Balança comercial: importações de lácteos voltam a crescer e ampliam déficit em setembro

Setembro foi marcado pelo crescimento das importações e das exportações brasileiras de lácteos, entenda!

Publicado por: MilkPoint

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Em setembro, as importações brasileiras de lácteos cresceram 8,7%, totalizando 243 milhões de litros em equivalente-leite, enquanto as exportações aumentaram 6,5%, somando 5,4 milhões de litros. O déficit da balança comercial subiu para 237,6 milhões de litros. As compras da Argentina e Uruguai foram significativas, e houve aumento nas importações de leite em pó desnatado e queijos. As exportações de soro de leite cresceram 54,1%, mas as de queijos caíram 15,2%. A produção no Mercosul continua alta, mas a valorização dos produtos pode afetar a competitividade das importações.

Setembro foi marcado pelo crescimento das importações e das exportações brasileiras de lácteos. As compras externas somaram 243 milhões de litros em equivalente-leite, avanço de 8,7% em relação ao mês anterior, enquanto os embarques totalizaram 5,4 milhões de litros em equivalente-leite, alta de 6,5% na mesma comparação.

Com o avanço das compras externas, o déficit da balança comercial de lácteos aumentou, passando de cerca de 219 milhões de litros em agosto para 237,6 milhões de litros em equivalente-leite em setembro.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

As importações reverteram o leve recuo observado em agosto, com aumento expressivo das compras da Argentina e do Uruguai. O movimento ocorre em um cenário de elevada disponibilidade de leite no Mercosul, com a produção dos países fornecedores acima dos patamares registrados no ano anterior.

Gráfico 2. Importações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT. 

Os principais movimentos observados nas importações foram:

  • Leite em pó integral (LPI): apresentou recuo de 3,0% no volume importado, após dois meses consecutivos de avanço;
  • Leite em pó desnatado (LPD): registrou aumento de 26% nas compras externas, revertendo a queda observada em agosto;
  • Queijos: a categoria apresentou crescimento de 19% no volume importado. Dentro desse grupo, as compras de muçarela também avançaram 19% em relação ao mês anterior.

As importações de WPC (Whey Protein Concentrate, ou concentrado proteico de soro de leite) também avançaram em setembro, com alta de 7,2% na comparação mensal, passando de aproximadamente 546,5 toneladas em agosto para 586,0 toneladas. Nesse contexto, a utilização do leite em pó desnatado em substituição parcial ao WPC, em determinadas formulações industriais, é uma possível explicação para o crescimento das compras de LPD.

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Em relação às exportações, setembro apresentou avanço de 6,5% frente ao mês anterior, com o volume total somando 5,4 milhões de litros em equivalente-leite. Entre os produtos, os embarques de soro de leite cresceram, enquanto as vendas externas de queijos recuaram.

Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.

Nas exportações de setembro, foram observados os seguintes movimentos entre os principais produtos:

  • Soro de leite: apresentou aumento de 54,1% no volume exportado em relação ao mês anterior, com os embarques totalizando 1,28 milhão de kg;
  • Queijos: registraram recuo de 15,2% no volume exportado na comparação mensal.

As tabelas 1 e 2 apresentam as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de setembro e agosto de 2026.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em setembro de 2026

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em agosto de 2026

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

O que podemos esperar para os próximos meses?

O avanço das importações em setembro, com aumento expressivo das compras da Argentina e do Uruguai, ocorre em um cenário de elevada disponibilidade de leite no Mercosul. A produção dos países fornecedores permanece acima dos níveis registrados no ano anterior, favorecendo a oferta de lácteos para o mercado brasileiro.

Apesar desse volume elevado, o crescimento da produção na região vem perdendo intensidade, contribuindo para certo avanço dos preços. Os preços de LPI e LPD no GDT também seguem elevados, o que também contribui para dar sustentação às cotações dos produtos no Mercosul.

Em contrapartida, o dólar em patamares inferiores aos do ano passado ainda reduz o custo de internalização dos importados. 

A valorização dos produtos na origem, porém, vem reduzindo sua vantagem frente aos brasileiros, observado na aproximação entre os custos de aquisição de alguns derivados externos e nacionais.

Para os próximos meses, o ganho de competitividade dos produtos brasileiros pode moderar o ritmo de novas compras externas. A evolução dos preços no Mercosul e no mercado doméstico será, portanto, importante para avaliar a continuidade dos avanços nas importações.

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Homero Gontijo de Morais Filho
HOMERO GONTIJO DE MORAIS FILHO

LUZ - MINAS GERAIS

EM 07/10/2026

Brasil sendo Brasil, exportando soro e importando WPC...
Qual a sua dúvida hoje?