Segundo o NRC (2001), vacas primíparas (PP) consomem menos alimentos e de maneira diferente que vacas multíparas (MP); além disso, vacas PP geralmente são mais medrosas e se encontram em posição social inferior no rebanho. Por estes motivos, é bastante comum fazer a divisão de lotes.
Philips e Rind (2001) avaliaram os efeitos na produção de leite e no comportamento dos animais misturando ou não grupos de vacas multíparas e primíparas. Foram avaliados três grupos: um com 16 vacas multíparas, um com 16 vacas primíparas e outro com 8 vacas primíparas e 8 vacas multíparas. Os animais eram mantidos em sistema de pastejo rotacionado.
A produção de leite na primeira semana foi 3% menor para o grupo com animais misturados e na sexta semana foi 1% menor que a dos grupos não misturados. A redução na produção de leite foi similar para as vacas multíparas e primíparas. No grupo misturado, todos os animais diminuíram o tempo pastejando e ficaram mais tempo parados, principalmente na primeira semana de experimento; porém, as vacas multíparas deste mesmo grupo aumentaram a taxa de bocado e tiveram mais interações de agressão com as demais vacas do que nos grupos separados.
Os autores concluíram que ao misturar vacas primíparas e multíparas, há interferência no tempo de pastejo e no comportamento social do grupo, resultando com isso em queda de produção de leite.
Em outro estudo realizado por Bach e colaboradores (2006), foi avaliado os resultados na produção de leite e no comportamento animal quando se misturava ou não animais PP e MP. Foram utilizados 2 grupos de animais, um exclusivo de PP, um com 30 % de PP e 70% de MP. Os animais eram mantidos confinados, recebiam a mesma dieta basal e mais 3 kg de concentrado por dia no momento da ordenha.
Não houve diferença de produção de leite e no consumo de matéria seca entre os animais PP dos dois lotes (25,5 kg/d e 18,1 kg/MS para PP sozinhas e 25,9 kg/d e 18, 7 kg/MS para as PP junto com lote de MP).
Tradicionalmente, vacas leiteiras são agrupadas em lotes que tenham de 40 a 100 animais (Albrigh, 1978). Grupos de até 100 animais teriam algumas vantagens como facilidade de locomoção, facilidade dos animais reconhecerem todo o grupo, facilidade para observar todos os animais e de formular a ração que atenda de maneira eficiente. Porém, segundo Grant e Albright, 2000, muitos fatores podem interferir no tamanho do grupo:
1) espaço de cocho, competição por água, alimento;
2) as interações sociais que existam no rebanho;
3) espaço disponível para os animais;
4) tamanho dos animais e idade;
5) condição corporal dos animais;
6) ingestão de matéria seca;
7) presença ou não de sistemas de ventilação.
O tamanho máximo do grupo é ditado pelas características da ordenha; uma vaca não deve esperar mais do que 1h e 45 min para ser ordenhada, considerando de 2 a 3 ordenhas por dia (Grant e Albright, 2000). O tamanho do grupo deve ser no máximo 4,5 vezes o tamanho da ordenha. Por exemplo, para uma ordenha do tipo duplo 10, o grupo deverá ser de no máximo 90 animais (Smith et al. 2000, citado por Grant e Abright 2000).
Referências:
ALBRIGHT, J. L. Social considerations in grouping cows. In: Wilcox, C.J.; Van Horn, H.H. Large Dairy Herd Management. Ed. University Press of Florida, Gainesville, p.757-779, 1978.
BACH, A.; IGLESIAS, C.; DEVANT, M.; Ràfols, N. Performance and Feeding Behavior of Primiparous Cows Loose Housed Alone or Together with Multiparous Cows. Journal of Dairy Science, v.89, p.337-342, 2006.
GRANT, R. J., ALBRIGHT, J.L. Feeding behaviour. In: D'Mello, J.P.F. Farm Animal Metabolism and Nutrition, ed. CABI Publishing. Wallingford, Oxon, UK, p.365-382, 2000.
NATIONAL RESEARCH COUNCIL. In: 7th Revised Edition of Nutrient Requirements of Dairy Cattle. National Academy Press, Washington, DC, 2001.
PHILLIPS, C.J.C; RIND, M.I. The Effects on Production and Behavior of Mixing Uniparous and Multiparous Cows. Journal of Dairy Science, v.84, p.2424-2429, 2001.
Divisão de lotes de vacas leiteiras: multíparas e primíparas
Vacas primíparas consomem menos alimentos e de maneira diferente que vacas multíparas e, por isso, é bastante comum fazer a divisão de lotes.
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BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO
EM 11/11/2008
sugiro estas referências:
Bioclimatologia e instalações zootécnicas: aspectos teóricos e aplicados. In: WORKSHOP BRASILEIRO DE BIOCLIMATOLOGIA ANIMAL, 2., Jaboticabal, 1993. Boletim H148b. Jaboticabal: FUNEP, 1993.p.132-146.
SANTOS, F.A.P, CARARETO, R, PACHECO-JÚNIOR, A, J,D. 2008. Conforto de bovinos leiteiros em sistemas intensivos de produção. 6º Simpósio de Bovinocultura Leiteira . Requisitos de qualidade na bovinocultura leiteira. FEALQ- Piracicaba, SP. 2008. 227-319.

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE
EM 24/10/2008
Como foi citado acima, vários fatores podem interferir na formação de lotes, como: espaço de cocho, competição por água, alimentos. Gostaria de uma sugestão de algum livro de projetos rurais para bovinocultura leiteira.
Desde já agradeço.

ANÁPOLIS - GOIÁS
EM 10/09/2008
acho que algo que deveria ser estudado é a interação entre agrupamento dos lotes e desempenho reprodutivo das primíparas.
Allan Rodrigues

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE
EM 03/09/2008
Realmente, muito bom seu artigo, parabéns pela escolha do tema, pois muitos preocupam somente com alimentação e reprodução esquecendo de práticas de manejo.
Edilane Santos Dutra
MUTUM - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/08/2008
Com abordagens interessantes e bem colocadas como essa é que vamos conscientizar os produtores de leite deste país que são os detalhes que determinam o sucesso ou o fracasso na atividade.
Parabéns!
Geovane Teixeira Xavier
CUIABÁ - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO
EM 15/08/2008

PONTE ALTA DO NORTE - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 12/08/2008
Muito interessante as infomações.