O racionamento de energia elétrica causou uma retração de 5% nas vendas de derivados lácteos em junho no Paraná, embora o Estado não esteja incluído no mesmo. Segundo Wilson Thiesen, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindileite), a tendência deve permanecer no mês de julho, fazendo com que as empresas do setor, para evitar maiores perdas, busquem ampliar o mercado com produtos alternativos. A estimativa é que o refluxo no faturamento também fique em torno dos 5%.
Segundo Elias Zydek, diretor executivo da Cooperativa Central Agropecuária Sudoeste (Sudcoop), em Medianeira (PR), fabricante da marca Frimesa, se a empresa não ampliar sua área de venda, adaptando-se à situação, será difícil contornar a queda nas vendas verificadas principalmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, situados nas regiões de risco dos "apagões". A Sudcoop, cujo faturamento no ano passado foi de R$ 265 milhões, estima ampliar esse valor em 9,4% em 2001, passando para R$ 290 milhões. Porém, diante do cenário atual e para não precisar refazer seus planos financeiros, a empresa está tendo que adaptar-se, através da ampliação de suas vendas. "A previsão é que, até o final do ano, lancemos 14 novos itens de derivados de leite."
No ano passado, foram produzidos aproximadamente 20 bilhões de litros de leite no Brasil. O Paraná, quinto maior produtor, respondeu por 10%, com 2 bilhões de litros, ordenhados de um rebanho de cerca de 1,3 milhão de cabeças.
Preço do leite
Zydek afirmou que a redução no consumo, causado pela crise energética, pode estar contribuindo nos preços do leite. Isso porque a redução de 45% nas importações de lácteos argentinos deveria ter provocado um reflexo no mercado nacional de lácteos.
Na semana passada, o preço médio pago pelo leite no Paraná era de R$ 0,32, o mesmo valor de um ano atrás. "A perspectiva era de que, em junho, os preços já tivessem sido corrigidos, mas não foram, e ainda existe esperança", disse Francisco Perez Júnior, veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab).
Segundo Perez Júnior, além da manutenção da produtividade e da queda nas vendas de derivados, o crescimento da pecuária leiteira é outro motivo que está impedindo as mudanças esperadas no preço do leite. O Deral informou que a atividade leiteira vem crescendo a uma média de 6% no Paraná nos últimos cinco anos, sendo que o País depende apenas de 10% do mercado externo. "Se o Estado dobrar sua produção, já suprirá esta necessidade." Além disso, estados como Minas Gerais, Goiás e Rondônia estão ampliando suas áreas de produção leiteira.
Buscando alternativas
Devido à queda na venda de derivados lácteos, vários laticínios do Paraná estão procurando a Cooperativa Central Agroindustrial (Confepar), em Londrina (PR), única empresa a fabricar leite em pó no Estado. Segundo Gilson Rosa, gerente comercial da Confepar, essas empresas poderiam lucrar estocando leite em pó, que tem validade de um ano, ao invés de serem obrigadas a armazenar outros produtos.
Porém, a cooperativa, que tem capacidade para processar 400 mil litros de leite por dia, obtendo de 37 a 38 toneladas de pó, e que no ano passado enfrentou dificuldades porque sempre mantinha a metade de ociosidade, já opera com plena capacidade, e não está podendo aceitar esse trabalho. A Confepar vende leite em pó com marca própria, além de fabricar leite para outras empresas, como a Danone e a Mococa. A diretoria da cooperativa está analisando a possibilidade de implantação de outra torre para secagem do leite, com capacidade para ampliar em 50% o processo, devido ao aumento da demanda. A Confepar faturou no ano passado R$ 74 milhões e estima aumentar este valor em pelo menos 10%.
fonte: Gazeta Mercantil (por José Marinho), adaptado por Equipe MilkPoint
Vendas de derivados lácteos apresentam retração de 5% no Paraná
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