Outros municípios do estado de São Paulo enfrentaram emergências estruturais devido à tempestade. Votuporanga registrou o colapso de parte da estrutura em construção do Hospital Materno-Infantil, afetando setores administrativos e ambulatoriais. Em Presidente Prudente, a força do vento arrancou a cobertura de uma escola municipal. Situações semelhantes ocorreram em Cândido Mota, Flora Rica e Junqueirópolis, onde houve destelhamentos de dezenas de residências, além de danos à rede elétrica, com a interrupção no fornecimento de energia e bloqueios parciais em rodovias estaduais.
Foto: Arquivo pessoal
Mais ao sul do país, o cenário de destruição foi agravado por correntes de ar que alcançaram 140 km/h em Nova Prata do Iguaçu, no Paraná. Cascavel, Laranjeiras do Sul e Foz do Iguaçu figuraram entre as cidades mais castigadas, com o colapso de uma marquise metálica de supermercado na região central de Laranjeiras do Sul e a queda de uma torre de transmissão de rádio em Assis Chateaubriand. Segundo dados da Companhia Paranaense de Energia (Copel), os desligamentos afetaram 308,7 mil unidades no estado, concentrando o maior volume na região Sudoeste (91,6 mil), seguida pelo Oeste (64,8 mil) e Norte (52,6 mil). Londrina destacou-se como o município com mais clientes sem luz, somando 22,2 mil interrupções.
Minas Gerais sentiu igualmente os reflexos dessa frente de instabilidade, com destaque para a cidade de Montes Claros, onde os bombeiros atenderam 21 chamados associados a inundações, desabamentos e queda de granizo. A força da água destruiu parte do muro e alagou as instalações de uma escola local. Durante os trabalhos de resgate, as equipes ainda precisaram socorrer uma pessoa que havia ficado ilhada em meio à inundação.
Como ficará o clima do Brasil durante a semana
Para os próximos dias, as previsões indicam a persistência de condições adversas, começando pela região Sudeste. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a formação de um novo sistema de baixa pressão próximo à costa mantém o risco elevado de chuvas fortes, raios e ventanias, especialmente em áreas como o Triângulo Mineiro e o sul fluminense.
No Sul do Brasil, a influência do fenômeno El Niño propicia um excesso histórico de precipitações, com modelos apontando que algumas localidades paranaenses podem acumular entre 100 e 200 milímetros de chuva (dobro da média histórica para todo o mês de outubro) em apenas uma semana. O Paraná segue sob alerta de perigo extremo para temporais, enquanto o Rio Grande do Sul intercala momentos de instabilidade severa com o avanço de uma massa de ar polar, garantindo temperaturas amenas em meio aos temporais sucessivos.
Avançando pelo território nacional, a região Centro-Oeste concentra suas maiores preocupações no estado de Mato Grosso do Sul, onde a combinação de aquecimento térmico e umidade gera previsão de acumulados hídricos, principalmente na faixa oeste e sul. Goiás, Mato Grosso e o Distrito Federal também lidarão com pancadas isoladas de chuva forte associadas ao calor.
Em contraste, o Nordeste brasileiro continuará sob forte domínio de uma massa de ar seco, registrando índices de umidade relativa bastante baixos (entre 12% e 20%) no interior do Piauí, Maranhão e Bahia, com chuvas passageiras restritas à faixa litorânea. Por fim, a região Norte apresenta instabilidades concentradas no Amazonas, Acre e Rondônia, enquanto o Pará e o Tocantins mantêm dias de temperaturas elevadas e sensação de abafamento, compondo um panorama de extremos climáticos espalhados por todo o país.
Foto: Inmet
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