No mercado "spot" os preços recuaram 14% em julho. Em três meses a queda já atinge cerca de 20%, saindo dos patamares de R$0,64/litro, em média, para cerca de R$0,51/litro. A redução de R$0,13/litro refletirá na receita dos produtores de leite que fornecem às empresas que atuam no mercado "spot". Observe, na figura 1, o comportamento dos preços nos principais mercados "spot" desde janeiro de 2004.

No atacado, os preços do leite longa vida passaram a ser comercializados, em média, a R$1,21/litro, o que representa uma queda de 7,5% em relação ao mercado de junho e 14% em três meses.
No mercado de exportações, neste câmbio, a indústria também não vem obtendo resultados positivos. Estão "trocando moedas".
Na produção das fazendas, outro fato chamou a atenção. Muitas indústrias relataram aumento no volume ofertado pelos produtores em diversas regiões. Embora pareça difícil acreditar, pela época do ano, vale lembrar que a produtividade média nacional é tão baixa que qualquer coisa que se faça pode aumentar a produção drasticamente.
E o que será que o produtor poderia fazer? E por quê?
Bom, os preços dos concentrados, que já eram favoráveis em 2004, reduziram-se 17% em valores nominais até junho de 2005, comparando com a mesma época de 2004.
Os preços do leite, até então, vinham desenhando o terceiro ano consecutivo de valores favoráveis aos produtores. Portanto, era de se esperar que os produtores, especialmente os de menor tecnologia, passassem a fornecer mais concentrados às vacas, aumentando assim a sua produção. Poucas vezes, a relação de troca entre leite e alimentos concentrados havia sido tão favorável.
Para reforçar esta informação, algumas empresas de alimentos formulados relataram consideráveis aumentos nas vendas. O produtor deu mais comida nesta seca; isso é fato, tanto que em julho, os preços dos concentrados, mesmo com o dólar em baixa, começaram a registrar alta. Alguns produtos até sumiram do mercado.
Somando todos os fatos e especulações em torno deles, os compradores reduziram os preços pagos aos produtores já para a produção de junho. Na tabela 1 é apresentada a redução média nos pagamentos feitos para a produção de junho.
Tabela 1: Queda nos preços do leite pagos nas principais regiões de produção do país e estimativa de queda para a média Brasil - produção de junho, pagamento de julho.

Para a produção de julho, que será paga em agosto, novos recuos nos preços serão registrados. Essa tendência é confirmada por 85% dos entrevistados pela Scot Consultoria no mês de julho.
Portanto, considerando os últimos anos, 2005 foi o ano em que o preço do leite recuou mais cedo, já para o pagamento de julho.
Ironia que em dólares, os preços do leite brasileiro estariam nos patamares de US$0,232/litro. O valor de US$0,23/litro é a maior média de preço observada no período de 1991 a 1995. Por isso que não é recomendável que se use o dólar para indexar preços na agropecuária. O dólar oscila pela atuação de diversas outras variáveis, o que tende a não transparecer a realidade do produtor no momento da análise. Em 25 de julho, por exemplo, o dólar havia subido mais de 4%, a maior alta em apenas um dia dos últimos meses.
Por ora, já considerando a inevitável queda nos preços da produção de julho, pagamento de agosto, o produtor de leite pode contar com uma redução média de R$0,02 a R$0,03/litro na receita final do ano.
Quem é produtor, ou acompanha algum, sabe o que esta queda significa no resultado da fazenda.