GDT: preços em alta acendem sinal de alerta para importações brasileiras

O preço médio dos produtos negociados apresentou novo aumento no 368º leilão de lácteos da plataforma GDT, realizado no dia 19/11. Confira!

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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O preço médio dos produtos negociados apresentou novo aumento no 368º leilão de lácteos da plataforma GDT, realizado no dia 19/11. O GDT Price Index (média ponderada dos produtos) passou por uma valorização de 1,9%, atingindo USD 4.089/tonelada – o maior valor desde julho de 2022.

Gráfico 1. Preço médio leilão GDT.

Preço médio leilão GDT

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2024.

Apesar do cenário geral altistas, algumas categorias apresentaram retração nos preços. Nesse cenário, a maior valorização percentual ficou para a categoria do leite em pó integral, que obteve uma valorização de 3,2% no preço médio, sendo negociado na média de US$ 3.826/tonelada – renovando o valor máximo dos últimos anos. Por outro lado, a maior retração, ficou com a categoria da muçarela, com uma queda de 6,6%, fechando com preço médio de US$4.315/tonelada.

O leite em pó desnatado apresentou alta de 0,9% sendo negociado na média de US$ 2.882/tonelada, avanço similar ao da manteiga, que foi negociada na média de US$ 7.008/tonelada, obtendo valorização de 0,5%. A manteiga que é um produto que vem sendo valorizado no mercado internacional e tem operado em patamares de preços elevados.

Gráfico 2. Preço Médio Manteiga – Leilão GDT (USD/ton).

Preço Médio Manteiga - Leilão GDT (USD/ton)

Fonte: Global Dairy Trade (GDT) – elaborado pelo MilkPoint Mercado.

Além disso, a categoria do queijo cheddar, apresentou desvalorização de 3,1%, fechando na média de US$ 4.834/tonelada.

Confira na Tabela 1 o preço médio dos derivados após a finalização do evento e a variação em relação ao evento anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 19/11/2024.

Produto

Preço (tonelada)

Variação

Leite em pó integral

 US$ 3.826

+3,2%

Leite em pó desnatado

 US$ 2.882

+0,9%

Cheddar

 US$ 4.834

-3,1%

Manteiga

 US$ 7.008

+0,5%

Mozzarela

 US$ 4.315

-6,6%

Índice GDT

US$ 4.089

+1,9%

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2024.

No segundo leilão do mês de novembro, o volume negociado apresentou queda, colaborando para um novo avanços nos preços internacionais. Com um total de 36.244 toneladas sendo negociadas, houve uma retração de  1,0% em relação ao volume negociado no evento anterior, como mostra o gráfico 2.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2024.

Além do menor volume ofertado no leilão, que deu suporte para as altas dos preços, a demanda mais firme neste momento também tem colaborado para a valorização de algumas categorias, como o observado para os leites em pó. Neste último leilão voltamos a observar um volume de compras mais forte da região norte asiática (que contempla a China), especialmente para a o leite em pó integral.

No mercado futuro de leite em pó integral na Bolsa de Valores da Nova Zelândia, os contratos atuais também apontam para um aumento nos preços em relação aos valores registrados anteriormente para contratos com vencimentos nos mesmos períodos. Conforme mostrado no gráfico 3.

Gráfico 3. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures).

Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures).

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2024.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

Vale destacar que o Brasil importa produtos lácteos principalmente da Argentina e do Uruguai, países que historicamente praticam preços acima do Global Dairy Trade (GDT), em grande parte devido à Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, que impõe tarifas de quase 30% sobre importações de fora do bloco.

Desta forma, os preços mais altos no mercado internacional têm reduzido a diferença de competitividade entre os produtos do Mercosul e os de outros grandes exportadores globais. Isso torna os lácteos da Argentina e do Uruguai mais atraentes para os países importadores.

Com esse cenário, o Brasil deve enfrentar uma concorrência mais acirrada com outros países na importação de lácteos do Mercosul. Além disso, a recente desvalorização do real frente ao dólar tem mantido a taxa de câmbio em patamares elevados, reduzindo o poder de compra dos importadores brasileiros.

Na conjuntura atual, o Brasil tende a manter as importações de lácteos em níveis elevados. No entanto, essa dinâmica indica uma provável redução no volume importado nos próximos meses.

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Material escrito por:

Henrique Coelho Caldari

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