A seca vem preocupando muito os produtores de leite do Uruguai, como geralmente acontece no setor agrícola. A diminuição da disponibilidade de água e comida é de tal importância que alguns, os que podiam, fecharam algumas fazendas, deslocando as vacas para campos menos castigados.
Ao mesmo tempo, em que tomam providências nas propriedades, incorrendo inevitavelmente em custos de produção mais elevados, por exemplo, comprando rações e concentrados, entre outras coisas, movimentam-se intensamente nos escritórios de Montevidéu tentando achar soluções para o problema.
Os representantes do setor se reuniram com autoridades, técnicos do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pescas (MGAP) e com o Banco da República e a Conaprole. O presidente da Sociedade de Produtores de Leite da Flórida (SPLF), Fabián Hernández, disse que houve respostas rápidas de cada uma dessas partes, tanto para marcar reuniões de trabalho quanto para considerar diferentes propostas.
Hernández, a título de exemplo, disse que teve que fechar uma fazenda familiar que administrava em Cardal, onde caiu menos de 100 mm de chuva desde a primavera, mobilizando o rebanho leiteiro para outra fazenda própria na Flórida, onde a realidade também é adversa, mas não tão séria, pelo menos por enquanto.
“Embora a situação seja desigual, afeta todos os campos, estão totalmente amarelados, estamos ficando sem comida. Por exemplo, o sorgo que é muito resistente está secando em alguns locais... a situação agora é muito preocupante também para o outono e para o inverno," explicou.
A declaração de Emergência Agrícola foi prorrogada por 90 dias, o que permitirá a novos produtores exponham a sua realidade e tenham acesso aos apoios que, acrescentou, também serão alcançados mais rapidamente após deixar alguns obstáculos burocráticos resolvidos no setor oficial. Quem tinha pedido de ajuda vai receber o dinheiro nestes dias e quem se inscrever a partir de agora vai receber também a curto prazo.
Uma proposta apresentada ao MGAP, cujas autoridades concordaram em agir prontamente, considera amortecer alguns custos tributários relacionados à compra e transporte de rações e concentrados, especialmente considerando que a partir de agora a demanda por esses produtos aumentará.
A oferta de forragem nos campos caiu drasticamente e, além disso, por vários meses continuará sendo totalmente insuficiente.
Ele acrescentou que, olhando a médio e longo prazo, "falamos muito em não só ponderar a situação, falamos em que estes cenários de secas tão intensas vão se repetir e que é preciso criar condições para podermos estar cada vez mais bem preparados, não só no setor de lácteos, mas em toda a agricultura, por exemplo, falamos da importância de ter um melhor aproveitamento dos recursos hídricos".
A situação é tão grave, referiu, “que há casos em que a falta de água não é só para usos produtivos, falta também para as pessoas”.
As informações são do El Observador, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.