Sul do Brasil: seca reduz oferta e aumenta preço do leite

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A seca que atinge o Paraná, aliada à redução de oferta e à entressafra, contribuiu para aumentar o preço do leite ao produtor em 14,36% em abril, em comparação com o mês anterior. No Rio Grande do Sul (quarto produtor, à frente do Paraná), o aumento foi de 6,50%. O percentual é resultado de um levantamento concluído esta semana pelo Centro de Estudos Avançados e Economia Aplicada (Cepea), ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba (SP).

O aumento de preço no Paraná, estado mais afetado pela estiagem, é o maior entre as seis principais bacias leiteiras do País, incluídas no levantamento: Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia. A média nacional de reajuste em abril foi de 7,37%, metade da paranaense.

Na opinião do coordenador do Projeto Leite do Cepea, engenheiro agrônomo Leandro Augusto Ponchio, além do fator seca, o que aconteceu no Paraná foi um ajuste de preços, que estavam defasados em relação à média nacional. Enquanto o preço médio do litro pago ao produtor em todo o País em março era de R$ 0,30 o litro, no Paraná este valor era de R$ 0,28.

Mesmo com o reajuste de quase 15% em um mês, o preço atual no Estado (R$ 0,32/litro) é inferior ao pago aos produtores paulistas e mineiros (quase R$ 0,34/litro). Além do Paraná, onde há regiões que não registram chuvas significativas há mais de 60 dias, a seca atinge, com menor intensidade, regiões do Rio Grande do Sul, que enfrenta uma seca no Sul, e Minas Gerais.

Segundo o gerente técnico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Nelson Costa, nos últimos 60 dias a oferta do produto no Estado já caiu 20% em relação aos 175 milhões de litros mensais. Isso fez com que, em algumas regiões produtoras, os laticínios já estejam pagando até R$ 0,37 o litro.

O estudo do Cepea mostra que, apesar de um aumento acumulado de 22,4% desde dezembro, o preço real (descontada a inflação) do litro de leite pago ao produtor hoje é 4,3% inferior ao cobrado há um ano. "O produtor hoje está apenas se recuperando do prejuízo, tentando ganhar com uma produtividade maior", avalia o pesquisador.

O gerente da Ocepar atribui parte da alta ocorrida no Paraná à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta na Assembléia Legislativa para apurar as responsabilidades pelos baixos preços pagos ao produtor. "As grandes redes de supermercados ficaram receosas e começaram a praticar preços mais decentes", afirma. Outros estados, entre eles Santa Catarina e Rio Grande do Sul, também possuem CPI's em andamento para investigar a cadeia produtiva do leite.

Apesar de contribuir para melhorar o preço, a estiagem deverá prejudicar os produtores de leite paranaenses. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Leiteiras de Santa Catarina (Sindileite), a maioria ainda não conseguiu plantar pastagens de inverno (principalmente aveia e azevém), porque o solo está muito seco. Isso deverá prolongar a entressafra em até dois meses, provavelmente até agosto.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Valmir Denardin), adaptado por Equipe MilkPoint
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