A proposta nasceu, segundo o fundador Dmytro Pavlenko, de uma percepção simples. Muitas pessoas gostam de sobremesas, mas acabam reduzindo o consumo por causa das calorias, do açúcar ou da sensação de que aquele prazer precisa ser compensado depois. “Em vez de desenvolver mais uma sobremesa ‘light’, procurei criar uma sobremesa que eliminasse essa barreira psicológica”, afirma Pavlenko.
A ideia é oferecer uma experiência cremosa e indulgente, mas com baixa densidade calórica, permitindo que o produto possa ser consumido com maior frequência.
O desafio: manter o prazer
Criar um produto com esse posicionamento, no entanto, não significa apenas reduzir calorias ou açúcar. Segundo Pavlenko, o principal desafio foi justamente conciliar duas características que, tradicionalmente, parecem incompatíveis: uma textura rica e indulgente e uma baixa densidade energética.
Para isso, o desenvolvimento envolveu não apenas uma nova formulação, mas também um processo próprio de estruturação do produto. “Esse equilíbrio exigiu o desenvolvimento de um processo próprio de estruturação do produto, mais do que simplesmente uma nova formulação”, explica.
A aposta está alinhada a uma tendência cada vez mais presente no mercado de alimentos: consumidores querem produtos com mais proteína, menos açúcar e melhor perfil nutricional, mas não estão dispostos a abrir mão da experiência sensorial. “Hoje existe uma procura crescente por alimentos ricos em proteína, com menos açúcar e melhor perfil nutricional. Ao mesmo tempo, ninguém quer abdicar do prazer de comer”, diz Pavlenko.
Na visão do empreendedor, o futuro da categoria não está em produtos que exigem sacrifícios do consumidor. “Na minha opinião, a próxima geração de sobremesas será construída precisamente sobre esse equilíbrio.”
Uma oportunidade para os lácteos?
Para Pavlenko, essa transformação também abre espaço para a criação de novos produtos e maior agregação de valor dentro da indústria de laticínios. A cadeia leiteira já dispõe de matérias-primas importantes, especialmente ingredientes com alto teor proteico. O desafio, segundo ele, é transformar esses ingredientes em experiências novas para o consumidor. “Vejo a Mea Culpa como um exemplo de inovação baseada não apenas nos ingredientes, mas também na forma como estes são estruturados para criar novas sensações.”
A expectativa é que, nos próximos anos, as sobremesas lácteas avancem em direção a produtos com maior frequência de consumo, mais proteína, menos açúcar e uma experiência cada vez mais próxima das sobremesas tradicionais.
Ainda em preparação para chegar ao mercado
Apesar do conceito já estar desenvolvido, a Mea Culpa ainda não possui lançamento comercial definido.
O projeto está atualmente em uma fase de transição entre a validação do conceito e a preparação para a industrialização. A empresa trabalha com um parceiro especializado no desenvolvimento do dossier técnico e na adaptação do produto às exigências da produção industrial.
Segundo Pavlenko, empresas do setor alimentar já demonstraram interesse em conhecer e avaliar o conceito, abrindo caminho para possíveis colaborações. A visão, porém, vai além de lançar uma única sobremesa. A Mea Culpa foi concebida como uma plataforma tecnológica que, no futuro, poderá ser adaptada por diferentes fabricantes, utilizando bases lácteas ou vegetais e preservando a experiência sensorial proposta pelo conceito.
Para Pavlenko, esse tipo de inovação será cada vez mais importante para o setor. “Portugal possui empresas muito competentes e capacidade técnica elevada. O grande desafio é conseguir criar produtos verdadeiramente diferenciadores e não apenas acompanhar tendências internacionais.”
E, para ele, a inovação nos alimentos não dependerá apenas da descoberta de novos ingredientes. “Depende sobretudo da capacidade de transformar ingredientes conhecidos em experiências completamente novas para o consumidor.”
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