A versatilidade dessa profissão é um dos seus maiores diferenciais, permitindo que o zootecnista atue em frentes que vão muito além do curral. Como pontua Vivian Padilla, zootecnista formada pela USP e Analista de Inteligência de Mercado no MilkPoint Mercado, a graduação oferece uma base vasta que prepara o profissional para entender o setor como um todo. Segundo ela, "o zootecnista está incluso em todas as áreas da cadeia, desde compradores de leite em laticínios, técnicos na fazenda, em grandes empresas produtoras de grãos que vão alimentar os animais". Para Vivian, essa formação eclética, que abrange desde a nutrição de gado até a sociologia e a tecnologia da produção, permite uma atuação diferenciada. "Nossa visão geral da cadeia pode ajudar a descomplicá-la, por isso, essa profissão tão completa tem que ser mais valorizada", reforça.
Essa capacidade de enxergar o sistema de forma integrada é o que permite ao profissional atuar como um verdadeiro mediador de interesses e processos. No cotidiano da produção, o desafio não é apenas fazer a vaca produzir mais, mas garantir que essa produção ocorra dentro de um ecossistema equilibrado. Stephanie Gonsales, zootecnista formada pela Universidade Estadual de Maringá e Coordenadora de Marketing na MilkPoint, destaca que "o olhar sistêmico do zootecnista é fundamental porque ele consegue enxergar a produção leiteira como um conjunto integrado de fatores diretamente conectados". De acordo com a especialista, essa visão é a chave para converter dados complexos em ações que impactam o bolso do produtor e a saúde do rebanho, funcionando como a "ponte entre a ciência e a realidade do campo".
Além da técnica bruta, existe uma camada de sensibilidade e comunicação que define o sucesso da atividade. A nova geração de profissionais entende que o lucro caminha lado a lado com a responsabilidade ambiental e o respeito ao animal. Stephanie observa que o foco atual está em produzir com eficiência e ética, ressaltando que "muitas vezes, os resultados não dependem apenas de tecnologia ou investimento, mas da capacidade de interpretar detalhes". Para ela, é nesse ponto que brilha a "sensibilidade técnica do zootecnista: enxergar o rebanho de forma estratégica e humana ao mesmo tempo, ajustando processos que muitas vezes passam despercebidos".
Essa ponte entre o técnico e o humano também se estende à comunicação e à disseminação de informações, elementos cruciais para que o setor continue evoluindo. Raquel Maria Cury Rodrigues, zootecnista formada pela UNESP e Head de Conteúdo do MilkPoint, exemplifica como a paixão pela profissão se traduz em levar clareza para quem decide o futuro do setor. Ela relata que sua missão é "transformar dados, tendências e conhecimento técnico em conteúdos acessíveis, que ajudam na tomada de decisão e aproximam ainda mais quem produz, quem processa e quem vive o leite". Para Raquel, o papel do zootecnista é fundamental para "fortalecer o setor, valorizar o campo e construir um futuro mais sólido para o leite no Brasil".
Em última análise, o zootecnista atua como um um visionário dentro de uma cadeia que é naturalmente fragmentada em diferentes áreas. Ao unir os interesses da indústria, do produtor e do fornecedor de insumos, ele cria um ambiente de diálogo que protege o setor de instabilidades. Vivian Padilla acredita que o contato direto com todos os elos é o "papel chave" da profissão, permitindo "trazer um sistema para o setor em que todos consigam se conversar melhor e ter um setor mais unido".
Neste 13 de maio, celebrar o zootecnista é, portanto, reconhecer a competência técnica e a visão de futuro necessárias para manter a engrenagem do leite brasileiro girando com excelência. Deixe sua homenagem aos colegas zootecnistas nos comentários abaixo!
Vale a pena ler também:
Interleite Brasil 2026: um encontro marcado com a evolução do leite
Gestão alimentar orientada por dados ganha espaço na pecuária leiteira