Balança comercial de lácteos: uma avaliação de 2002

Este artigo irá fazer um balanço de fim de ano do setor lácteo, e escolhi para isto a questão da balança de comércio exterior. Saiba mais sobre a balança aqui!

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

Como este é o último artigo do ano desta coluna, optei por fazer um balanço de fim de ano do setor lácteo, e escolhi para isto a questão da balança de comércio exterior.

Para que a análise pudesse ser feita com extrema precisão, haveria a necessidade de dispormos de todas as estatísticas deste ano, mas, no entanto, até o momento só temos os dados tabulados até o mês de Novembro/2002. Desta forma, para "fechar" os dados, fiz algumas projeções arbitrárias para o mês de Dez/2002.

Indo direto às estatísticas, podemos observar dois fatos marcantes em 2002, um bom e um ruim. Como não tenho a opção de perguntar qual você prefere primeiro, começo pelo bom, como todo otimista.

Em 2002, as exportações de lácteos tiveram um aumento bastante expressivo, praticamente dobrando em valor em relação a 2001, chegando próximo à casa dos 45 milhões de dólares. Julgo importante destacar que esse crescimento é constante desde o ano 2000 (ver gráficos e tabela 1). Esse mesmo raciocínio vale para o volume exportado (gráfico e tabela 2).

Já a notícia ruim fica por conta do aumento das importações, que vinham diminuindo até o ano passado. Neste ano, gastaremos praticamente 250 milhões de dólares com a compra externa de lácteos, ou US$70 milhões a mais do que o ano passado. Em volume, teremos um incremento de cerca de 40% em relação ao ano passado. Isso faz com que o saldo da balança de produtos lácteos seja negativo em cerca de 200 milhões de dólares neste ano. Preciosos dólares que não poderíamos desperdiçar para comprar leite num país com as potencialidades como o nosso. Mas como atribuo esse mau resultado da balança comercial de lácteos em 2002 a fatores conjunturais transitórios (crise aguda do setor de produção devido aos baixos preços pagos aos produtores em 2001, com o conseqüente desestímulo à produção e falta de produto no mercado doméstico) imagino que as perspectivas podem ser positivas. Nesse sentido e considerando que o final de ano é a época de se fazer previsões, aproveito para jogar meus tarôs e apostar numa melhoria significativa da balança comercial de lácteos para o ano 2003. Uma boa aposta talvez fosse um valor de US$ 200 milhões para as importações e 100 milhões para as exportações, o que representaria um saldo negativo de "apenas" US$ 100 milhões para o país.

Apenas para esmiuçar um pouco mais as estatísticas da nossa balança comercial de lácteos, eu gostaria de destacar que o principal produto por nós importado é o leite em pó, que representará praticamente 70% dos gastos com importação de lácteos neste ano ou 56% do volume total de lácteos importados. Mas é curioso observar que no ano passado estes números foram bem menos significativos, representando cerca de 61% do valor ou 38% do volume das importações (ver tabela e gráfico 3). E esse é um fenômeno inversamente proporcional ao soro de leite, cujos valores foram altos em 2001 e tenderam a baixar em 2002. Parece que algo se passou com o soro de leite no ano de 2001...

Um outro aspecto que me despertou a atenção foi o valor médio da tonelada de lácteos importada e exportada ao longo dos últimos 3 anos. Para os lácteos importados tivemos um valor médio de US$ 1,2, US$ 1,3 e US$ 1,2 mil/ton para os anos 2000, 2001 e 2002, respectivamente. Já as exportações brasileiras de lácteos valeram respectivamente US$ 1,6 , US$ 1,3 e US$ 1,2 mil/ton para os anos 2000, 2001 e 2002. Isso significa que proporcionalmente as nossas exportações geram uma receita decrescente por unidade exportada. No entanto, para que se possa chegar a uma conclusão mais precisa, seria necessária uma análise mais detalhada da questão.

Em resumo, podemos dizer que apesar do repique das exportações, o cenário da nossa balança comercial de lácteos é promissora, embora o processo para a chegada auto-suficiência e posteriormente a um saldo líquido positivo da balança comercial seja provavelmente lento. Além disso, cabe destacar que a constante vigilância das relações comerciais é fundamental, tentando-se coibir ao máximo as práticas de dumping, triangulações, artimanhas comerciais irregulares. Podemos destacar, por exemplo, neste ano, o benefício do aumento da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para o Soro de Leite, que passou de 15,5% para 27% em meados deste ano e desta forma coibiu a aceleração que vinha ocorrendo nas importações desse produto.

Tabela 01: Balança Comercial do Setor de Lácteos ( milhões US$)





Tabela 02: Balança Comercial do Setor de Lácteos ( mil toneladas)





Tabela 3: Participação do Leite em Pó e Soro de Leite nas importações brasileiras (milhões US$)



Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

Material escrito por:

Luis Fernando Laranja da Fonseca

Luis Fernando Laranja da Fonseca

Acessar todos os materiais

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

René Dubois
RENÉ DUBOIS

OUTRO - DISTRITO FEDERAL

EM 23/12/2002

Quero cumprimentar o colega veterinário Luiz Fernando pelo artigo. Urge uma reformulação da política do leite no Brasil, para inverter o quadro negativo da balança comercial de lácteos.

Um Feliz Natal para toda a equipe do MilkPoint.
René Dubois


Qual a sua dúvida hoje?