A necessidade de uma rápida ativação do Fundo de Fomento à Atividade Leiteira, ferramenta já estabelecida por lei, bem como as soluções para o endividamento do setor, foram os principais temas tratados no início desta semana, em San José, no Uruguai, pela Assembléia Nacional de Produtores de Leite do Uruguai.
Cerca de 200 produtores de leite uruguaios, representando entidades de produtores de todo o país, escutaram as informações transmitidas pelas comissões de trabalho criadas na última assembléia e promoveram uma árdua discussão sobre os temas. Os produtores uruguaios alegaram que os trâmites legais para a implementação do fundo estão sendo providenciados, de forma que não existem impedimentos para que ele seja rapidamente executado.
Neste contexto, os produtores de leite do Uruguai afirmaram que, caso o Fundo não seja efetivado até o dia 14 de dezembro, as entidades representantes do setor tomarão medidas de mobilização, cujas características não foram discutidas em San José, mas que deverão ser semelhantes às já postas em prática anteriormente, que chegaram a seu ponto mais alto com a distribuição de leite gratuito realizada em Montevidéu e em diversas capitais de estados.
Durante boa parte da Assembléia de San José, os produtores analisaram a atuação da Comissão Tripartite que, integrada pelo vice-secretário da Agricultura, Martín Aguirrezabala, pelo presidente da Cooperativa Nacional dos Produtores de Leite do Uruguai (Conaprole), Jorge Panizza, e pelo engenheiro Raúl Leborgne, representando os produtores, busca chegar a uma maior transparência na fixação do preço do leite. Apesar de alguns produtores terem se manifestado contra a atividade desta comissão, a maioria deles concordou que foram feitos avanços.
Os representantes das associações participantes - que incluiu o presidente da Federação Rural do Uruguai, Gonzalo Gaggero -, cuja representatividade abrange praticamente todo o país, concordaram que a tarefa das entidades agropecuárias do país deve ser compartilhada e devem ser buscadas soluções globais para a questão do endividamento do setor.
Exigência de US$ 0,11/litro
Em uma declaração, a Assembléia resolveu, em primeiro lugar, "exigir a imediata efetivação do Fundo de Fomento à Atividade Leiteira (FFAL). Caso este não seja concretizado até o dia 14 de dezembro de 2002, as entidades impulsionarão medidas de mobilização".
Em segundo lugar, também foi exigido que a "implementação do FFAL seja feita segundo o que foi acordado originalmente entre as entidades leiteiras e o Poder Executivo, não admitindo interpretações que possam prejudicar os termos combinados".
Os participantes também decidiram "reafirmar a necessidade de contar com um preço mínimo do leite industrial de US$ 0,11 por litro".
Uma nova exigência também foi apresentada: "que da Comissão Tripartite surja: a) um parâmetro de formação do preço do leite a nível industrial de maneira que os produtores possam projetar seu futuro; b) avançar na reformulação da Junta Nacional do Leite, que supõe uma representação igualitária de produtores e indústria".
Finalmente, também foi mencionado que a assembléia "respalda as gestões que as entidades agropecuárias vêm realizando em busca de soluções globais para o endividamento do setor".
Fonte: El País (por Jose Luis Alvarez), adaptado por Equipe MilkPoint
Uruguai: Produtores de leite impõem prazo para que Fundo de Fomento passe a atuar no setor
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