Preços despencando?
Despencando é o que se pode dizer dos preços pagos aos produtores de leite e, especialmente, os valores do mercado "spot" de julho. Aos produtores, julho é o mês que se paga pelo leite produzido em junho.
Despencando é o que se pode dizer dos preços pagos aos produtores de leite e, especialmente, os valores do mercado "spot" de julho. Aos produtores, julho é o mês que se paga pelo leite produzido em junho.
No início de junho, neste mesmo espaço, a Scot Consultoria chamava a atenção para a possibilidade dos preços recuarem, antecipadamente no ano de 2005. Em julho, a confirmação: a produção do mês de junho deverá valer menos quando comparada ao preço pago pela produção de maio.
A primeira metade do ano de 2005 já se foi. Nela, a notícia mais freqüente sobre o agronegócio é que havia chegado o tempo das vacas magras. Produtores de soja, milho, carne, algodão, enfim, todos os segmentos reclamaram de perda de competitividade. O leite foi diferente. E agora, o que esperar do segundo semestre?
Atendendo sugestão de leitores, a Scot Consultoria analisou os preços do leite em períodos mais longos. Porém, pela disponibilidade de informações mais confiáveis do mercado, a análise contemplou apenas os preços praticados no Estado de São Paulo, haja visto que a Scot Consultoria começou a analisar o mercado leiteiro apenas a partir de março de 1998. Embora existam diferenças entres os preços de São Paulo e os de outros Estados, a tendência de valores é a mesma.
Ainda na primeira quinzena de maio, informações sobre queda nos preços no mercado "spot" começaram a surgir. Queda no mercado "spot" preocupa especialmente as cooperativas e empresas menores que dependem deste mercado.
Os preços pagos em abril pelo leite produzido em março aumentaram no país. Saiba mais.
Todo produtor de leite deve ter o seu olhar em três dimensões: a sua propriedade, os mercados de insumo e de produto e o Governo.
O mercado de leite de março comprova o momento de elevação nos valores. Na média geral do país, os preços pagos em março, pela produção de fevereiro, aumentaram 1,96% em valores nominais.
Inegavelmente, 2004 foi um ano histórico para o leite brasileiro. Os preços recebidos se mantiveram muito estimulantes aos produtores e passamos a ser exportadores líquidos de leite. Para 2005 há um ar de otimismo envolvendo a todos. Será que é justificável?
Recentemente, em artigo publicado na Revista Agroanalysis, editada pela FGV, a Scot Consultoria fez um balanço resumido dos fatos da década de 90 e das perspectivas para 2005. Com base neste estudo, e nos recentes debates sobre custos de produção da pecuária leiteira, optou-se por adaptar o estudo dando ênfase à forma com que o produtor vem lidando com a crise vivida nos últimos quase 15 anos.
Já no pagamento de fevereiro os preços do leite foram reajustados. Em média, ficaram 1,44% mais altos. Atualmente, o preço médio do leite brasileiro é R$0,529/litro, o que equivale a US$0,203/litro. Observe, na figura 1, os preços do leite em todo o país.
Acredite! O órgão do Governo mais presente na sua vida é o IBGE. Suas estatísticas definem o quanto dos impostos retorna ao seu município, o percentual de reajuste de contratos e é parâmetro para o Banco Central, na definição de política de câmbio e taxa de juros. Uma das tarefas do IBGE é calcular a inflação. Afinal, com base no IBGE, os preços de leite e derivados ganharam ou perderam do Custo de Vida nos últimos doze meses?
Mesmo com a crise provocada pela Central Leite Nilza, oriunda das dificuldades em pagar fornecedores e funcionários, fato que tomou conta do noticiário no início deste ano, o mercado esteve praticamente estável. Os preços do leite apresentaram um leve recuo, mais relacionado a um ajuste entre os compradores, do que a uma tendência de mercado. Em média, os preços variaram negativamente 0,5%, menos de um centavo por litro (R$0,01/litro).
Em dezembro de 2004, neste mesmo espaço, a Scot Consultoria divulgou um artigo apontando custos de produção do leite em torno de R$0,54/litro para uma empresa de 4,8 mil litros de leite por dia, com eficiência de 16 mil litros de leite/ha/ano.
É isso aí, totalmente contrário ao clima do início de 2004, o setor leiteiro entrará em 2005 com perspectivas semelhantes às do início de 2003, dois anos atrás.
Meu pai me induziu a torcer para o Botafogo. Ele estava certo. No final dos anos sessenta, quando eu descobria que o mundo era mais que o meu lar e minha família, o Botafogo era um belo time. Também fiz o mesmo com o meu filho: induzi-o a ser botafoguense. Agi mal!
Comparando os preços em reais deflacionados pelo IGP-DI, neste final de 2004 os preços estão 2,5% menores comparados aos de 2003.
O mercado de leite chega ao último mês de 2004 num cenário de perspectiva mais favorável em relação a 2003.
O IBGE divulgou na última semana de novembro os dados relativos à produção brasileira de leite, em 2003. Crescemos 2,82%, mais que o crescimento da população. Entre 1990 e 2003, a taxa de crescimento da produção de leite foi de 4,39% ao ano, e entre 2000 e 2003, foi de 1,19% ao ano. Mas, de que regiões deste imenso Brasil está vindo o nosso leite de cada dia?
Ao longo de 2003, o Brasil dispendeu US$ 112,3 milhões com importações de produtos lácteos e exportou US$ 48,5 milhões.
Os preços pagos pelo leite, em outubro, recuaram dentro dos níveis que eram esperados pelo setor. A média geral ficou em R$0,5399/litro, valor 2,76% inferior ao praticado em setembro.
O pagamento aos produtores de leite, pela produção de setembro, já deve vir com preços menores. Na maior parte das regiões, os preços médios deverão ficar entre R$0,01 a R$0,02/litro mais baixos. Em pesquisa realizada pela Scot Consultoria, mais de 60% dos entrevistados acreditam nesta queda.
Um editorial recente deste site abordou as implicações sobre o consumo de lácteos no mercado brasileiro, em função da nova pirâmide etária de nossa população. O número de brasileiros está crescendo a taxas menores, o que poderá implicar em redução da taxa de crescimento do consumo de leite e derivados, se a renda per capita não crescer. E no mercado internacional, o que se pode esperar?
Há tempos se diz que a classificação entre leite tipo "B" e leite tipo "C" estaria em extinção. De fato, diante das atuais exigências de mercado e, com mais fazendas investindo para atender os requisitos de qualidade, essa classificação já não atenderia a realidade presente.