GDT 394: crescimento da oferta de leite internacional segue pressionando preços

O leilão GDT registrou queda de 4,4% no índice médio, com recuos expressivos nos preços do leite em pó e movimentos mistos entre os derivados. Veja como o aumento da oferta, o comportamento dos contratos futuros e o câmbio ajudam a explicar os reflexos desse resultado para o mercado brasileiro.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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O 394º leilão da Global Dairy Trade, realizado em 16 de dezembro, registrou uma queda média de 4,4% nos preços, atingindo USD 3.341/tonelada. O leite em pó integral caiu 5,7%, enquanto a lactose teve alta de 14,4%. O volume negociado foi de 33,97 mil toneladas, com um aumento de 5,8% em relação ao ano anterior. A demanda estável não foi suficiente para absorver a oferta crescente, impactando os preços. O dólar também influencia a competitividade dos produtos lácteos no Brasil.

O 394º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 16 de dezembro, apresentou movimentos mistos entre os produtos, porém o preço médio (price index) dos produtos negociados recuou 4,4%, chegando a USD 3.341/tonelada  — atingindo o menor preço desde dezembro de 2023.

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

 

O leite em pó integral (LPI) apresentou o maior recuo deste leilão, com queda de 5,7%, levando o preço médio a USD 3.161 por tonelada. Com esse movimento, o produto atingiu o menor patamar desde julho de 2024, e quedas dessa magnitude não eram observadas desde setembro.

O leite em pó desnatado (LPD) também registrou retração, de 2,1%, com o preço médio ficando em USD 2.431 por tonelada.

Gráfico 2. Preço médio LPI

 

A segunda maior queda do leilão foi observada na gordura anidra do leite, que acumulou o quarto recuo consecutivo, atingindo o preço médio de USD 5.602 por tonelada. A manteiga também apresentou desvalorização, com queda de 2,5%, sendo negociada em torno de USD 5.012 por tonelada.

Na contramão, a lactose registrou a maior alta do leilão, com valorização de 14,4%, alcançando USD 1.430 por tonelada e retornando a níveis não observados desde maio. Em seguida, a muçarela apresentou avanço de 6,7%, com preço médio de USD 3.395 por tonelada.

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 16/12/2025.

Produto

Preço (tonelada)

Variação

Leite em pó integral

 US$ 3.161

- 5,7%  

Leite em pó desnatado

 US$ 2.431

 - 2,1%

Cheddar

 US$ 4.646

 0,0 %

Manteiga

 US$ 5.012

- 2,5%

Mozzarela

 US$ 3.395

+6,7%

Índice GDT

US$ 3.341

- 4,4%

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2025.

Volume negociado continua aumentando em comparação com o ano anterior, e praticamente estável em relação ao mês passado

O volume negociado neste leilão totalizou cerca de 33,97 mil toneladas, representando nova queda (-0,9%) frente ao evento anterior. Frente ao mesmo mês do ano passado, o volume negociado apresentou uma alta de 5,8%.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

 

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2025.

Impacto nos contratos futuros

A tendência de baixa para os primeiros meses de 2026 permanece, com novos recuos em relação às cotações dos últimos dias. Para março, porém, o cenário de alta segue confirmado nos contratos.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

 

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2025.

 

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O evento apresentou demanda estável em relação ao leilão anterior, porém os preços continuaram em queda, movimento explicado principalmente pelo forte aumento da oferta. Apesar da demanda não ter recuado, ela ainda se mostra insuficiente para absorver o volume adicional disponível, mantendo pressão sobre as cotações.

Nesse contexto, o leilão da segunda quinzena de dezembro evidenciou uma postura mais cautelosa dos compradores, diante de um mercado amplamente ofertado. Essa cautela tem se refletido na estabilidade dos contratos futuros para o primeiro trimestre de 2026, indicando expectativas ainda conservadoras.

Para o mercado brasileiro, a queda nos preços internacionais pode se traduzir em valores mais baixos praticados por importantes parceiros comerciais, como Argentina e Uruguai. No entanto, a elevada oferta de lácteos no mercado interno tem aumentado a competitividade dos produtos nacionais frente aos importados, limitando impactos mais relevantes.

Ainda assim, o dólar segue como um ponto de atenção, já que a taxa de câmbio exerce influência direta sobre os preços de importação dos produtos lácteos. Nos últimos dias a alta na moeda americana tende a aumentar a competitividade dos produtos nacionais.

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Material escrito por:

Vivian Batista Padilla

Vivian Batista Padilla

Zootecnista pela FZEA USP e Analista Jr. de Inteligência de Mercado no MilkPoint Mercado.

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