Brasil e Senegal ampliam cooperação técnica para desenvolver setor leiteiro africano

Segundo as autoridades, essa nova parceria tem como objetivo acelerar a conquista da autossuficiência em produtos lácteos no Senegal. As intervenções previstas focarão no fortalecimento da cooperação científica entre a Sociedade Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Senegalês de Pesquisas Agrícolas (ISRA).

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Na África Ocidental, o Senegal é um dos principais mercados para produtos lácteos, ao lado de países como Mauritânia, Nigéria, Gana e Togo. O país, que visa a autossuficiência, conta com o apoio de parceiros estrangeiros com expertise reconhecida no setor.

No Senegal, o Ministro da Agricultura, Mabouba Diagne, anunciou recentemente a assinatura de um protocolo de acordo com seu homólogo brasileiro. A informação foi divulgada na quinta-feira, 26 de fevereiro, pela mídia local, e foi anunciada durante a segunda Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD+20), que ocorreu de 24 a 28 de fevereiro em Cartagena, na Colômbia.

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Segundo as autoridades, essa nova parceria tem como objetivo acelerar a conquista da autossuficiência em produtos lácteos no Senegal. As intervenções previstas focarão no fortalecimento da cooperação científica entre a Sociedade Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Senegalês de Pesquisas Agrícolas (ISRA), além da implementação de um programa de transferência de embriões de gado Gir. 

Também está prevista a estruturação sustentável do setor através de parcerias público-privadas, o desenvolvimento de culturas forrageiras e rações alimentares eficientes, assim como a profissionalização do setor por meio de treinamento na gestão de fazendas de laticínios modernas, além do fortalecimento da mecanização agrícola e pastoril.

Aprofundar os esforços em melhoramento genético

Essa aproximação com Brasília na área de pesquisa é ainda mais estratégica, pois o Brasil possui uma excelente reputação no potencial genético de suas raças bovinas adaptadas à pecuária em regiões tropicais, além de ser uma potência no mercado mundial de laticínios. 

É importante ressaltar que, no âmbito do seu programa de melhoramento genético do rebanho bovino, o governo senegalês subvenciona, desde 2017, a importação de gado de alto potencial de produtividade de várias origens, incluindo o Brasil. A última iniciativa foi no dia 10 de janeiro de 2026, quando o Ministério da Agricultura anunciou a chegada de 1.050 cabeças de gado das raças Guzera e Girolando, originárias do Brasil, como parte de uma parceria entre o ministério e o Grupo para o Melhoramento Genético e Pecuária Pastoral e Extensiva no Senegal (GEPES).

Apesar desses esforços, as importações de produtos lácteos aumentaram, refletindo a incapacidade da indústria local em acompanhar o ritmo de crescimento das necessidades do mercado interno. Dados compilados pela Agência Nacional de Estatísticas e Demografia (Ansd) mostram que as importações de produtos lácteos no Senegal aumentaram nos últimos cinco anos, passando de 28.973 toneladas em 2020 para 33.745 toneladas em 2024. Simultaneamente, o valor dessas importações cresceu 34,3% no mesmo período, alcançando 65,73 bilhões de francos CFA (118,2 milhões de dólares).

Vale a pena ler também: África domina as compras de leite em pó uruguaio em 2025

As informações são da Agência Ecofin, adaptadas pela Equipe MilkPoint.

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