Uruguai: futuro incerto do setor de lácteos com a livre flutuação

Publicado por: MilkPoint

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O setor de lácteos do Uruguai poderá melhorar sua competitividade na exportação com a liberação do câmbio, mas seus resultados na atividade leiteira demorarão a aparecer. A aquisição dos benefícios deste processo é bastante complexa, uma vez que depende não somente dos custos - que estão indexados ao dólar - mas também do impacto inflacionário que possa ter esta medida, segundo destacaram os dirigentes do setor leiteiro uruguaio.

O Uruguai, no dia 20 de junho, anunciou que permitirá a livre flutuação do peso, encerrando abruptamente um sistema de bandas em razão do contágio da crise financeira da Argentina e da turbulência dos mercados do Brasil. Segundo o Invertia, a frágil economia do Uruguai, amplamente dependente de bancos, turismo e agricultura, tem sido prejudicada por uma fuga de depósitos e uma queda no gasto do consumidor este ano, devido, sobretudo, ao contágio dos quatro anos de recessão argentina. O sistema anterior do país, de desvalorização controlada, não permitiu que suas exportações mantivessem o ritmo da parceira comercial com a Argentina, onde a moeda depreciou-se mais de 70% este ano.

Neste contexto, o presidente da organização Intergremial Productores de Leche, Martín Lindholm, explicou que o setor leiteiro - que exporta mais de 60% de sua produção - poderá tentar obter agora a recuperação de mercados históricos, como o regional, já que, por sua proximidade, o volume negociado foi muito importante no passado.

Segundo Lindholm, estes mercados, que são encabeçados pelo Brasil, tinham sido perdidos pela política anterior, no que se refere à política de câmbio que era aplicada no Uruguai e pela qual o país praticamente não podia vender ao país vizinho a partir de 1999, quando este sofreu uma importante desvalorização da moeda.

"É evidente que agora o setor tem melhores possibilidades de exportação e logicamente vai dinamizar o setor leiteiro do país. No entanto, as incógnitas estão baseadas no resultado econômico que isso poderá acarretar nas empresas do país. Esta é uma análise muito mais complexa, que depende de vários fatores. Está ligada à evolução dos preços internos que determina a inflação no futuro, e também ao nível de endividamento em dólares que tem cada um dos produtores".

O dirigente explicou que mais de 65% dos custos de produção leiteira no Uruguai estão indexados ao dólar (amortização de bens de capital, juros que se pagam por créditos, além do fato de muitos insumos serem importados), aos que se deve agregar os altos juros de 10,5% que se pagam pelo endividamento agropecuário, totalmente dolarizado.

Também o setor espera a definição sobre o impacto que terá esta nova realidade cambiária nas tarifas públicas, "que nos últimos anos, aumentaram enormemente com relação ao valor de nossos produtos".

O secretário da Associação Nacional dos Produtores de Leite (ANPL), Carlos Salgueiro, disse que a liberação do dólar é uma medida que deveria ter sido tomada muito antes, acompanhando a correção que, em seu momento, aplicou "nosso maior sócio do Mercosul, o Brasil". Isso teria permitido ir assumindo, de forma gradual, o impacto que agora tem a medida sobre todo o sistema produtivo que maneja sua economia em moeda nacional. "Por isso, é muito difícil absorver a evolução dos custos, que são em dólares. Ainda assim, o setor se encontra em um momento que, por razões climáticas, sua produção passa por uma queda importante e, por isso, produz-se um período de transição de muitas dificuldades".

Salgueiro admitiu que a exportação de lácteos melhora a competitividade, mas "seus resultados demoram a chegar aos produtores e, hoje os produtores de leite têm que poder superar o período crítico da produção de inverno".

Fonte: El Observador - Uruguai e Invertia, adaptado por Equipe MilkPoint
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