Sindileite pede mais rigor nas importações de soro

Publicado por: MilkPoint

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instalada na Assembléia Legislativa de Goiás, que investiga a crise do setor de leite no Estado, ouviu ontem o presidente do Sindicato das Indústrias de Leite (Sindileite), Domingos Vilefort, e o funcionário do secretário da Agricultura do Estado, Juvenil Borges da Silva.

Do dirigente do Sindileite, os parlamentares queriam saber se os laticínios adotam práticas de cartel, se sofrem pressão dos supermercados para que concedam bônus nas vendas de leite e derivados, e porque o preço do leite pago ao produtor tem caído tanto desde agosto, enquanto permanece praticamente estável para o consumidor.

Do funcionário do secretário da Agricultura, Leonardo Vilela, a comissão pretendia esclarecer basicamente uma contradição nas informações prestadas pelo próprio secretário: os parlamentares alegam que, nas audiências públicas pelo interior do Estado, o secretário teria denunciado que um funcionário da Nestlé o teria procurado pessoalmente para oferecer preço melhor pelo leite que produz, desde que o comercializasse diretamente com a empresa e não através da cooperativa. No depoimento oficial à CPI, entretanto, Vilela informou que a proposta não lhe fora feita diretamente, mas por intermédio do seu funcionário, Juvenil Borges.

Vilefort negou qualquer alinhamento consensual de preços pela indústria, argumentando que nem teria como fazê-lo, dado o nível de pulverização do setor, que hoje conta com mais de 600 indústrias no mercado, das quais pouco mais de 40 são filiadas ao Sindileite. Ele admitiu, entretanto, que devido ao elevado nível de concorrência, se em determinado momento uma indústria eleva o preço pago ao produtor, obriga as que operam na mesma área a fazerem o mesmo, sob pena de perderem seus fornecedores. "Mas é tudo uma questão de mercado, não há nada previamente combinado."

Vilefort disse aos deputados que, embora não tenha como provar, há fortes indícios de irregularidades na importação do soro de leite em pó, que cresceu ao redor de 60% este ano, embora as importações oficiais de leite tenham se reduzido pela metade. Segundo ele, existem denúncias de que grande parte do que está entrando no País como soro, na verdade, é mesmo leite em pó. Com a fraude, o importador paga a taxa de importação do soro que é de apenas 16%, ao invés dos 30% estabelecidos para o leite.

O presidente do Sindileite também confirmou informações de outros dirigentes de laticínios de que a indústria opera com prejuízo no segmento do leite longa vida. Citando seu próprio caso, ele assegura que produz o leite longa vida, hoje, a um custo de R$ 0,76 o litro, e o repassa ao varejo a R$ 0,68. "Se não se resolver essa questão da rentabilidade, tanto para a indústria quanto para o produtor, acredito que em três meses muitos laticínios estarão deixando de trabalhar com o leite longa vida." Ele anunciou que pretende reduzir bastante a industrialização desse produto, assim que inaugurar sua fábrica de leite em pó de Uruaçu, dentro de 30 dias.

Quanto aos bônus, o presidente do Sindileite admite que é uma prática comum no mercado, mas negou que exista imposição por parte das grandes redes de supermercados. "Isso acontece sempre através de negociações, principalmente quando a indústria está muito estocada e pretende fazer grandes desovas de produtos." Para o deputado Agenor Curado, entretanto, o produtor é quem acaba arcando com o ônus dessas promoções, pois, enquanto concede bônus para os supermercados, a indústria baixa os preços pagos pela matéria-prima.

Já em outro depoimento, Juvenil Borges da Silva confirmou ao relator da CPI, Agenor Curado, que, em setembro, recebeu do gerente da Nestlé em Mineiros, José Andrade, a proposta para que todo o leite da fazenda Bebedouro fosse entregue diretamente ao laticínio e, em troca, o secretário da Agricultura receberia R$ 0,37 por litro, ao invés do R$ 0,25 vigentes à época. O deputado Ernesto Vilela chegou a pedir que Juvenil Borges descrevesse fisicamente o gerente da Nestlé, pois se dizia convencido de que o depoente estava mentindo para acobertar o secretário Leonardo Vilela que não queria assumir suas declarações anteriores.

Fonte: O Popular/GO (por Edimilson de Souza Lima), adaptado por Equipe MilkPoint
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Antonio Perozin
ANTONIO PEROZIN

VALINHOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/12/2001

Enquanto pede-se rigor nas importações de soro de leite, nas CPIs, e pede-se a entrada em vigor da Portaria 56 do Ministério da Agricultura, no mesmo Ministério existe em andamento a Consulta Pública n<sup>o</sup> 4 de 31/07/01, cujo prazo termina agora em fevereiro de 2002, para que se possa comercializar Leite Modificado, onde 20% de seu conteúdo pode ser produtos de origem Láctea ou não Láctea. Querem acabar com a última esperança do produtor de leite.

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