Segundo André Mesquita, diretor da Serlac, trading especializada em lácteos, a empresa exportou, juntamente com seus sócios, US$ 5 milhões em produtos lácteos no ano de 2002. Para este ano, a expectativa é dobrar este número. "Pretendemos exportar US$ 10 milhões. Trabalhamos com o produto acabado como sachês, leite condensado e/ou evaporado, que tem maior valor agregado". André Mesquita diz que o país é muito competitivo nesse tipo de produto por causa do baixo preço da matéria-prima (leite, açúcar e alumínio). "Além disso, estamos conseguindo abrir um novo mercado a cada mês". Os dois últimos foram Costa Rica e Angola. Apesar disso, ele ressalta que é preciso se adaptar à legislação internacional e buscar melhores alternativas de oferta em relação a produtos e países de destino.
Analisando os grandes blocos concorrentes do Brasil na exportação de lácteos, a Serlac chegou à conclusão de que as maiores vantagens da União Européia são escala e alta produtividade; a boa qualidade e diversidade de produtos; o alto índice de subsídios do governo e o processo de integração de outros países à Comunidade Européia, que deve aumentar a força produtora da região. As desvantagens são o alto custo de produção; a forte dependência do governo e de suas intervenções; um mercado doméstico que paga altos preços e torna a presença inconstante no mercado internacional e a prioridade de importações do leste europeu.
No caso da Oceania, a grande produção com alta produtividade também é uma vantagem. Além disso, a região está geograficamente bem localizada para suprir o mercado do sudeste asiático, que importa 80% de toda a sua produção. A Oceania tem acordos bilaterais firmados com diversos países e 70% da produção do ano é vendida em 6 meses, ficando os 30% restantes livres como margem de segurança e para aproveitar situações pontuais de mercado. Por outro lado, a Nova Zelândia já atingiu seu limite máximo de produção; são tradicionalmente produtores de matéria gorda (leite em pó 26%, manteiga e "butteroil") e atualmente enfrenta a diminuição de oferta dos seus produtos no mercado internacional por causa dos problemas de seca na Austrália e de baixos preços na Nova Zelandia.
Os Estados Unidos e o Canadá são grandes produtores, com um mercado doméstico para todos os tipos de produtos. Tem um alto grau de protecionismo e o mercado é praticamente auto-suficiente, mas importa bastante caseína. O país pode ser bastante agressivo em preços quando o governo decide reduzir seus estoques para reaquecer seu mercado interno. Como fraquezas, o bloco americano/ canadense tem uma presença inconstante no mercado internacional, exportações esporádicas determinadas pelo governo e grande importação de caseína.
Argentina e Uruguai têm uma produção com boa qualidade e preços baixos, são fortes produtores de queijos, têm tradição como exportadores e boa qualidade industrial do leite em pó. Seus maiores problemas são as graves crises econômicas (de liquidez) que afetam a produção de leite; a desorganização e queda da produção, por causa dos baixos preços.
O Brasil, apesar da falta de tradição exportadora no mercado de lácteos, da forte concorrência da Argentina e do Uruguai e do atraso na eliminação de barreiras sanitárias e tributárias, é um país com grande produção a preços baixos; grande potencial de expansão da produção e boa qualidade industrial do leite em pó e do leite condensado e tradição exportadora em agribusiness. Por isso, de acordo com a Serlac, as perspectivas são muito animadoras para o país em termos de preço e possibilidades de expansão.
Fonte: Thais de Alckmin Lisboa, para o MilkPoint
Serlac avalia países concorrentes e prevê bons resultados
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