Supermercados da Argentina importarão leite do Uruguai

Publicado por: MilkPoint

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Parece um paradoxo, mas, na Argentina, boa parte do leite fluido que ocupará as gôndolas dos supermercados será importada do Uruguai. Este dado é, no mínimo, curioso, mas é certo que, a partir do próximo final de semana, nas gôndolas dos hipermercados Libertad e Carrefour, uma alta porcentagem do leite oferecido será oriunda do país vizinho.

A cadeia de supermercados Libertad fechou um acordo com a Cooperativa Nacional dos Produtores de Leite do Uruguai (Conaprole) pelo qual importará 50% do leite longa vida que vende em seus estabelecimentos. A rede Carrefour está na mesma situação, ou seja, cerca de 50% dos 2,5 milhões de litros de leite que comercializa mensalmente será importada do Uruguai. A cadeia Coto, de Buenos Aires, é outra que importará leite.

Segundo informaram as companhias que operam em Córdoba, a estratégia é manter os preços deste leite em um grau intermediário entre as marcas líderes e as marcas próprias. "Este é um produto importante para os consumidores, e que, diante da atual escassez, estava apresentando um grande aumento de preço, de forma que, com isso, esperamos poder reduzir o impacto", informaram os supermercadistas.

O diretor de Relações Institucionais do Libertad, Rafael Conejero, explicou que, com esta medida, conseguirão manter os preços e, inclusive, poderão realizar algumas promoções nos leites longa vida, que serão vendidos a um valor entre 1,39 e 1,49 peso (US$ 0,47 e US$ 0,51). Apesar desta operação só envolver o leite fluido, a cadeia do grupo francês Casino não descarta que a Conaprole possa estar abastecendo outros produtos também.

A Conaprole é uma cooperativa privada que agrupa mais de 2.200 produtores de leite do Uruguai, concentra 70% da produção leiteira do país e possui vendas anuais em torno de US$ 320 milhões. A cooperativa uruguaia tem escritórios na Argentina desde 2000, quando decidiu conquistar espaço neste mercado.

No entanto, com exceção de alguns negócios específicos, até agora, não se realizam na Argentina importações importantes de leite há uma década, quando se importou leite em pó para cobrir o crescimento da demanda interna.

Baixa de preço iminente

Os supermercadistas concordam que esta é uma medida "conjuntural", que tende a reduzir a subida de preços gerada pela queda da produção, que foi de cerca de 25%, e que poderá se tornar mais aguda devido a fatores estacionais. Além disso, grande parte desta queda ocorreu devido ao avanço da agricultura sobre outro tipo de produções, como pecuária de corte e leiteira.

Por outro lado, as indústrias asseguram que esta medida acelerará uma queda iminente do preço do leite no mercado interno. Isto porque muitos decidiram deixar de exportar devido às condições desfavoráveis do comércio exterior (retenções, queda do dólar e baixa no preço internacional) e voltar sua produção ao mercado interno. Desta forma, as indústrias afirmam que as exportações são menos rentáveis que as vendas ao mercado interno.

"Assim que se cumpram os compromissos externos, a maioria suspenderá suas exportações", disse o presidente da Manfrey e membro da diretoria do Centro da Indústria Leiteira (CIL), Ercole Felippa. Este é o caso da SanCor que já decidiu suspender suas exportações de queijos devido à perda do mercado interno causada pela competição. Com esta medida, a empresa prevê uma forte queda no preço dos queijos vendidos no país.

Em 10/04/03 - 1 Peso Argentino = US$ 0,34270
2,918 Peso Argentino = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)


Fonte: La Voz del Interior - Córdoba, adaptado por Equipe MilkPoint
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