Após ficar em estabilidade em setembro, o volume total de importações de lácteos voltou a crescer em outubro, influenciado pelo maior de número de dias úteis no último mês. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o saldo registrado no mês de outubro (exportações – importações) chegou a -199 milhões de litros em equivalente-leite, registrando uma queda mensal de cerca de 22 milhões de litros em relação a setembro, conforme pode ser observado no gráfico 1.
Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT.
As exportações de lácteos seguiram em baixos patamares e apresentaram recuo no último mês. Com 4,4 milhões de litros em equivalente-leite exportados em outubro, a queda mensal foi de 10,3%, mantendo um patamar semelhante ao observado durante o ano para as exportações brasileiras, conforme mostra o gráfico 2.
Gráfico 2. Exportações em equivalente-leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT.
As importações de outubro apresentaram aumento mensal. Ao todo, foram importados cerca 203,3 milhões de litros em equivalente leite, registrando um avanço de 11,6% em relação ao mês anterior, como mostra o gráfico 3. Dessa forma, as importações de lácteos ainda se mantém em um patamar considerado elevado.
Gráfico 3. Importações em equivalente-leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT.
Em relação às categorias exportadas no último mês, as maiores variações percentuais mensais de volume foram apresentadas pelas categorias de soro de leite, que teve aumento de cerca de 240 toneladas (+41%) e fechou o mês com volume exportado de 833 toneladas em outubro; além da categoria de leite em pó integral, que aumentou seu volume no mês em 28 toneladas e fechou outubro com cerca de 40 toneladas exportadas.
Pelo lado das importações, o principal destaque ficou com o grupo dos queijos, que atingiram a sua máxima histórica, com um total de 6.764 toneladas importadas durante o mês de outubro, um crescimento de 14% frente ao mês anterior. Além disso, a categoria do leite em pó integral, voltou a avançar no mês de outubro, com um total de 12.802 toneladas, o produto teve um crescimento de cerca de 2.180 toneladas (+21%) em relação ao mês de setembro.
As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de setembro e outubro de 2024.
Tabela 1. Balança comercial de lácteos em outubro de 2024
Tabela 2. Balança comercial de lácteos em setembro de 2024
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
O que podemos esperar para os próximos meses?
Apesar do aumento nos preços registrados durante o mês de setembro no leilão Global Dairy Trade (GDT), o maior leilão internacional de lácteos, que pressionou as cotações de produtos lácteos no Mercosul, alguns itens importados, como o leite em pó integral e a muçarela, continuaram a mostrar-se mais competitivos em relação aos produtos nacionais. A manutenção dessa competitividade de preços é um dos fatores centrais que impulsionam as importações brasileiras, oferecendo aos compradores alternativas economicamente vantajosas frente ao mercado doméstico.
Contudo, um novo fator começou a influenciar a dinâmica regional: o aumento das exportações argentinas e uruguaias para mercados fora do Mercosul, impulsionado pela maior demanda de novos compradores asiáticos e africanos. Esse redirecionamento das exportações tem ganhado força nos últimos meses, e levanta preocupações para os compradores sobre a futura disponibilidade de produtos lácteos do Mercosul para o mercado brasileiro, podendo representar um fator limitante nas importações.
Diante desse cenário, espera-se que as importações ainda sigam em patamares elevados, mas que passam por pequenas diminuições nos próximos meses.