Resultados: Dá para animar?

Comparando os preços em reais deflacionados pelo IGP-DI, neste final de 2004 os preços estão 2,5% menores comparados aos de 2003.

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Comparando os preços em reais deflacionados pelo IGP-DI, neste final de 2004 os preços estão 2,5% menores comparados aos de 2003.

Os resultados em 2004 são semelhantes aos obtidos em 2003.

Acompanhamento de custos de produção, realizado pela Scot Consultoria, confirma que os custos reduziram-se, em valores reais, nas mesmas proporções que os preços, permitindo resultados foram semelhantes.

Observe, na tabela 1, a composição de custos e resultados de uma fazenda de 4,8 mil litros de leite por dia com eficiência de 16 mil litros por hectare por ano.

Tabela 1: Composição dos custos de produção do leite para uma empresa de 4,8 mil litros de leite por dia e 16 mil litros de leite por hectare/ano - 2004
 


Vale lembrar que produtores com maiores volumes de produção trabalham com preços melhores em relação ao valor médio.

Com resultados semelhantes aos de 2003, até melhores em muitos casos, e 2005 com melhores perspectivas para o mercado, os produtores poderiam estar comemorando não fossem os preços dos fertilizantes.

Em recente artigo, neste mesmo espaço, - Os meses de chuva e o preparo para 2005 observamos que os preços dos fertilizantes aumentaram 20% em 2004, comparados a 2003. O impacto deste aumento ocorre no último trimestre do ano, época em que geralmente são comprados os fertilizantes.

Não restam dúvidas que haverá impacto no custo de produção de volumosos em o 2005, uma má notícia para o produtor de leite.

No entanto, a tendência de baixa para o farelo de soja deve contrapor estas perdas, como ocorreu em 2004.

Mas é no mercado do leite que as expectativas são melhores. Até o presente momento, não houve reduções bruscas nos preços e a tendência é que assim continue se comportando.

Acredita-se que os preços pagos aos produtores devam recuar em média R$0,01/litro. Há quem aposte em estabilidade para dezembro. Tudo dependerá do mercado varejista. Vale lembrar que novembro fechou com os preços do longa vida estáveis no atacado e em baixa no varejo. Se essa pressão do varejo se reverter no atacado, o produtor sofrerá o impacto final, como sempre ocorre.

No entanto, será preciso avaliar o mercado nas próximas duas semanas para que seja possível desenhar um cenário mais confiável.

Com relação à rentabilidade, a empresa cujos custos estão apresentados na tabela 1, obteve 4,3%.

Para 2005, em termos de custos de produção, espera-se um recuo nos custos de oportunidade nas regiões de produção de grãos. A redução dos resultados esperados para a soja deverá refletir em queda no valor dos arrendamentos e no valor da terra nestas regiões específicas.

Para quem produz em regiões canavieiras, o mercado de terra e de arrendamento continuará aquecido. Aliás, a tendência é de procura por terra para plantar cana. As perspectivas para a produção de álcool são boas tanto no mercado interno como no externo.

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Material escrito por:

Maurício Palma Nogueira

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Marcello de Moura Campos Filho
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/12/2004

Caro Maurício


Peço que caracterize os custos classificados respectivamente em Custo fixo, Custo variável, custo operacional, custo econômico.

Abraço


Marcello de Moura Campos Filho

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Marcello,

Adotamos como critério, em nossas análises, o seguinte conceito:

Custos fixos: Todas as depreciações apenas, incluindo depreciações de vacas e pastagens.

Custos Variáveis: Incluem todos os desembolsos ao longo do ano, o custeio. Estão separados em indiretos e diretos. Mesmo a mão de obra e a administração, que a maior parte dos economistas classifica como custos fixos, preferimos o critério de conceituar como custos variáveis indiretos.

Custo operacional: É a soma dos custos fixos e dos custos variáveis, diretos e indiretos. Em outras palavras é o custo em que a produção possa ser mantida sem sucateamento dos bens de capital.

Custo econômico: É a soma do custo operacional com o custo do capital empregado na atividade. Nos último anos, temos considerado o custo do capital em 6%, ao ano, pelo fato de que as remunerações com arrendamentos de terra para terceiros estejam girando em torno destes valores sobre o valor da terra. Há quem não adote o custo de capital, há quem considere 3% e há quem considere valores reais de mercado, acima dos 12%. Depende do critério, esse ponto é bem polêmico.

Ao adotar tais critérios, a equipe da Scot Consultoria compilou diversas metodologias adotadas por vários pesquisadores. Em atuação com produtores, os mais interessados nessas informações, observou-se que estes métodos eram os mais eficazes em garantir a compreensão do conceito de custos. Sendo assim, passamos a padronizar em nossas análises.

Quando atuamos com alguma empresa, utilizamos a composição metodológica que melhor atenda o cliente, não forçando-o a adotar a nossa. Na verdade, o interessante é que o acompanhamento de custos permita ao empresário informações fiéis e possibilidade de decisões eficazes e rápidas.

Qual a sua dúvida hoje?