A Tetra Pak do Brasil começa a exportar tecnologia na área de reciclagem. Depois de quase seis anos de pesquisa em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, a empresa conseguiu com uma só tacada acertar dois alvos: reduzir custos de reciclagem e reduzir custos de produção com o uso de energia gerada a partir de resíduos da embalagem longa vida. A embalagem é composta de papel (75%), plástico - polietileno de baixa densidade (20%), e mais 5% de alumínio. Essa diversidade de materiais é a maior dificuldade para reciclar a caixinha.
O sistema de plasma para geração de energia, a partir de gases combustíveis liberados por resíduos de plásticos e alumínios aquecidos, desenvolvido no Brasil, será levado para outras fábricas do grupo como a do Canadá e Alemanha. Ainda neste ano, o novo sistema será instalado na fábrica de papel Klabin em Piracicaba, que vai investir US$ 4 milhões em equipamentos. A tecnologia será cedida pela fabricante das embalagens.
A nova técnica funciona, segundo o diretor de meio ambiente da Tetra Pak, Fernando Von Zuben, com os resíduos de plástico e alumínio, separados nas embalagens longa vida durante a reciclagem. Assim, todo plástico e alumínio retirados são aquecidos e os gases liberados, considerados fonte de energia limpa, usados na geração de energia. "Esse gás, semelhante ao de cozinha (GLP), substitui o óleo combustível que é poluente", diz o diretor. Além disso, a nova tecnologia vai reduzir em 20% o custo de energia da fábrica. Com as sobras de alumínio, que derretem no processo, serão produzidos lingotes do metal, para serem vendidos no mercado e o plástico derretido pode ser usado como injetado.
A Tetra Pak tem hoje duas fábricas no País, uma em Monte Mor, São Paulo e outra em Ponta Grossa, Paraná. Em 1994, intensificou os investimentos na área ambiental e hoje aplica, em média, US$ 1,5 milhão por ano. "A política mundial da empresa é incentivar a coleta seletiva e a reciclagem", ressalta Von Zuben. Este incentivo, segundo ele, é dado com o fornecimento de tecnologia, material didático para as comunidades e facilitação do contato entre as cooperativas de catadores e as "papeleiras", que separam os três materiais que compõe a embalagem.
Em 2001, mais de 20 mil toneladas de embalagens longa vida foram recicladas, ou 15% da produção nacional dessa embalagem. "Cada tonelada de longa vida reciclada gera, aproximadamente, 650 quilos de papel, economizando o corte de 20 árvores cultivadas", compara o diretor.
Fonte: Gazeta Mercantil, adaptado por Equipe MilkPoint
Tetra Pak reduz custo de produção e de reciclagem
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