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Avaliação de fezes para monitorar nutrição de vacas leiteiras

POR ANA CAROLINA OLIVEIRA RIBEIRO

E VICTOR AUGUSTO DE OLIVEIRA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/01/2021

5 MIN DE LEITURA

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A avaliação das fezes é uma ferramenta de monitoramento muito útil para identificar alguns problemas relacionados à saúde dos animais, além de ser utilizada como método de detectar falhas na nutrição de vacas leiteiras. 

A utilização de ferramentas de monitoramento para explorar as práticas de manejo alimentar podem proporcionar uma melhor interpretação dos sinais apresentados pelos animais.

Dentre as ferramentas existentes, podemos citar a avaliação de fezes. A quantidade de estrume produzido está correlacionada com a ingestão da dieta e de água pelo animal, podendo sofrer alterações em sua consistência caso ocorra alguma disfunção no trato gastrointestinal.

Sendo assim, a observação das fezes é uma ferramenta útil para identificar alguns problemas relacionados à saúde ou falhas no fornecimento da dieta dos animais. 

Como forma de facilitar a compreensão visual, destacamos os 3 C’s da avaliação de fezes, que são a cor, consistência e conteúdo.  

  1. COR - A coloração das fezes é influenciada por fatores como, o tipo e a quantidade de alimento que o animal consome. Ou seja, irá variar de acordo com a combinação de forragem e grãos fornecidos, além dos processamentos destes. Dito isso, animais que consomem uma forragem fresca, por exemplo, tipicamente possuem fezes em um tom de verde escuro, enquanto animais que têm adição de grande quantidade de grãos em sua dieta, as fezes apresentarão um pigmento mais amarelado. Além disso, as fezes que apresentam uma coloração acinzentada ou com um tom mais escuro e ensanguentada, acusam algum problema no trato gastrointestinal, como hemorragia causada por micotoxinas. A concentração de bile e a taxa de passagem do alimento ingerido também podem alterar sua coloração.

  2. CONSISTÊNCIA - Está relacionada ao consumo de água pelo animal e ao teor de umidade presente nos alimentos. Vacas que manifestam sintomas de diarreia não apresentam consistência nas fezes, devido à má absorção do conteúdo presente no intestino. A consistência mole das fezes também pode ser um indicativo de consumo excessivo de proteína ou um alto nível de PDR. Além disso, animais com uma restrição no consumo de água e proteína apresentam fezes com consistência mais firme e com o aspecto seco.

  3. CONTEÚDO – Este ponto está relacionado com a qualidade e quantidade do alimento da dieta. Como por exemplo, a proporção de fibras longas da forragem e de grãos não digeridos, que se estiverem em uma quantidade alta, apontam dois fatores: a vaca pode não estar ruminando o suficiente, ou, a taxa de passagem está em nível muito acelerado, indicando que o animal não está aproveitando adequadamente os nutrientes fornecidos na dieta. A presença de partículas de grãos não digeridos, os grãos inteiros, é um parâmetro muito importante a ser observado, pois isso nos diz que pode haver falha do processamento de grãos no momento da ensilagem. Assim a dieta pode se tornar economicamente inviável, pelo fato da silagem não estar sendo totalmente aproveitada, com os nutrientes ficando indisponíveis para absorção pelos animais. 

Aliado aos 3 C’s, durante a avaliação de fezes podemos observar o escore fecal, cujos valores variam de 1 a 5, sendo o escore 1 aquele em que o animal apresenta fezes aquosas, com sinais clínicos próprios de diarreia, e o escore 5 apresentando fezes mais firmes e secas. Buscamos um escore 3, que esteja entre os extremos, apresentando uma altura de 5 a 7 cm, consistência intermediária e com pequenas quantidades de fibras e grãos. Vale ressaltar, que cada fazenda possui o seu parâmetro, as dietas e os lotes são diferentes, com isso, é importante padronizar o escore de fezes de acordo com a realidade da sua fazenda.

Figura 1 - Escore fecal 1  (HUTJENS, 2008).

Figura 2 - Escore fecal 2 (HUTJENS, 2008).

Figura 3 - Escore fecal 3  (HUTJENS, 2008).

Figura 4 - Escore fecal 4 (HUTJENS, 2008). 

Figura 5 - Escore fecal 5 (HUTJENS, 2008).

Uma das possibilidades de diagnóstico e percepção que a avaliação de fezes nos permite realizar é em relação ao ambiente ruminal. Quando o pH do rúmen atinge valores abaixo de 5,8, considera-se um quadro de acidose subclínica. Em condições mais severas, vacas com acidose apresentam consumo deprimido, depressão no teor de gordura no leite e podem apresentar problemas de cascos.

Porém, um dos primeiros sinais é a presença de fezes com baixa consistência, brilhante e com presença de bolhas de ar. As causas comuns da acidose estão relacionadas a altos níveis de carboidratos não fibrosos (CNF) presentes na dieta, com amido de rápida degradabilidade, ou à limitada quantidade de fibra fisicamente efetiva, que é responsável por promover a motilidade ruminal, mastigação e salivação, proporcionando condições para que o rúmen esteja saudável e em pleno funcionamento.

Uma técnica conjunta à identificação visual das fezes é o teste da peneira, que permite avaliar mais detalhadamente as características das fezes, monitorando o tamanho de partículas de forragem. Como já mencionado, elas possuem grande importância na manutenção do pH ruminal. Além disso, esta técnica permite avaliar a presença de mucina no conteúdo fecal, um produto da descamação do epitélio intestinal causada pela acúmulo de ácidos. 

Figura 6 - Equipamento para realização do "teste da peneira". Fonte: Ourofino 

A peneira possui 3 compartimentos: a primeira peneira apresenta diâmetro de 0,5 cm, a segunda 0,24 cm e a terceira 0,16 cm.  Esperamos que a primeira peneira tenho menos que 10% de fezes retidas, a segunda menos que 20% e a terceira mais que 50%. Isto sugere que o alimento ofertado para o animal foi bem digerido, o que aumenta a eficiência de absorção e utilização dos nutrientes.

Figura 7 - Identificação das peneiras. Fonte: Ourofino

Por fim, essa é uma das ferramentas que podem auxiliar o monitoramento da dieta, apresentando pouca complexidade na execução e custo baixo. Lembrando que é imprescindível ter pessoas treinadas para a realização das análises

Além disso, devemos sempre avaliar a variabilidade entre os animais do mesmo lote, algumas das vezes o problema pode estar ligado a práticas de manejo alimentar, como espaçamento de cocho e qualidade da mistura de TMR e não da formulação ou do alimento em si.

Portanto, agrupar as ferramentas de monitoramento com dietas bem formuladas, vão permitir uma nutrição bem equilibrada, atendendo as exigências das vacas e, consequentemente, melhorando o desempenho e a eficiência de produção desses animais. 

Leia também: 

Este artigo foi escrito por membros do UFLALEITE - Grupo de Apoio à Pecuária Leiteira. Para saber mais, acesse @uflaleite.

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Referências: 
HUTJENS, M. Healthy Rumen; Healthy Cow. Bucknell Conference. 2008. Disponível em: http://www.rennut.com/Bucknell/Bucknell08_PDFs/Rennut_rBST_strategies-- edit.pdf

KONONOFF, Paul; HEINRICHS, Jud; VARGA, Gabriella. Using manure evaluation to enhance dairy cattle nutrition. Penn State College of Agricultural Sciences, Department of Dairy and Animal Science, 2002.

 

ANA CAROLINA OLIVEIRA RIBEIRO

VICTOR AUGUSTO DE OLIVEIRA

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GABRIELLI ZANELATO

ITAJAÍ - SANTA CATARINA - ESTUDANTE

EM 13/01/2021

Artigo muito esclarecedor ! Ótimo
ANTÔNIO CARNEIRO SANTANA SANTOS

SALVADOR - BAHIA - ESTUDANTE

EM 11/01/2021

Muito bom.
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/01/2021

HUTJENS é fera!
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