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Custos e incidência da Paratuberculose

POR RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/11/2000

3 MIN DE LEITURA

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Renata de Oliveira Souza Dias

"Você certamente se lembra do dia que ela chegou ao rebanho. Isso foi a aproximadamente 8 anos atrás. Rapidamente ela se tornou a maior produtora do rebanho! Um dia ela pariu. Você ficou satisfeito, era uma fêmea. De repente tudo aconteceu, a vaca começou a perder peso, apresentou diarréia aguda e uma forte queda na produção. Não havia escolha, você descartou o animal. Mas sua bezerra permanecia no rebanho, logo ela cresceu, pariu e se transformou em outra grande produtora! E tudo aconteceu novamente..., só que desta fez você já estava alertado para a Paratuberculose. Você fez o teste e o resultado foi positivo".

A Paratuberculose ou Doença de Johnes é uma infecção bacteriana crônica e contagiosa causada pelo Mycobacterium paratuberculosis. Cerca de 22% dos rebanhos norte-americanos apresentam uma prevalência maior que 10%. A doença é caracterizada por uma enterite degenerativa que causa diarréia intermitente, perda de peso progressiva e morte. É importante destacar que os sintomas surgem geralmente em momentos de estresse como, por exemplo, no peri-parto.

Considerando que a doença tem um período latente de 2 a 5 anos, vários animais podem estar sendo infectados antes que o produtor perceba os sinais clínicos e suspeite da doença. Geralmente, a Paratuberculose é carreada ao rebanho pela compra de animais infectados. O microorganismo é transmitido através das fezes, colostro e pelo leite.

Com base nos fatos descritos acima já se pode imaginar que os custos envolvidos são muito altos e difíceis de serem avaliados; por isso, uma pesquisa do Departamento Norte Americano de Agricultura e da Universidade de Minnesota - USA procurou determinar as perdas econômicas associadas a esta doença.

Muitas variáveis foram estudadas, dentre elas a redução da produção de leite, o valor do leite produzido, número de bezerros nascidos vivos, valor dos bezerros, taxa de descarte, condição corporal do animal descartado e o seu valor, taxa de mortalidade, valor dos animais mortos, custos da reposição anual do rebanho. Não foram estudados os custos relativos à mão-de-obra, dieta, despesas com veterinários, exames e drogas.

Caso, nesta pesquisa, o estudo dos custos da dieta fosse realizado, seu resultado seria bastante interessante, uma vez que a dieta representa a maior despesa em um sistema de produção de leite e, como os rebanhos afetados pela doença apresentam redução na produção de leite, seria esperado que o consumo de alimentos por animal fosse reduzido. Entretanto, já se sabe que apesar da Paratuberculose causar diarréia crônica e perda de peso ela não altera o apetite do animal. Com isso, há uma expressiva redução da conversão animal, já que o consumo de alimentos permanece e a produção de leite cai. Futuros estudos poderão mensurar estes custos.

A pesquisa concluiu que as perdas econômicas associadas à Paratuberculose ocorrem em rebanhos de vários tamanhos e em todas as regiões dos EUA. Determinou-se que rebanhos afetados pela doença apresentam perdas de U$ 245,00 animal/ano, ou seja R$ 466,00 animal/ano. Esse alto custo anual deverá incentivar os produtores de todo o mundo a iniciar um programa de controle da Paratuberculose e implementar um severo programa de biosegurança.

Além das perdas econômicas ligadas ao setor produtivo, paira sobre a paratuberculose a preocupante questão da zoonose. Pesquisas apontam uma possível relação entre a paratuberculose e a Doença de Crohn em humanos, que geralmente acomete pessoas de 15 a 35 anos, causa diarréia crônica e pode levar à morte. Caso os riscos para a saúde pública sejam definitivamente comprovados, o impacto sobre a indústria de carne e leite pode ser devastador. Com essa ameaça a busca pela eliminação da doença e criação dos rebanhos livres de Paratuberculose deverá ser cada vez mais severa.

 

Foto

Vaca magra com diárreia crônica pode significar paratuberculose

 

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fonte: Preventive Veterinary Medicine, v.40, p.179-192, 1999.

RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

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