para estabelecer uma proposta que atenda a todas essas necessidades, precisamos definir alguns requisitos essenciais. Deve haver a oportunidade de verificar se os funcionários que chegam a este país são seguros e confiáveis”, diz ela. “Eles devem ter todos os documentos legais adequados, verificações de antecedentes e confirmações que assegurem que estão aprovados para contratação.”
Gefvert também observa que vistos que estabeleçam uma acreditação anual e plurianual para empregados em fazendas leiteiras e outros tipos de pecuária garantem que as fazendas possam treinar seus trabalhadores e mantê-los da forma mais adequada e eficiente, considerando que operações pecuárias precisam de mão de obra 365 dias por ano.
Ao destacar os desafios relacionados à força de trabalho, Rick Naerebout, CEO da Associação de Produtores de Leite de Idaho, ressalta que os cidadãos americanos geralmente não estão dispostos a assumir esses trabalhos árduos.
“Os americanos não querem esses empregos”, afirma.
As discussões em andamento e as possíveis reformas representam um momento crucial para a indústria de laticínios dos Estados Unidos. Enfrentar as deficiências de mão de obra por meio de políticas bem elaboradas pode abrir caminho para um futuro mais robusto e sustentável para o setor.
As informações são do Dairy Herd Management.