GDT 369°: preço do leite em pó segue em alta no mercado internacional

O preço médio dos produtos negociados apresentou novo aumento no 369º leilão de lácteos da plataforma GDT. Confira!

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 7

O preço médio dos produtos negociados apresentou novo aumento no 369º leilão de lácteos da plataforma GDT, realizado no dia 03/12. O GDT Price Index (média ponderada dos produtos) passou por uma valorização de 1,2%, atingindo USD 4.193/tonelada – o maior valor desde julho de 2022.

Gráfico 1. Preço médio leilão GDT.

Preço médio leilão GDT

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2024.

Apesar de um cenário de alta no preço médio do leilão, diversas categorias apresentaram retração nos preços. Nesse cenário, a única valorização percentual ficou novamente para a categoria do leite em pó integral, que obteve uma valorização de 4,1% no preço médio, sendo negociado na média de US$ 3.984/tonelada – renovando o valor máximo dos últimos 2 anos. Por outro lado, a maior retração, ficou com a categoria da manteiga, com uma queda de 5,2%, fechando com preço médio de US$6.680/tonelada.

A muçarela registrou uma queda de 4,5%, sendo negociada a uma média de US$ 4.120 por tonelada, enquanto o leite em pó desnatado, que também apresentou retração nos preços, teve uma desvalorização de 1,0%, fechando a US$ 2.848 por tonelada. Além disso, o queijo cheddar sofreu uma nova desvalorização de 3,2%, alcançando a média de US$ 4.689 por tonelada.

Confira na Tabela 1 o preço médio dos derivados após a finalização do evento e a variação em relação ao evento anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 03/12/2024.

Produto

Preço (tonelada)

Variação

Leite em pó integral

 US$ 3.984

+4,1%

Leite em pó desnatado

 US$ 2.848

-1,0%

Cheddar

 US$ 4.689

-3,2%

Manteiga

 US$ 6.680

-5,2%

Mozzarela

 US$ 4.120

-4,5%

Índice GDT

US$ 4.193

+1,2%

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2024.

No primeiro leilão do mês de dezembro, o volume negociado apresentou queda, colaborando para as altas dos preços do leite em pó integral. Com um total de 33.630 toneladas sendo negociadas, houve uma retração de 7,7% em relação ao volume negociado no evento anterior, como mostra o gráfico 2.

Gráfico 2. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2024.

Além da redução na oferta durante o leilão, que serviu como um dos principais fatores de suporte para a elevação dos preços, a demanda mais firme, especialmente neste período, tem desempenhado um papel crucial na valorização de diversas categorias. Esse cenário é particularmente evidente no caso do leite em pó integral, cujo mercado se beneficiou tanto do ajuste na oferta quanto do interesse crescente dos compradores.

Nos últimos eventos, tínhamos observado uma atuação mais forte das compras da região do Norte da Ásia (que contempla a China) refletindo nas altas dos preços. Já neste último leilão, o destaque de crescimento ficou com as compras da África (região que contempla a Argélia, um dos principais compradores de lácteos do mundo).

No mercado futuro de leite em pó integral na Bolsa de Valores da Nova Zelândia, os contratos atuais também apontam para um aumento nos preços em relação aos valores registrados anteriormente para contratos com vencimentos nos mesmos períodos. Conforme mostrado no gráfico 3.

Gráfico 3. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures).

Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures).

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2024.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

Vale destacar que o Brasil importa produtos lácteos principalmente da Argentina e do Uruguai, países que historicamente praticam preços acima do Global Dairy Trade (GDT), em grande parte devido à Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, que impõe tarifas de quase 30% sobre importações de fora do bloco.

Os preços mais altos no mercado internacional têm diminuído a diferença de competitividade entre os produtos do Mercosul e os de outros grandes exportadores globais, fazendo com que os lácteos da Argentina e do Uruguai se tornem mais atraentes para esses países importadores.

Nesse sentido, a região da África, especialmente se tratando de países como a Argélia, é uma importante compradora de lácteos do Mercosul e tem demonstrado um apetite mais forte de compras recentemente – o que pode intensificar ainda mais a competição com o Brasil pelas compras do Mercosul.

Além disso, a taxa de câmbio R$/dólar tem atingido as suas máximas históricas recentemente, reduzindo o poder de compra dos importadores brasileiros.

Nesse cenário, as atuais condições sugerem uma possível redução no volume importado nos próximos meses, à medida que os efeitos da taxa de câmbio e da competitividade internacional se intensificam.

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 7

Material escrito por:

Henrique Coelho Caldari

Henrique Coelho Caldari

Acessar todos os materiais

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?