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Espaço no cocho e tipo de contenção afetam o desempenho das vacas

POR ALEXANDRE M. PEDROSO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/01/2006

5 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 28/12/2020

O espaço de cocho é um aspecto muito importante para o conforto das vacas, evitando competição por alimento e permitindo o consumo ideal para uma boa produção de leite.

Uma das primeiras coisas que aprendemos sobre vacas leiteiras é que elas precisam comer bastante para dar bastante leite. Nos meus cursos e palestras sobre nutrição de bovinos leiteiros, sempre repito que a maximização do consumo de matéria seca é um dos pontos chaves para se obter alta eficiência produtiva e deixo claro que para maximizar o consumo é fundamental oferecer às vacas alimentos de alto valor nutritivo e um ambiente confortável. 

Um dos aspectos fundamentais do conforto para as vacas é o espaço no cocho de alimentação, não só para animais criados em sistemas de confinamento total, mas também quando precisamos suplementar animais no inverno e também para vacas sob pastejo que recebem concentrado em galpões, nos quais geralmente o cocho é coletivo. O espaço disponível afeta o nível de competição no cocho, que por sua vez afeta significativamente os hábitos alimentares e o consumo de alimentos.

A discussão sobre a necessidade de espaço em cocho não é nova, e há muitos trabalhos realizados sobre o assunto. No mercado existe um consenso geral de que algo em torno de 0,6-0,7 m de espaço linear no cocho é suficiente para cada vaca comer sossegada, sem estresse, e dessa forma poder expressar todo o seu potencial produtivo, pelo menos no que depender dessa variável. Mas como esse tema sempre gera algumas discussões, o interesse da comunidade científica pelo assunto ainda existe, como mostra artigo que acaba de ser publicado no Journal of Dairy Science (Huzzey, et al., 2006).

Os autores avaliaram o comportamento ingestivo de 4 grupos de vacas mantidas em galpão Free-Stall, sendo que cada grupo dispunha de espaços diferentes no cocho de alimentação, 0,21, 0,41, 0,61 ou 0,81 m linear por vaca. Os grupos também foram submetidos a dois tipos de contenção no cocho, um com canzis individuais, e outro com uma contenção simples que apenas impedia as vacas de passar para o corredor de alimentação, sem qualquer contenção lateral.

As vacas foram monitoradas 24 horas por dia, através de equipamento de vídeo colocado 6m acima da linha do cocho, de forma que todas as vacas de cada grupo podiam ser observadas. Além do espaço de cocho, avaliou-se também o efeito do tipo de contenção.

Os resultados mostraram que houve uma redução linear no número de períodos de alimentação (visitas ao cocho) à medida que se reduzia o espaço disponível por vaca. O efeito foi mais pronunciado nos momentos de pico de alimentação, ou seja, cerca de 1 hora após o descarregamento da ração no cocho. Nesses momentos, a porcentagem de vacas se alimentando diminuía com a redução do espaço disponível. A presença do canzil também resultou em redução nesse parâmetro.

Da mesma forma, observou-se aumento no tempo em que as vacas permaneciam inativas e em pé na área de alimentação, e na incidência de comportamentos agressivos, à medida que se reduzia o espaço disponível no cocho. A presença do canzil também contribuiu para o aumento nesses dois parâmetros. No caso da incidência de comportamentos agressivos, que eram considerados quando alguma vaca era "expulsa" por outra da linha de cocho, a presença do canzil foi útil para reduzir essas ocorrências. Os resultados estão na tabela 1.

Tabela 1. Porcentagem de vacas se alimentando e inativas em pé durante o pico da atividade de alimentação, em quatro níveis de densidade populacional, submetidas a dois tipos de contenção no cocho.
 


Um ponto muito interessante deste trabalho é a avaliação da interação entre espaço disponível e tipo de contenção no cocho, que, segundo os autores, é inédita. Outro ponto que dá destaque a esse trabalho é o fato de ter sido conduzido com um número relativamente grande de animais, repetindo os tratamentos.

O trabalho também mostra um aspecto muito interessante que é o fato de as vacas submetidas aos canzis passaram menos tempo se alimentando, o que fatalmente compromete o consumo de matéria seca. Os autores argumentam que na contenção com canzil, a vaca pode ficar mais desconfortável, e que também é possível que os animais desenvolvam algum tipo de aversão a esse tipo de contenção, uma vez que é comumente utilizada nos troncos para inseminação artificial e manipulação por veterinários, o que pode fazer com que as vacas fiquem relutantes em passar a cabeça pelo canzil para acessar a comida. E o trabalho mostrou claramente que, principalmente no momento de pico de alimentação, menos vacas estavam presentes nos cochos com canzis.

Para ambos os tipos de contenção, a redução no espaço disponível na linha de cocho resultou em menos períodos de alimentação (o que compromete o consumo) e em aumento na porcentagem de vacas inativas em pé na área de alimentação. Esse comportamento foi mais evidente nos momentos de pico de alimentação, cerca de 60 minutos após o fornecimento da ração. Quando não foram submetidas aos canzis as vacas passavam mais tempo se alimentando e menos tem inativas em pé. No entanto, a presença dos canzis reduziu a incidência de comportamentos agressivos no cocho. Além disso, a redução no espaço disponível no cocho resultou em aumento na frequência com que vacas subordinadas eram "expulsas" da área de alimentação, especialmente quando não havia os canzis.

Com esses resultados fica evidente que o aumento da densidade populacional no cocho pode prejudicar o consumo e aumentar a incidência de comportamentos agressivos dentro de lotes de vacas. Apesar de o trabalho mostrar que os canzis podem prejudicar o consumo de alimentos, esse tipo de contenção pode ser interessante para reduzir a competição no cocho. A viabilidade do uso de canzis deve ser avaliada caso a caso, em função do perfil do rebanho, do tipo de instalação, etc.

Esses resultados são úteis não só para quem trabalha com confinamento, mas também para quem suplementa as vacas em galpões, ou mesmo em cochos móveis colocados no pasto. De maneira geral, a recomendação de 0,6 m por vaca parece ser adequada, mas os resultados desse trabalho mostram que se houver mais espaço disponível, as vacas podem ser beneficiadas, tendo acesso mais livre ao cocho, favorecendo o consumo de matéria seca, o que todo produtor de leite quer que seja maximizado.

Literatura citada

HUZZEY, J. M.; DEVRIES, T. J.; VALOIS, P.; VON KEYSERLINGK, M. A. G.. Stocking Density and Feed Barrier Design Affect the Feeding and Social Behavior of Dairy Cattle. Journal of Dairy Science. Champaign, v. 89, n. 1, p. 126-133. Jan., 2006.

ALEXANDRE M. PEDROSO

Engenheiro Agrônomo, Doutor em Ciência Animal e Pastagens, especialista em nutrição de precisão e manejo de bovinos leiteiros

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MILTON PAULO F. SANCHES

BAURU - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 06/07/2008

À equipe AgriPoint, remeto aqui meus agradecimentos pela imensa gama de aprendizado disposto neste site, do qual tenho feito uso com aproveitamento total, visto a qualidade das matérias aqui expostas.

Parabéns pela qualidade ótima do site. Reafirmo meus agradecimentos movido pelo acréscimo de meus conhecimentos obtidos aqui.

A todos da equipe desejo uma ótima semana de trabalho.
Milton Paulo
PAULIANE CARDOSO

NOVA RESENDE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 20/09/2006

A linguagem que é usada traduz para as pessoas leigas a importância da divisão no cocho de maneira simples e prática.
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