No mês de novembro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o saldo registrado para balança comercial de lácteos foi de -199 milhões de litros em equivalente-leite, em linha com o observado no mês de outubro. Mesmo com acréscimo das exportações, as importações também apresentaram pequeno avanço, mantendo o déficit elevado na balança comercial, conforme pode-se observar no gráfico 1.
Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.
Exportações em Novembro
As exportações de lácteos alcançaram 4,79 milhões de litros em equivalente-leite, representando um crescimento de 7,9% em relação a outubro. No entanto, o volume exportado segue modesto frente às importações.
Gráfico 2. Exportações em equivalente-leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT.
Entre os produtos exportados, a manteiga se destacou, com 203 toneladas, registrando um aumento percentual expressivo de 111% em relação ao mês anterior. Os elevados preços no mercado internacional têm gerado algumas oportunidades de exportações para essa categoria.
Por outro lado, outras categorias registraram queda nos volumes exportados, como o soro de leite (-32%) e o leite condensado (-12%). Já os cremes de leite apresentaram crescimento de 19%, atingindo 706 toneladas.
Importações em Novembro
As importações totalizaram 204,3 milhões de litros em equivalente-leite em novembro, registrando uma leve alta de 0,5% em relação a outubro. Quando comparadas ao mesmo mês do ano anterior, o aumento foi de 3,2%. Esse patamar elevado de volume internalizado no último mês ainda reflete um cenário de negociações ocorridas há cerca de 2-3 meses, quando a demanda interna estava mais aquecida, com preços em alta no mercado brasileiro e alta competitividade do produto importado.
Gráfico 3. Importações em equivalente-leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT.
Entre os produtos importados, o leite em pó integral segue sendo o maior volume, com cerca de 13 mil toneladas importadas, um aumento de 2% em relação ao mês anterior. Os queijos, por sua vez, apresentaram um leve recuo de 1%, totalizando 6,7 mil toneladas, mas permanecendo em níveis historicamente elevados.
Cabe destacar que novembro teve três dias úteis a menos que outubro, limitando crescimentos maiores do volume total do mês, apesar de ter apresentado aumento significativo na média diária por dia útil.
Dados para as diferentes categorias
Abaixo, pode-se observar o equilíbrio entre importações e exportações para as principais categorias de lácteos nos últimos 2 meses.
Tabela 1. Balança comercial de lácteos em novembro de 2024.
Tabela 2. Balança comercial de lácteos em outubro de 2024.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
O que esperar dos próximos meses?
Para os próximos meses, a expectativa é de que os volumes importados permaneçam em patamares elevados, mas com tendência de redução gradual. O mercado internacional segue evidenciados preços altos, como observado no leilão Global Dairy Trade (GDT), aumentando a competição entre outros mercados pelo leite do Mercosul. Além disso, o dólar acima de R$6,00 tende a atuar como um limitador para as importações brasileiras.
Somada a menor competitividade de preços, a oferta sazonalmente menor da Argentina e do Uruguai tende a influenciar negativamente a disponibilidade para o mercado brasileiro, enquanto no Brasil a oferta interna tem crescido, pressionando os preços domésticos para algumas categorias importantes, como temos observado para o Leite UHT e Queijos.