Devido à crise energética pela qual o País está passando, os consumidores diminuíram a compra de produtos refrigerados, entre eles, leite e derivados. Desta forma, as cooperativas do Vale do Paraíba estão enfrentando um problema atípico para a época de entressafra: excedente na produção leiteira. Normalmente nesta época, devido à seca, a produção de leite é reduzida.
Segundo Nicola Di Angelis, presidente da Cooperativa de Laticínios do Médio Vale do Paraíba (Comevap), o consumidor deixou de comprar produtos refrigerados, o que provocou queda de 40% nas vendas no comércio. A Compevap, maior cooperativa de laticínios da região, com produção de 145 mil litros de leite por dia, que reúne 900 produtores, está atuando com excedente - cerca de 30 mil litros de leite diários - desde o início do racionamento de energia. Esse produto é usado na elaboração de leite em pó, destinado principalmente à indústria de alimentos, e de leite longa vida, revertendo, desta forma, os possíveis prejuízos ao setor.
Na Cooperativa de Laticínios de Cachoeira Paulista (Colacap), o leite excedente neste período de entressafra já chega próximo a 15%. No ano passado, a situação teve início a partir de outubro, quando geralmente a produção volta a crescer em razão da época das águas. Segundo Afrânio Ferreira Reis, gerente da cooperativa, além do racionamento de energia, outros dois fatores contribuíram para o atual quadro: a melhor preparação de alguns produtores para enfrentar o período de estiagem e evitar grandes quebras na produção e a própria queda no consumo nacional, gerada pela perda no poder aquisitivo.
Em Jacareí (SP), a Cooperativa de Laticínios Alto Paraíba (Colap) - que possui 300 cooperados e produz uma média de 30 mil litros de leite por dia - já registra um excedente de 10% na produção nesta entressafra. Sendo assim, os esforços estão concentrados em colocar no mercado o maior volume possível de leite pasteurizado, já que o excedente é vendido para a indústria para produção do longa vida. "Isso significa que acabamos por atender a própria concorrência", disse o assistente da diretoria José Jairo Constâncio.
Segundo Constâncio, a compra de leite pasteurizado foi, em parte, substituída pela de leite longa vida, devido ao maior prazo de validade deste produto. A questão foi registrada principalmente no comércio, onde alguns estabelecimentos restringiram o uso de refrigeradores para poupar energia. Além disso, o assistente destaca o inverno pouco rigoroso que possibilitou que a produção fosse mantida. A situação pode ter beneficiado o consumidor que registrou preços equilibrados, numa época em que a escassez valoriza o produto.
fonte: Gazeta Mercantil, adaptado por Equipe MilkPoint
Vale do Paraíba registra produção excedente de leite na entressafra
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