SIG enfrenta Tetra Pak na embalagem longa vida
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 5 minutos de leitura
A SIG fecha seu primeiro acordo com o setor justamente em um ano de virada. Em 2002 o Brasil pode se tornar o maior mercado mundial em volume de leite longa vida. Em 2001, o mercado interno consumiu 5, 7 bilhões de litros de leite fluido e 3,95 bilhões em caixinha, que renderam a segunda colocação no ranking mundial de consumo de leite em embalagens cartonadas. A expectativa para este ano é de crescimento de cerca de 10%. A Espanha detém a primeira posição no ranking com 4,2 bilhões de litros de leite. O longa vida já detém 97% de participação no mercado total de leite fluido espanhol contra 73% no Brasil.
"Mercado algum do mundo cresceu tanto como tem crescido o brasileiro e, em no máximo três anos, queremos ter 5% de participação", justifica o diretor geral da SIG Combibloc do Brasil, Raul Faria. Se a empresa conseguir tal volume, em dois anos, deverá abrir sua fábrica de embalagens no Brasil. Até lá, importará de uma das seis fábricas que tem espalhadas pelo mundo.
No Brasil desde 1997, a SIG detém participação no mercado de sucos e chás. "Mas muito pequena ainda. Queremos também ampliar para 10% em volume nos próximos anos", diz Faria. Mas a empresa terá de brigar muito para conseguir seus objetivos num ambiente dominado pela sueca Tetra Pak. Com duas fábricas instaladas no País, em São Paulo e no Paraná, a multinacional sueca é a única a produzir aqui embalagem cartonada.
"Nós apostamos no Brasil quando o mercado era ainda pequeno e conseguimos a liderança com muito trabalho, investimento e eficiência. Vamos continuar sendo perfeitos, com concorrência ou não", diz o diretor de marketing e desenvolvimento de novos negócios da Tetra Pak, Paulo Rochet. Há 43 anos no País, ela detém cerca de 95% do mercado de embalagens cartonadas para sucos, chás, produtos viscosos e semi-sólidos e 98% de leite fluido. E promete "não abrir mão tão facilmente" dessa participação.
A Tetra Pak está desenvolvendo novos produtos na linha de equipamentos, mas não revela ainda as aplicações, que serão lançados na Fispal - feira de tecnologia para alimentação, que acontece em São Paulo, em meados de junho. "Vamos revolucionar o mercado", diz Rochet, que anuncia uma nova campanha de marketing para esta semana.
Acusada de monopólio no Brasil por algumas CPI's (Comissão Parlamentar de Inquérito) estaduais, a Tetra Pak se defende. "Não há lei alguma que diga que só pode existir a Tetra aqui. Tanto que a SIG está aí para comprovar", diz Rochet. A empresa suíça é a principal entre as 40 concorrentes mundiais da Tetra Pak. Em alguns mercados europeus, como o alemão e o suíço, por exemplo, elas dividem a atuação.
Presente em 165 países, a Tetra Pak tem faturamento global de cerca de US$ 8,5 bilhões. Já a SIG Combliboc é o braço alemão do grupo SIG que produz apenas embalagens e está presente em 17 países. Em 2001 a empresa faturou US$ 850 milhões. Outras três empresas do grupo SIG têm fábricas no Brasil.
Como um todo o mercado brasileiro de embalagens cartonadas cresce a olhos vistos, por isso está sendo alvo de disputas. Nos últimos dez anos saltou de 200 milhões para quase sete bilhões de unidades. A participação do leite longa vida foi a que mais cresceu. Há dez anos era de apenas 18%. Ano passado pulou para 79%, com 5,4 bilhões de unidades.
Enquanto sobe o consumo de leite longa vida o de pasteurizado, embalado em "saco de barriga mole" (plástico), despenca. Em 1990 era de 4,054 bilhões de litros e em 2001, de 1,44 bilhão. E o consumo de leite no Brasil, segundo os analistas, tende a dobrar. O brasileiro consome 57 litros por ano, em média, contra 86 litros dos norte-americanos e 115 dos espanhóis.
A Jussara está investindo US$ 6 milhões na aquisição da tecnologia de envase da SIG, que já está sendo testada no laticínio. No total a empresa vai disponibilizar recursos de US$ 10 milhões para modernizar a planta fabril. Os outros US$ 4 milhões serão para compra de equipamentos Tetra Pak. "Em cinco anos pretendemos chegar a 500 mil litros por dia e alcançar pelo menos a vice-liderança do mercado paulista, responsável por 50% do leite em caixinha consumido no País", diz o diretor comercial da Jussara, Laércio Barbosa.
As principais diferenças entre as gigantes estão principalmente na tecnologia de envase. "Cada uma apresenta vantagens diferentes", diz Barbosa. Segundo o executivo, a tecnologia da SIG permite que com apenas uma máquina o laticínio opere vários tipos de formatos de embalagens e também tamanhos diferentes. "O que vai permitir que dobremos a capacidade de produção para 12 milhões de litros de leite por mês, em curto prazo, e também ficar mais competitivos em outros produtos, como o creme de leite", diz.
Para Barbosa, o bom desempenho no mercado das embalagens longa vida deve-se principalmente ao consumidor. "As pessoas preferem por causa da praticidade e da durabilidade", diz. Mas a embalagem longa vida representa lucratividade mais baixa para os laticínios se comparada ao saco plástico. A média de lucro no longa vida, diz Barbosa, está entre 1% e 2% contra uma média de 8% de lucro com o leite pasteurizado.
Os preços das embalagens no Brasil, segundo o executivo da Jussara, são compatíveis com os preços internacionais. Aqui a caixinha longa vida custa R$ 0,20 contra US$ 0,10 no mercado internacional. "O preço do leite oscila mais que o da embalagem. Pode saltar de R$ 0,70 a R$ 1, cobrado pela usina, de acordo com a época do ano. Já o da embalagem permanece geralmente estável", afirma.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Iolanda Nascimento), adaptado por Equipe MilkPoint
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CAMPOS DOS GOYTACAZES - RIO DE JANEIRO
EM 26/08/2016
Porém não encontro local CONFIÁVEL para entrega-las aqui em Campos dos Goytacazes ou Macaé no RJ. Vocês tem algum ponto de coleta nestas áreas?