Possíveis cenários futuros do mercado lácteo

Embora o mercado lácteo seja cercado de volatilidade e imprevisibilidade, alguns cenários podem ser analisados previamente. Confira aqui uma análise.

Publicado em: - 4 minutos de leitura

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Embora o mercado lácteo seja cercado de volatilidade e imprevisibilidade, alguns cenários podem ser analisados previamente possibilitando um planejamento mais assertivo e eficaz. Valter Galan, do MilkPoint Mercado, abordou durante sua palestra no 13º Fórum MilkPoint Mercado todo esse cenário e as conjunturas que o contemplam.

No atual momento, o mercado lácteo apresenta alguns pontos:

  • Baixa disponibilidade de leite devido a problemas climáticos, redução das margens e mudanças estruturais na produção;
  • Demanda em queda, mas ainda sim caindo menos que a disponibilidade, gerando aumento nos preços e melhora nas margens – Destaque para os auxílios disponibilizados pelo governo, que ajudam a complementar a renda da população.


Em relação aos preços ao produtor, o momento é de valores recordes. O último valor divulgado pelo CEPEA/USP fechou em R$ 3,1932 na “Média Brasil” líquida e, ao que parece, o valor ainda deve permanecer em alta até o pagamento de agosto.
 

Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de abril/2022).

cepea leite
Fonte: Cepea-Esalq/USP.
 

O leite spot, por sua vez, caminha na direção contrária e apresenta recuo nas duas últimas quinzenas. Mesmo que a demanda não esteja tão em baixa quanto a disponibilidade da matéria prima, houve recuo devido aos patamares de preços dos lácteos e derivados no varejo, o que ocasionou a maior retração das vendas ao consumidor final.

Com o panorama apontando uma demanda fria, o apetite das indústrias por leite matéria-prima no mercado spot diminuiu, levando aos recuos observados nos preços.


Gráfico 2. Levantamento de Preço Spot

leite spot
Fonte: Dados do MilkPoint Mercado.
 

Como fica o cenário do leite para o restante de 2022?

A inflação dos preços do leite e derivados no varejo já apresentam alta significativa. Em relação a 2021, o leite UHT passou por uma elevação de 64% no preço do varejo em relação ao ano passado, por exemplo, enquanto a muçarela teve alta de 31%.

Gráfico 3. Preços do leite UHT – Varejo/SP (R$/litro)

inflaçao leite
Fonte: Palestra Valter Galan – 13º Fórum MilkPoint Mercado – Dados: FIPE.

 

Gráfico 4. Preços Muçarela – Varejo/SP (R$/kg)

inflação leite
Fonte: Palestra Valter Galan – 13º Fórum MilkPoint Mercado – Dados: FIPE.

Embora os preços do UHT não sejam maiores (analisando dados deflacionados) do que os preços de meados de 2006, onde ocorreu uma forte queda na disponibilidade de leite, e nem 2018, com a greve dos caminhoneiros; os preços praticados mostram alta expressiva. A muçarela, por sua vez, já apresenta o maior preço desde 2015.
 

Gráfico 5. Preço do leite UHT e muçarela

Figura 5
Fonte: Palestra Valter Galan – 13º Fórum MilkPoint Mercado – Dados: FIPE.
 

Já na última terça-feira, 09/08, o IBGE disponibilizou os dados da inflação no Brasil para o mês de julho, e, embora o Índice de Preços ao Consumidor Amplo tenha fechado o sétimo mês do ano com deflação de 0,68% — a menor taxa desde 1980 —, a alta dos preços de alimentos acelerou de 0,80% em junho para 1,30% em julho, com destaque para os lácteos.

leite longa vida apresentou alta de 25,46% em julho, após alta de 10,72% em junho. Foi o maior impacto individual no resultado do IPCA: representou 0,22 ponto percentual da taxa negativa de 0,68% do IPCA.

No grupo de leite e derivados, o aumento de preços foi de 14,06% em julho, após variação de 5,68% em junho.

Gráfico 6. IPCA - Leite Longa Vida (variação mensal)

Figura 6
Fonte: IBGE - elaborado pelo MilkPoint Mercado.

De forma geral, temos sinais negativos nos volumes de vendas devido à elevação dos patamares de preços — com alguns positivos (queijos e iogurtes com sabor) —, mas, o geral é negativo.

 

Resumindo, o que existe de projeção até o fim de 2022?

  • Disponibilidade de leite cresce, pela recuperação da produção e aumento das importações;
  • Preços altos no varejo prejudicam consumo;
  • Auxílios oficiais trazem alguma sustentação de mercado, mas com efeito bem menor que o de 2020 e que o esperado pelo setor;
  • Preços ao produtor tem forte recuo a partir do pagamento de setembro.

 

O que pode alterar essa projeção?

  • Efeito maior do que o esperado dos auxílios do governo, com maior sustentação demanda;
  • Disponibilidade do Mercosul para o Brasil menor que a projetada (desaceleração da produção & problemas políticos na origem).

Resultado deste cenário alternativo: queda menos forte de preços no mercado e ao produtor.

 

E para 2023, o que esperar?

Valter ressalta a incerteza de projetar um cenário tão volátil e a tão longo prazo, mas estima que devido às projeções de melhora na rentabilidade no segundo semestre de 2022, a produção inicia o ano de 2023 mais acelerada, embora com uma base produtiva mais enxuta. Enfatizando a economia pós-eleição, com mais controles de gastos do governo e tendência de menor crescimento. E ainda fala sobre a tendência de ter um pouco mais de volume e menor crescimento econômico, os preços podem passar por elevações com menos intensidade.

Finalizando, Valter chamou atenção para pontos que devem ser olhados com cautela e ressaltou o La Niña e os custos de produção de leite.

Todas as informações contidas no artigo foram abordadas na palestra de Valter Galan, durante o 13º Fórum MilkPoint Mercado. E não é porque o evento acabou que você precisa ficar sem conferir esse e outros vários conteúdos que farão a diferença no seu negócio. Acesse a plataforma e se inscreva, as palestras ficam disponíveis para acesso online por 30 dias. Não perca tempo!

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Material escrito por:

Stephanie Gonsales

Stephanie Gonsales

Zootecnista formada pela Universidade Estadual de Maringá e pós-graduada em Gestão do Agronegócio. Responsável pela Equipe de Conteúdo do MilkPoint.

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Diego Dias Giacomelli Adriana DE Campos
DIEGO DIAS GIACOMELLI ADRIANA DE CAMPOS

SALTO DO JACUÍ - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 15/08/2022

Qual preço vai ficar o litro
Marius Cesar de Carvalho
MARIUS CESAR DE CARVALHO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/08/2022

Como produtor de leite, vejo um cenário de falta de matéria prima devido a custos muito elevados, pouco investimento por parte do produtor se começar a cair a falta de leite no mercado vai ser intensificada.
Como dono de laticínio (industrializado meu próprio leite) ou seja verticalização total. Enxergo dois cenários produtos caros nos pontos de venda baixo consumo, ou como entrego direto para o consumidor final uma ótima oportunidade para crescimento.
Ana Paula
ANA PAULA

EDEALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/08/2022

Bom dia Stephanie. Se a previsão se concretizar, e realmente tivermos queda acentuada no preço ao produtor do leite produzido em agosto, pago em setembro, acredito que a oferta só aumentará devido a importação, pq não se vê aumento de investimentos ou confiança por parte do produtor, e aliado à prevista grande queda no preço, só reforça o sentimento que tenho e de muitos com quem converso: leite nunca será um bom negócio. Se quiseres prosperar ter qualidade de vida, algum tempo pra lazer, procure outra atividade. Leite, pelo que te custa, e custa muito, pois custa todo dia da sua vida, todo seu tempo, nunca te trará recompensa esperada.
Marcus Paulo Abranches Borges
MARCUS PAULO ABRANCHES BORGES

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/08/2022

Bom dia, se a alta dos preços não se sustentarem por certo período, o produtor não investirá como gostaria e ano que vem , acredito , faltará leite como está em 2022 e estaremos na mesma situação. Acredito dependermos principalmente do investimento em volumosos para a situação ser diferente. Vamos ver.
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