De acordo com a análise do relatório, há vários fatores afetando negativamente o mercado de lácteos. O aumento dos preços dos lácteos - ocorrido no último ano - e o surgimento de uma crise financeira, afetaram a demanda dos importadores. Na Ásia, a contaminação dos produtos lácteos por melamina na China gerou desconfiança nos consumidores. Do lado da produção, o aumento na Nova Zelândia e, em menor proporção, na Austrália, indicam a disponibilidade de estoques para exportação.
Atualmente, os compradores enfrentam incertezas quanto às condições do mercado doméstico e têm cortado drasticamente as importações, com compras pontuais para suprir as necessidades imediatas. Consequentemente, é provável que os preços permaneçam fracos até que sinais visíveis de recuperação econômica sejam vistos.
O leite em pó desnatado (SMP), que chegou a ser comercializado a preços superiores a US$ 5.000/t em meados de 2007, já pode ser comprado por menos de US$ 2.000/t - um declínio surpreendente de mais de 60% em menos de um ano. Contudo, o declínio dos preços, segundo o relatório, não é surpreendente. No final de 2007 já havia sinais de fraqueza no mercado de lácteos, mas como a gravidade da seca na Nova Zelândia tornou-se evidente apenas no final de 2007, os preços dos lácteos mantiveram-se reforçados no início de 2008.
Impulsionada pela alta dos preços, tornou-se evidente que a produção mundial de leite em 2008 teria expressivo aumento. Considerando que os dados de produção em 2008 ainda são preliminares, nos Estados Unidos a previsão é de um aumento de 1% para 2009. Na Nova Zelândia, está previsto um aumento de 8% na produção de leite para a temporada 2008/09. A produção leiteira australiana deverá crescer 2%. Na União Européia, a produção de leite deve crescer ao redor de 1%, embora haja estoque substancial de manteiga e SMP pesando sobre o mercado.
Tabela 1. Produção prevista para os maiores produtores de leite em 2009 (mil toneladas).

As perspectivas para o mercado leiteiro em 2009 em grande parte dependem da saúde financeira das grandes economias. Atualmente, as perspectivas não são favoráveis para os Estados Unidos, UE, Japão; devido a isso, acredita-se que seja uma recessão que provavelmente afetará as taxas de consumo de produtos lácteos.
Sobre o Brasil, o relatório cita que durante os últimos anos, o Brasil, antes considerado um importador líquido, está começando a se tornar um concorrente particularmente notável em mercado de leite em pó integral. A produção de leite no Brasil vem expandindo a uma média de mais de 6% ao ano durante o período de 2006-2008 e está previsto crescimento de 5% em 2009. Um aumento nas exportações também é esperado para 2009, resultante de uma maior desvalorização da moeda brasileira, gerando competitividade.
Comentário MilkPoint: a previsão de aumento de 5% não é o que esperamos. Se o crescimento for de 1,5% a 2,0%, já será bastante razoável.
Equipe MilkPoint
