O setor leiteiro da Argentina tem agora a oportunidade de alcançar acordos estruturais que pareciam impossíveis em 2002, segundo explicou o diretor do Programa Nacional de Política Leiteira do país, Juan José Linari.
Após anos de dispersão de opiniões, a produção unificou sua mensagem ante à indústria e aos governos das províncias. As fábricas, por sua vez, assumiram o fato de que a regulamentação do setor é conveniente para todos. Esta foi a interpretação de Linari no ritmo das negociações da Mesa Interprovincial da Leiteria (da qual participam representantes do setor e funcionários de Buenos Aires, Santa Fé, Córdoba, Entre Ríos e La Pampa).
A possibilidade de se chegar a posições entre as partes da cadeia láctea parece começar a se concretizar, juntamente com a recuperação da atividade. "Os produtores passaram do protesto (vale lembrar o protesto feito pelos produtores em março do ano passado, que confrontou a indústria) à proposta", disse o representante do setor leiteiro de Sunchales, Roberto Socin.
Segundo ele, os preços ao produtor melhoraram até agora neste ano (am alguns casos já permitem cobrir os custos) e, se esta tendência de alta dos preços de mantiver, as propriedades leiteiras poderão começar a se recuperar da descapitalização dos dois anos e meio passados.
O Centro de Indústrias Leiteiras (CIL) da Argentina estima para 2003 um aumento entre 3% e 4% no volume de leite produzido no país. "Para este ano estão previstas condições climáticas normais e, segundo uma pesquisa feita com 11 empresas lácteas, que são responsáveis por 65% da produção nacional, pode-se antecipar uma recuperação em nível de produção", explicou o diretor executivo da CIL, Jorge Secco.
Segundo Secco, os 39 centavos (12,58 centavos de dólar) por litro de leite pago ao produtor argentino já mostram uma melhora importante no preço e as expectativas de aumento do consumo local (devido à recuperação do nível de emprego na Argentina) e de um fortalecimento nos preços internacionais permitem antecipar melhores perspectivas para a atividade. Ele advertiu, entretanto, que a evasão fiscal continua sendo um problema, levando-se em conta que um aumento da quantidade de contribuintes do setor permitiria uma diminuição das taxas de importação (Imposto sobre valor agregado - IVA).
Próximos acordos
Na segunda-feira passada, membros do setor leiteiro da Argentina se reuniram com o ministro da Produção, Aníbal Fernandez, e com o secretário da Agricultura do país, Haroldo Lebed, a fim de discutir as medidas que o Governo argentino está pensando em tomar para frear o aumento dos preços dos alimentos, mas também discutir a preocupação do setor com relação ao nível de produção de leite em curto prazo.
Durante o encontro, os produtores de leite advertiram a Fernández sobre a necessidade de assegurar a recomposição do preço da matéria-prima para evitar um desabastecimento do mercado interno no inverno, e lembraram que a falta de rentabilidade provocou uma queda de 15% na produção nos últimos três anos.
Para cessar esta tendência de baixa, o Governo Federal da Argentina analisa uma mudança no sistema de retenção da taxa de importação (que gera acúmulo de crédito fiscal e distorções na competição entre as indústrias) e mecanismos para renegociar as dívidas com o Banco Nação e o Banco da Província de Buenos Aires. Além disso, será feita uma pesquisa para averiguar possíveis distorções na formação de preços.
Durante o encontro, foi assegurado que os acordos entre a produção, a indústria e os governos das províncias estão avançando. A rigor, trabalha-se em um sistema de gestão de análise do leite de referência para o pagamento deste (independente da indústria), em um sistema de liquidação única do pagamento do leite (válido para todas as fábricas), na análise da administração e controle da oferta e da transparência na cadeia de valores e em um registro de propriedades nas províncias leiteiras.
Em 23/01/03 - 1 Peso argentino = US$ 0,32258
3,1 Peso argentino = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)
Fonte: La Nación (por Analía H. Testa), adaptado por Equipe MilkPoint
Setor leiteiro trabalha para alcançar acordos estruturais na Argentina
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Publicado em: - 3 minutos de leitura
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