Shefa se associa à Conaprole para produção de longa vida e outros alimentos

Publicado por: MilkPoint

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O laticínio paulista Shefa, fundado em 1982 e localizado no município de Amparo, na região de Campinas (SP), associou-se à cooperativa uruguaia Conaprole (Cooperativa Nacional dos Produtores de Leite do Uruguai), a qual tem faturamento anual da ordem de US$ 350 milhões e que capta 75% do leite uruguaio, para produzir inicialmente leite longa vida, embora existam planos para produção de praticamente toda a linha do parceiro uruguaio, incluindo bebidas à base de soja, achocolatados, molhos para salada e água mineral, esta já a partir do ano que vem.

Segundo o diretor industrial da empresa, Emilio De Benedictis Neto, a associação vai além do envase de produtos para a Conaprole; a cooperativa uruguaia investiu dinheiro na Shefa, disponibilizando uma máquina TBA08, da Tetra Pak, para o envase de longa vida, a qual já está instalada e operando. A parceria poderá, em um primeiro momento, duplicar a quantidade de leite processada pela Shefa, hoje cerca de 6 milhões de litros mensais, resultando em otimização do uso de sua infra-estrutura industrial, hoje subutilizada. O acordo foi firmado por tempo indeterminado, mas não há, a princípio, compromisso de aquisição da Shefa pela Conaprole.

De acordo com De Benedictis, o câmbio desfavorável às vendas de lácteos importados para o Brasil sem dúvida motivou esta decisão por parte da Conaprole, uma vez que é inviável competir importando leite do Uruguai ou da Argentina. Ele acha que este tipo de iniciativa será cada vez mais comum e que a visão de que uruguaios e argentinos são sempre competidores precisa ser revista. “Com o câmbio atual, parcerias como esta podem vir a ocorrer com maior freqüência, pois o leite mudou de direção: podemos produzir para eles e com eles”, afirma ele.

Segundo De Benedictis, a Shefa, empresa de administração familiar fundada dentro de uma fazenda de leite no ano de 1982, vem passando por um processo planejado de diversificação da linha de produção, cujo estudo iniciou-se em 1990, indo muito além do processamento de leite e derivados. Além desta parceria com a Conaprole, a Shefa já presta serviços para outras empresas, como o envase da bebida à base de soja da linha All Day para o Grupo Bunge, a linha Turma da Mônica para o Grupo Wow (leite fermentado, leite à base de soja e achocolatados), o fortificante Energil-C e o Moc pronto para a Mococa, entre outros exemplos.

O carro-chefe da empresa e cliente mais importante é a rede de hipermercados Wal- Mart, para quem a Shefa envasa leite integral e achocolatados com a marca Great Value, cuja análise de qualidade é realizada nos Estados Unidos, reporta De Benedictis.

“Somos cada vez mais uma prestadora de serviços, terceirizando a produção de inúmeros produtos com marcas de outras empresas”, diz ele. Segundo ele, a diversificação da linha de produção tem o objetivo de não deixar a empresa muito suscetível a um único mercado, que tem ficado cada vez mais competitivo e que tem apresentado oscilações de preço muito grandes. Para ele, a linha de produtos à base de soja apresenta grande potencial de mercado e a Shefa já tem inclusive uma marca própria no segmento (Split). Outro produto da empresa é o isotônico Sport Aid, cuja produção é intensificada no verão. A planta da empresa é flexível e permite a produção de 15 tipos de produtos diferentes a partir de alguns ajustes na linha industrial, com base em um modelo japonês.

A empresa também faz o caminho inverso, embalando produtos com sua marca em instalações de outras empresas, sendo exemplo o lançamento de um café com marca Shefa.

Para De Benedictis, o grande problema do mercado de leite hoje é a superoferta de leite. Na opinião dele, não há como ter cartel no setor, uma vez que a competição entre as empresas é enorme. “É um problema de oferta e procura, acentuado pelas características de perecibilidade do leite, que acaba forçando a produção de leite longa vida, que atua como uma válvula de estoque”, sintetiza.

Fonte: Equipe MilkPoint
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