USDA: relatório mostra incertezas do mercado lácteo

No último relatório semestral do Departamento de Agricultura do Estados Unidos (USDA), divulgado em dezembro passado, foram divulgados os dados oficiais da produção leiteira de 2007, os dados preliminares da produção de 2008 e a previsão para a produção em 2009. De acordo com a análise do relatório, há fários fatores afetando negativamente o mercado de lácteos.

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No último relatório semestral do Departamento de Agricultura do Estados Unidos (USDA), divulgado em dezembro passado, foram divulgados os dados oficiais da produção leiteira de 2007, os dados preliminares da produção de 2008 e a previsão para a produção em 2009.

De acordo com a análise do relatório, há vários fatores afetando negativamente o mercado de lácteos. O aumento dos preços dos lácteos - ocorrido no último ano - e o surgimento de uma crise financeira, afetaram a demanda dos importadores. Na Ásia, a contaminação dos produtos lácteos por melamina na China gerou desconfiança nos consumidores. Do lado da produção, o aumento na Nova Zelândia e, em menor proporção, na Austrália, indicam a disponibilidade de estoques para exportação.

Atualmente, os compradores enfrentam incertezas quanto às condições do mercado doméstico e têm cortado drasticamente as importações, com compras pontuais para suprir as necessidades imediatas. Consequentemente, é provável que os preços permaneçam fracos até que sinais visíveis de recuperação econômica sejam vistos.

O leite em pó desnatado (SMP), que chegou a ser comercializado a preços superiores a US$ 5.000/t em meados de 2007, já pode ser comprado por menos de US$ 2.000/t - um declínio surpreendente de mais de 60% em menos de um ano. Contudo, o declínio dos preços, segundo o relatório, não é surpreendente. No final de 2007 já havia sinais de fraqueza no mercado de lácteos, mas como a gravidade da seca na Nova Zelândia tornou-se evidente apenas no final de 2007, os preços dos lácteos mantiveram-se reforçados no início de 2008.

Impulsionada pela alta dos preços, tornou-se evidente que a produção mundial de leite em 2008 teria expressivo aumento. Considerando que os dados de produção em 2008 ainda são preliminares, nos Estados Unidos a previsão é de um aumento de 1% para 2009. Na Nova Zelândia, está previsto um aumento de 8% na produção de leite para a temporada 2008/09. A produção leiteira australiana deverá crescer 2%. Na União Européia, a produção de leite deve crescer ao redor de 1%, embora haja estoque substancial de manteiga e SMP pesando sobre o mercado.

Tabela 1. Produção prevista para os maiores produtores de leite em 2009 (mil toneladas).

Figura 1

As perspectivas para o mercado leiteiro em 2009 em grande parte dependem da saúde financeira das grandes economias. Atualmente, as perspectivas não são favoráveis para os Estados Unidos, UE, Japão; devido a isso, acredita-se que seja uma recessão que provavelmente afetará as taxas de consumo de produtos lácteos.

Sobre o Brasil, o relatório cita que durante os últimos anos, o Brasil, antes considerado um importador líquido, está começando a se tornar um concorrente particularmente notável em mercado de leite em pó integral. A produção de leite no Brasil vem expandindo a uma média de mais de 6% ao ano durante o período de 2006-2008 e está previsto crescimento de 5% em 2009. Um aumento nas exportações também é esperado para 2009, resultante de uma maior desvalorização da moeda brasileira, gerando competitividade.

Comentário MilkPoint: a previsão de aumento de 5% não é o que esperamos. Se o crescimento for de 1,5% a 2,0%, já será bastante razoável.


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Domingos Rogério Donadel
DOMINGOS ROGÉRIO DONADEL

SÃO MIGUEL DO OESTE - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 26/01/2009

Concordo com o colega Sebastião Poubel de que a única maneira de regular a questão da oferta de leite é estabelecer contratos entre produtores e indústrias, definindo volumes de leite a serem fornecidos ao longo do período.

Como a genética da vaca permite na média nacional uma produtividade bem superior a efetivamente verificada, em temporadas de preços bons ou de facilidade de produção, é comum os aventureiros melhorarem a alimentação da vaca, com respostas imediata no volume de produção e desequilibrando a relação entre oferta e procura, levando a curto prazo a queda de preços e prejudicando a todos que se dedicam à produção de leite, sejam profissionais ou aventureiros.

Contratos de produção, viriam a assegurar mercado aos profissionais, bem como eliminaria os aventureiros. A pergunta é: será que isto interessa aos demais segmentos da cadeia produtiva do leite?

Abraços,
Domingos Rogério Donadel
Sebastião poubel
SEBASTIÃO POUBEL

NATIVIDADE - RIO DE JANEIRO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 22/01/2009

Boa noite.
Quando me coloco diante de um artigo como este, que nos coloca como potencial exportador de leite, fico cada vez mais confiante na idéia de cotas individuais para o verdadeiro produtor. Independente da produção, acho que produtor é aquele que investe no seu produto, acompanha a sua produção, possui tecnologia, busca conhecimentos, e preferencialmente, viva dele.

É muito difícil conviver com oportunistas safristas. Estes não investem em nada, aproveitam a ponta do capim, e ainda riem de nós. Criam um bezerro bem criado e ainda atrapalham todo o mercado, trazendo a nossa média para a vergonhosa marca de 1500 litros vaca ano. Acho que os laticínios e as cooperativas deveriam ter um sistema de cotas para moralizar o mercado. Receberiam na safra somente 10% a mais que a produção da entresafra. Será que estou falando besteira? Se estou, me desculpem os safristas e os que tiram leite na oportunidade.

Saudações a todos os leitores.

Sebastião Poubel
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