Mercado em agosto se apresenta favorável para produtor e indústria

O mercado encontra-se firme, estável e em melhores condições que há um mês. As geadas ocorridas na região Sul prejudicaram a produção de forragem, limitando a produção e reduzindo a expectativa de que teríamos leite em quantidade suficiente para pressionar o mercado para baixo. Pelo contrário, com a contínua redução das safras no Sudeste e Centro-Oeste, e retorno das aulas, o mercado chegou a agosto apresentando uma situação favorável de preços.

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O mercado encontra-se firme, estável e em melhores condições que há um mês. As geadas ocorridas na região Sul prejudicaram a produção de forragem, limitando a produção e reduzindo a expectativa de que teríamos leite em quantidade suficiente para pressionar o mercado para baixo. Pelo contrário, com a contínua redução das safras no Sudeste e Centro-Oeste, e retorno das aulas, o mercado chegou a agosto apresentando uma situação favorável de preços.

Em junho, o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L/Cepea) registrou aumento de 3,2% sobre maio, impulsionado pelo acréscimo de 10,5% da captação de leite no Sul do país. A expectativa é que a região tenha registrado leve aumento ou estabilidade em julho. Já no Sudeste e Centro-Oeste do País, a captação continuou diminuindo, dado o período de entressafra (seca), e deve ter se movimentado novamente nesse sentido em julho.

O mesmo índice registrou recuo de 1,5% no primeiro semestre em relação a igual período de 2010. Portanto, segundo essa amostragem, estamos com menos leite do que no ano passado e se as análises de julho se confirmarem, entraremos em agosto com valores ainda menores.

Gráfico 1. Índice de Captação de Leite (ICAP-L/Cepea) - junho/11.

Figura 1


Nesse cenário de menor oferta e retomada da demanda com o fim das férias, o mercado sinalizou uma elevação dos preços. Segundo agentes de mercado consultados pelo MilkPoint, o preço do leite longa vida no atacado subiu cerca de 10 centavos dos valores praticados em meados de julho, ficando entre R$ 1,85-1,95/litro em São Paulo e entre R$ 1,65-1,82/litro em outras regiões.

Os queijos, representados pelo queijo muçarela, passaram de R$ 7,50-9,50/kg para R$ 10,00-11,50/kg, no período e dependendo da região. Os agentes também reportaram melhora das vendas desses produtos. O leite em pó foi o que sofreu menor alta, com preços variando entre R$ 7,85-8,50/kg. Segundos agentes do setor, as importações afetam mais esse produto e diminuem a possibilidade de maiores altas.

O mercado de leite spot (comercializado entre as indústrias) apresentou um acréscimo de 3 centavos nessa primeira quinzena de agosto, sendo encontrado a R$ 0,85-0,97/litro. Na região Sul não houve variação positiva nesse 1a quinzena.

O preço ao produtor deve seguir esse movimento: leve alta nas regiões que encontram-se em entressafra, sofrendo algum recuo no Sul do país, já com expectativas para a safra e devido às importações, que tem maior impacto na região.

Gráfico 2.Preços ao produtor - média nacional.

Figura 2


Os preços internacionais de lácteos seguiram o comportamento dos mercados financeiros e recuaram, devido ao aumento das incertezas sobre a economia mundial e, principalmente, norte-americana.

Segundo o ASB CommoditieReport, o recuo dos preços previsto para agosto sofrerá também a influência de um período cheio de feriados na Europa, que ainda teve o Ramadã caindo este ano em agosto. Outro fator é o comportamento da demanda da China e Rússia, que recentemente foram os principais compradores, que parecem também ter diminuído.

Gráfico 3.Preços internacionais de leite em pó integral.

Figura 3


O impacto disso no mercado lácteo nacional é um possível aumento das importações. Com preços internacionais menores, o dólar perdendo força e o custo da matéria-prima sob elevados patamares para as indústrias nacionais, devemos possivelmente observar um importante incremento nas importações para o mês de agosto, tornando a situação da balança comercial de lácteos em 2011 ainda mais preocupante. Vale lembrar que a diferença de preços do mercado interno e externo já é tal que a importação de leite dos Estados Unidos, mesmo pagando imposto de 27%, já é marginalmente viável (cerca de R$ 0,90/litro).

No acumulado dos sete primeiros meses do ano (janeiro a julho), o déficit em volume e valor já superou todo o saldo negativo de 2010. Em valor, o déficit de US$ 250,7 milhões já é 43,4% maior do que déficit de todo o ano anterior (US$ - 174,8 milhões). Em volume, o saldo encontra-se em - 62,5 mil toneladas, 14% acima do déficit de 2010 (54,8 mil toneladas), resultado da diferença entre as 22,6 mil toneladas exportadas e 85,1 mil toneladas importadas.

Tabela 1.Balança comercial de lácteos em 2011 e comparação com 2010.

Figura 4


Em julho, porém, houve diminuição das importações, que aliado ao atraso da safra do sul, proporcionou aos produtores de leite o melhor momento nos últimos 12 meses, segundo nosso cálculo de Receita Menos Custo da Ração (gráfico 4).A RMCR é uma estimativa da receita obtida proveniente da produção diária de uma vaca 20 kg menos o custo de uma dieta contendo soja, milho e sal mineral. E é ainda mais interessante de ser aplicada nesse período em que a produção de leite é mais dependente do emprego de suplementação.

Gráfico 4.Receitamenoscusto de ração - últimos 12 meses ( R$/vaca/dia, corrigidospeloefeito da inflação).

Figura 5


Em curto prazo, a expectativa é de que o mercado permaneça firme e sob favoráveis patamares de preços, curiosamente, para todos os elos da cadeia. Uma possível mudança desse positivo cenário só deverá ocorrer em meados de setembro, caso o início da safra no Sudeste e Centro-Oeste coincidam com o pico do Sul. Mesmo assim, é prever um cenário negativo quando as coisas estão indo muito bem, obrigado.
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Material escrito por:

Marcelo Pereira de Carvalho

Marcelo Pereira de Carvalho

Fundador e CEO da MilkPoint Ventures.

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Rodolfo Tramontina de Oliveira e Castro

Rodolfo Tramontina de Oliveira e Castro

Engenheiro Agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"-USP, e Analista de Mercado do MilkPoint.

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Guilherme Alves de Mello Franco
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/08/2011

Prezados Marcelo e Rodolfo: É nesta hora que o produtor mais tecnificado e profissional faz a diferença, ganhando muito mais que a média estadual por seu leite, já que, em face da qualidade e do volume produzido, pode impor resultados financeiros melhores, de sorte que não representa vantagem para laticínio nenhum perdê-lo para a concorrência. Administração séria, eficiente e profissional é o único caminho para o sucesso.


Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO


FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
Rogério Agostíni Muniz
ROGÉRIO AGOSTÍNI MUNIZ

VILA VELHA - ESPÍRITO SANTO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 23/08/2011

Dr Marcelo


Parabens pela tecnica de explanação. Espero que os produtores também participem do bom momento do leite.
Aluizio Marchi
ALUIZIO MARCHI

NOVA VENÉCIA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/08/2011

Estive presente em palestra proferida pelo Dr Marcelo, em Vitória-ES, durante a Granexpo-es. Tudo que ouvimos foi fantástico. Para produtores de leite num regime ainda quase "rudimentar", suas palavras são de extrema importância. Ou se transforma os meios de produzir e administrar a propriedade leiteira, ou se sai do ramo. Hoje o mercado é sensível e quem não estiver atento e não se profissionalizar, não chegará a lugar nenhum. O "Milkpoint.com.br"  torna-se, doravante, para mim uma página obrigatória e diária.



<b>Caro Aluizio</b>,

Obrigado pelos comentarios. Espero que tenha ajudado o leite do Espirito Santo.

Abraco

Marcelo
Gilson Antonio Pessoa
GILSON ANTONIO PESSOA

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 16/08/2011

Aqui no RS, algumas empresas pagaram entre R$ 0,65-0,78/litro ao produtor.
Qual a sua dúvida hoje?