Tetra Pak nega monopólio no setor de embalagens na CPI do Leite de Goiás

Publicado por: MilkPoint

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Os diretores da indústria de embalagens para leite longa vida - Tetra Pak - negaram, ontem, qualquer ação deliberada para monopolizar o mercado do segmento, bem como que estejam se aproveitando da falta de concorrência para cobrar preços exorbitantes, durante uma reunião na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa de Goiás.

O gerente geral para o segmento de lácteos da Tetra Pak, Luis Guilherme Oliveira, e o diretor de Marketing, Paulo Rochet, foram ouvidos pela CPI. Também foram ouvidos representantes das indústrias de laticínios Parmalat e Nestlé, que igualmente negaram qualquer ação de cartel para baixar artificialmente os preços do leite in natura pagos ao produtor.

Respondendo ao questionamento do deputado Agenor Curado, relator da CPI, sobre possíveis práticas de cartel da empresa, o diretor de Operações da Parmalat, Roque Dalaim, disse que os balanços da empresa são abertos ao público e que a empresa inclusive registrou prejuízos nos últimos meses. Ele destacou, também, que a empresa responde pela captação de apenas 3,5% do leite produzido em Goiás e que, segundo pesquisa da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq), a Parmalat pagou o leite ao produtor, em setembro, a preço 24,4% acima da média do mercado goiano.

O diretor Institucional da Parmalat, Jorge Parente, admitiu que a empresa conta com incentivos fiscais do Estado, mas ressaltou que essa foi a condição oferecida pelo governo goiano para que a empresa implantasse uma unidade em Santa Helena, com razoáveis condições de competitividade. Ele admitiu também que a empresa adotou política de incentivo à granelização do leite, mas negou que tenha intermediado financiamentos para que os produtores adquiram os tanques de resfriamento. Segundo ele, a Parmalat se encarrega apenas de reter, do pagamento do produtor, a parcela relativa à amortização do empréstimo bancário contraído por este.

Tetra Pak

Na tentativa de negar que a Tetra Pak tem o monopólio de embalagens para leite longa vida no Brasil, os dirigentes da empresa argumentaram que a multinacional sueca está no País há 40 anos e, embora seja líder no mercado, tem concorrência inclusive de embalagens importadas dos Estados Unidos. O diretor de lácteos da empresa, Luis Guilherme Oliveira, tentou mostrar, através de números e gráficos, que o preço atual da embalagem - de R$ 0,19 a unidade - não influi nas oscilações de preços do leite ao produtor.

Segundo Oliveira, desde o Plano Real o dólar valorizou-se em 171%, o Índice de Preços no Atacado (IPA) registrou variação de 120%, mas os preços da embalagem Tetra Pak subiram apenas 102,80%. O diretor de Marketing da empresa, Paulo Rochet, argumentou que mesmo com o domínio do mercado, a Tetra Pak nunca adotou a prática de preços abusivos.

Fonte: O Popular/GO (por Edimilson de Souza Lima), adaptado por Equipe MilkPoint
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Antonio Perozin
ANTONIO PEROZIN

VALINHOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/11/2001

Muito interessante os depoimentos das multinacionais Tetra Pak e Parmalat na CPI de Goiás. A Tetra Pak diz que no plano real a inflação foi de 120% e seus produtos subiram apenas 102, 8%, como se fosse uma diferença enorme. Nós produtores nos contentaríamos com 60% de aumento no nosso leite.

A Parmalat diz não financia os tanques de expansão, mas desconta as prestações no pagamento do leite. Será que essas empresas acham que somos burros?


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