As principais aquisições do setor de alimentos nos últimos cinco anos passaram pelas indústrias avícolas e de laticínios, mercados em plena expansão no Brasil e com maior potencial de crescimento. Estas negociações movimentaram quase US$ 1 bilhão no período, num total de 15 empresas de capital aberto analisadas pelo consultor da Guarita & Associados, Rodrigo Maimone Pasin, em parceria com professores da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro.
O setor de lácteos, mercado que movimenta US$ 4 bilhões por ano no País, vem atraindo aquisições internacionais. Na década de 90, a Parmalat realizou cerca de 20 transações, que envolveram dez laticínios e figura hoje como uma das maiores captadoras de leite do País. As mais recentes aquisições são a Glória e a Avaré. A empresa também tem investido pesado no setor de biscoitos.
Com a expansão deste mercado, o grupo francês Danone, controlado pela BSN e uma das maiores companhias de laticínios do mundo, também capta novas oportunidades no setor lácteo e participa ativamente do segmento de biscoitos.
"O Brasil tem um dos menores custos de produção e, por isso, tem atraído tanto o capital estrangeiro", diz Jacques Gontijo, vice-presidente da mineira Itambé, segunda maior empresa de laticínios do Brasil. A Nova Zelândia domina hoje o mercado internacional, com a maior eficiência e menor custo de produção, informa o executivo. "Os neozelandeses exportam praticamente 95% de sua produção, um total de 10 bilhões de litros. O Brasil produz 20 bilhões de litros e ainda importa leite."
Gontijo afirma que o Brasil tem capacidade para dobrar a produção leiteira, a qual é competitiva o suficiente para se tornar uma das principais exportadoras mundiais. A Itambé quer expandir seus negócios e está investindo R$ 100 milhões na ampliação de seu parque industrial para dobrar a produção para até quatro bilhões de litros. Segundo ele, o Banco Pactual trabalha na busca de parceiros para a Itambé.
Com um mercado estimado em US$ 70 bilhões, o setor de alimentos registrou 184 transações de fusões e aquisições entre 1996 e 2000, aceleradas pelo aumento da competição internacional. As limitações de mercado de países desenvolvidos levam as multinacionais a buscar novas oportunidades em países emergentes. O Brasil tem um grande potencial e competitividade, o que atrai as negociações. Maior produtor de açúcar, café e competitiva em soja, o País tem atraído investidores.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Mônica Scaramuzzo), adaptado por Equipe MilkPoint
Setor leiteiro foi um dos que mais realizou aquisições
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