Você já ouviu falar da WWRE?

A WWRE ou World Wide Retailers Exchange é apenas a associação de grandes cadeias de varejo, incluindo tradicionais concorrentes. Saiba mais a respeito aqui!

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Não! Pelo amor de Deus!, devem estar dizendo alguns nesta altura do campeonato. Não me diga que é mais uma Transora ou Fonterra da vida !

Não, meu caro produtor de leite, não se trata de mais uma associação de grandes empresas de laticínios. A WWRE ou World Wide Retailers Exchange (que poderia ser traduzido como Rede Mundial de Comércio Varejista) é apenas a associação de grandes cadeias de varejo, incluindo tradicionais concorrentes tais como Pão-de-Açúcar, Bompreço e Makro.

Basicamente a WWRE é um portal de comércio eletrônico que reúne 61 empresas-gigante de varejo, incluindo redes de supermercados concorrentes como os mencionados acima. Além dessas tradicionais cadeias de supermercados, fazem parte da WWRE empresas como a C & A e JCPenney, por exemplo. Juntas, essas empresas faturam US$ 845 bilhões/ano (mais do que o PIB do Mercosul).

A princípio, o objetivo da WWRE é reduzir os custos de compras de produtos dos fornecedores industriais através da compra em conjunto, em grandes volumes e com o recurso de leilões eletrônicos. Na verdade, trata-se de mais uma estratégia dos gigantes de varejo na briga por maiores margens de lucro, visando bloquear ou minimizar a ação das indústrias que lutam por restrição nos descontos das aquisições do varejo e que, para isso, usam armas cada vez mais potentes, como por exemplo, a criação da Transora (tema de discussão no último artigo desta coluna). Segundo dados divulgados na Folha de São Paulo, desde a sua criação, em julho de 2001, a WWRE já proporcionou US$ 392 milhões em descontos para seus associados, isso decorrente da obtenção de descontos na negociação com as indústrias em um universo de US$ 2 bilhões transacionados em compras no período de 9 meses de existência da empresa.

Segundo o economista Cláudio Felisone, da FEA/USP, especialista em varejo, "a disputa das grandes redes de varejo por preços cada vez menores das indústrias se acirrou nos últimos 10 anos, quando as 8 maiores redes de supermercados passaram a concentrar 60% dos negócios do setor no Brasil, contra 48% da fatia que detinham no início da década passada". Segundo esse economista, isso "gerou uma briga de gigantes para ver quem conseguia aumentar mais a sua margem de lucro".

Argumenta-se, entretanto, que mais do que obter descontos na aquisição de produtos, os grandes varejistas estariam objetivando reduções de custos das operações de logística, e esse seria o principal objetivo da WWRE. Mas, independentemente de onde vêm os benefícios primários da WWRE, trata-se de uma iniciativa nada desprezível no mercado.

No que diz respeito aos nossos interesses específicos, no caso a cadeia do leite, volto a reforçar o que mencionei no meu último artigo, isto é, a concentração de poder de elos da cadeia agroindustrial do leite a montante dos produtores, seja por aumento do poder de barganha da indústria ou do varejo, pressiona significativamente e de forma negativa os produtores. Desta forma, é preciso que estes fiquem atentos para os movimentos do mercado e que pensem continuamente em estratégias para se posicionar melhor (ou menos pior!) na cadeia. Isso passa, por exemplo, por viabilizar estratégias de aglutinação, como as que temos visto em casos de fusões ou alianças estratégicas entre cooperativas, como o caso recente da Coonai, Coopercarmo e Casmil.

Se todos os segmentos da cadeia se unem e se aglutinam, os produtores precisam fazer o mesmo, sob pena da miúda fatia que toca a eles diminuir ainda mais. Mas não há dúvidas de que a organização dos produtores é sempre mais complexa devido à grande pulverização e heterogeneidade deste segmento.

A conjuntura indica que não há muita alternativa: a opção que os produtores têm é se aglutinar para se fortalecer ou então buscar algum nicho de mercado na carreira solo, com a elaboração de produtos restritos a um mercado pequeno, como por exemplo produtos orgânicos ou coisa do gênero.

Fonte de consulta: Folha de São Paulo
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Material escrito por:

Luis Fernando Laranja da Fonseca

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