Trabalhos da CPI do Leite de SC foram iniciados ontem

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Foram iniciados ontem os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Leite, instalada na Assembléia Legislativa de Santa Catarina na semana passada, com uma reunião com representantes das cooperativas e produtores. Segundo o presidente da CPI, deputado Moacir Sopelsa (PMDB), a fase inicial vai reunir subsídios para detectar a causa dos baixos preços do leite que estão sendo pagos aos produtores catarinenses.

Segundo Enori Barbieri, secretário da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), a queda do preço já era esperada em função da superoferta do produto e da redução do consumo. No entanto, ele ressalta que "a Batávia impôs uma redução maior do que no resto do País." Segundo o presidente da Copérdia, de Concórdia, Neivor Canton, o preço pago pela empresa às cooperativas, em agosto, foi de R$ 0,235. Descontado frete e contribuições sociais, o produtor recebeu de R$ 0,14 a R$ 0,22. Já aqueles ligados a outras empresas receberam de R$ 0,25 a R$ 0,29.

Barbieri questionou a diferenciação que o mercado catarinense sofre da Parmalat, sócia majoritária da Batávia. De acordo com notas fiscais entregues à CPI, a Parmalat do RS pagou R$ 0,29 pelo litro de leite fornecido por produtores de Palmitos e Itapiranga. Outro documento demonstra que a Batávia pagou de R$ 0,30 a R$ 0,33 às cooperativas do Paraná. Segundo Barbieri, as três razões alegadas pela empresa são inconsistentes: impostos - as alíquotas são iguais no Paraná e em Santa Catarina; menor volume de leite entregue na fábrica - toda a entrega é reunida e feita pela Agromilk; qualidade inferior do produto - não faz diferença porque o leite passa por esterilização.

A não definição prévia do preço ao produtor foi outra questão levantada na reunião. Segundo Barbieri, esta não é uma prática generalizada, mas afeta principalmente os produtores do Oeste do Estado, que só vão saber o quanto têm a receber 10 dias após a entrega do produto.

Nos próximos encontros serão chamados representantes das indústrias e empresas públicas ligadas à área.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Alexsandro Vanin), adaptado por Equipe MilkPoint
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