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Indústria do leite: nem todo número é bom indicador!

POR PAULO HENRIQUE RODRIGUES JÚNIOR

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/08/2021

6 MIN DE LEITURA

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Os indicadores estão, cada vez mais, fazendo parte da rotina das indústrias em geral, e não é diferente com o setor lácteo. Este movimento atinge não só a fábrica, mas toda a cadeia, desde o campo até a gondola do supermercado.

Embora os indicadores não sejam ferramentas atuais, seu uso tem se popularizado bastante na última década. Isso se deve à necessidade de aumentar a eficiência dos processos.

Neste artigo, veremos como este tema se encaixa no cenário competitivo em que vivemos e como estes indicadores podem nos ajudar a melhorar a indústria do leite.

 

O que são os indicadores? 

Também chamados de indicadores de desempenho ou KPI's (Key Process Indicators ou Indicador-Chave do Processo), os indicadores são métricas extraídas do processo que servem para avaliar sua eficiência em determinado aspecto.

Indicadores são os números ou informações geradas durante a realização das atividades, mas apenas aqueles importantes para a tomada de decisão. Por isso, o uso da palavra “Chave”.

A cadeia do leite gera uma quantidade imensa de dados todos os dias. O volume de leite de cada produtor, a distância percorrida por cada caminhão, o preço dos insumos da ração e assim por diante. Podemos até não perceber, mas usamos estes números todos os dias para executar nosso trabalho.

Um indicador dá uma ideia, ou usando a própria palavra, indica em que patamar de desempenho uma atividade se encontra para que uma ação seja tomada.

Diante desta definição, podemos entender que qualquer número pode ser um indicador, não é verdade? Porém, não é bem assim quando estamos falando de desempenho.

 

Exemplos de indicadores

Existe uma metodologia para se trabalhar com KPI's. Alguns indicadores já são consolidados no mercado, com método e aplicação bem definidos. Cito como exemplos o OEE (Overall Equipment Effectiviness), o ROI (Return on Investiment) e o EBITDA (Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization).

Mas não vamos nos apegar a estas siglas. Um bom indicador não é necessariamente o mais utilizado ou o mais refinado de se calcular. Temos que avaliar primeiro o nosso contexto. Cada indústria tem suas particularidades.

No nosso ramo mesmo, existem vários tipos de indicadores adequados, cada um para um tipo de atividade. Indicadores no campo são diferentes dos indicadores da indústria, da mesma forma que indicadores da qualidade diferem dos indicadores da produção.

É provável que o leitor já trabalhe com algum indicador, mesmo que não o chame por este nome. Quer um exemplo? Volume de produção! Os laticínios têm metas mensais de produção, e geralmente, quanto mais, melhor.

Outro exemplo? Lucro. Você, produtor de leite, gestor ou empresário, não quer pagar para trabalhar. Todos nós queremos um retorno. Este número nos diz inclusive se vale ou não a pena continuar no negócio. E quando as coisas vão mal, podem ser geradas ações no sentido de diminuir os custos, ou mesmo agregar valor aos produtos.

Esse é um ponto crucial para os indicadores: gerar ações! Para isso, é importante que sejam sempre acompanhados. Se você não acompanha os custos, como sabe se está lucrando ou não?

E é assim com qualquer KPI. Não se pode gerenciar algo que não é medido. Só podemos tomar as melhores decisões com as informações corretas.

 

Nem todo número é um bom indicador!

Embora os exemplos acima sejam didáticos para visualizar o que é um indicador, e eles realmente sejam utilizados na prática, isto não quer dizer que sejam bons indicadores. Principalmente se eles são os únicos números que a empresa usa para tomar decisões.

Isto porque eles são muito genéricos. Veja bem o tanto de etapas que precisam ser cumpridas em um mês para se obter a produção total e consequentemente o lucro. Imagine que a indústria não atingiu a produção desejada. Como melhorar? “- É só produzir mais, ora!”

Se a meta não foi atingida, existe um motivo. Mas em qual etapa vamos encontrar este motivo? Pode ter entrado menos leite na fábrica, ou as máquinas podem ter quebrado mais vezes, ou não temos funcionários o suficiente, além de uma série de outros fatores. E cada um em um setor diferente.

Se eu não monitoro também estes fatores, como saber qual ação tomar? Se eu comprar mais leite e o problema estiver nas máquinas, eu vou acabar piorando a situação e tendo que jogar leite fora por não ter como processar.

Com isso acabamos descobrindo que o volume de produção não indica muita coisa e, portanto, não é um bom KPI. Mas, na verdade, nenhum número sozinho será um bom indicador. Quanto mais etapas forem medidas, maiores as chances de encontrar e resolver um problema.

 

Nem todo número deve ser um indicador

Da mesma forma, também temos que ter cuidado para não engessar toda a cadeia por ter indicadores demais. Como falei no início, a indústria já gera muitos dados. Mas nem todo dado é uma informação por si só.

Cada produtor tem um número de vacas. Cada fazenda gera um volume de leite diário. São dois números bem específicos. Mas eles também não dizem nada sozinhos. Porém, quando dividimos a quantidade de leite pelo número de animais encontramos a produtividade média de cada vaca.

Agora temos uma informação de maior qualidade. Com este número eu posso saber se devo mesmo comprar mais vacas ou investir no rebanho para aumentar minha produção.

É mais ou menos assim no caso dos indicadores consagrados e com suas siglas. Não são nenhum número mágico, mas apenas uma combinação de números relevantes que realmente transformam os dados em informação útil.

 

Transformando a cadeia do leite

Os processos são uma rede de atividades interligadas. Os números finais acabam sendo uma soma destes números intermediários. E em meio a tanto número, existem alguns indicadores que impactam em toda a cadeia.

Na indústria do leite, o que eu mais gosto neste sentido é o Extrato Seco Total (EST). Este número é um excelente indicador de qualidade no campo, mas também é capaz de melhorar a produtividade da indústria (principalmente queijos e leite em pó), a qualidade dos produtos e por consequência aumentar a produção e o lucro.

Um único indicador pode transformar a indústria! Mas como fazer os sólidos aumentarem?

Já vimos que não pode ser na base do “- É só ter mais sólidos, ora!”.

Para um indicador-chave gerar resultado, é preciso trabalhar com metas. E para que as metas sejam alcançadas é preciso ação.

Incentivos, treinamentos e o famoso pagamento por qualidade são exemplos de ações neste sentido. Todo indicador deve gerar uma ação, pois do contrário estaremos apenas assistindo os números.

E isso também é um desperdício. Indicadores são construídos através da medição. Medir e monitorar tem um custo. Mas isso é apenas para alertar que não podemos ficar parados vendo os números acontecerem.

Em um mercado que tende a ser sempre mais eficiente, os indicadores-chave serão cada vez mais uma ferramenta essencial na gestão. Você está preparado?

Comente abaixo se seu ambiente de trabalho já possui a cultura de indicadores. E qual indicador específico você gostaria de ver nos próximos artigos? Até a próxima.

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Leia também:

 

Ouça > Como gerenciar processos nas indústrias de laticínios? [PointCast #37]

 
 
*Fonte da foto do artigo: Freepik

PAULO HENRIQUE RODRIGUES JÚNIOR

Bacharel em Laticínios e Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela UFV. Atuo no setor de P&D e Processos na indústria desde 2015. Consultor e Fundador do Blog "Proelementar".

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RAFAELA TEIXEIRA RODRIGUES DO VALE COSTA

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 25/08/2021

Quantas informações importantes... Parabéns pelo artigo.
PAULO HENRIQUE RODRIGUES JÚNIOR

TREZE TÍLIAS - SANTA CATARINA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/08/2021

Obrigado Rafaela. Produzir certo é mais importante que produzir muito. E nesse ponto uma gestão por indicadores pode nos ajudar.
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