O aumento não foi apenas em valor. Em volume, as exportações atingiram 2,8 milhões de toneladas, alta de 5% sobre o ano anterior, segundo a International Dairy Foods Association (IDFA). Grande parte desse desempenho foi impulsionada pela expansão da demanda no Oriente Médio, Norte da África, Sul da Ásia e América do Sul — regiões que vêm ganhando peso estratégico na pauta exportadora dos EUA.
“Este ano quase recorde demonstra que os exportadores de lácteos dos EUA estão tendo sucesso em diversificar tanto os mercados quanto os portfólios de produtos”, afirmou Michael Dykes, presidente e CEO da IDFA. Segundo ele, o crescimento em regiões como Norte da África, Sul da Ásia, Oriente Médio, América do Sul e União Europeia reflete uma estratégia deliberada de redução de riscos e ampliação de oportunidades.
Atualmente, os lácteos norte-americanos chegam a 143 países, com um mix que inclui produtos prontos para o consumidor, ingredientes de alto valor agregado e soluções nutricionais especializadas — combinação que fortalece a resiliência do setor no longo prazo.
Crescimento espalhado pelo mundo
O avanço em 2025 foi amplo e, em alguns mercados, impressionante:
Norte da África: alta de 107% em valor e 69% em volume.
Oriente Médio: crescimento de 48% em valor e 19% em volume, puxado por queijos processados, leite em pó adoçado, proteínas de soro, lactose e lácteos naturais.
Sul da Ásia: avanço de 63% em valor e 25% em volume, com destaque para Índia, Paquistão e Sri Lanka. Só a Índia registrou aumento de 71% em valor e 31% em volume.
América do Sul: +14% em valor e +7% em volume.
América Central: +19% em valor e +13% em volume.
América do Norte: +6% em valor e +2% em volume.
Leste Asiático: +14% em valor e +2% em volume.
União Europeia: +61% em valor e +69% em volume.
África Subsaariana: +9% em valor.
O cenário revela uma estratégia cada vez menos concentrada em poucos destinos — e mais distribuída entre mercados emergentes e consolidados.
Produtos mais gordurosos ganham espaço
Outro ponto relevante em 2025 foi o avanço dos produtos com maior teor de gordura. As exportações globais de manteiga e gordura do leite saltaram cerca de 165% em volume, enquanto o leite em pó integral avançou 56%. O movimento indica mudanças no padrão de compra internacional, tanto para consumo direto quanto para uso industrial.
Também registraram desempenho positivo categorias como cremes para passar, concentrados de proteína de soro e queijos, sinalizando demanda firme por ingredientes de maior valor agregado e por produtos prontos ao consumidor.
Perspectiva para 2026
Com o setor operando próximo de um recorde histórico, a expectativa para 2026 é de continuidade do crescimento. “Uma agenda comercial renovada que amplie o acesso a mercados e abra novas oportunidades no Sudeste Asiático, América Latina, Norte da África e Oriente Médio permitirá que os exportadores de lácteos dos EUA sigam competitivos globalmente”, afirmou Dykes.
Depois de um 2025 robusto, o setor lácteo norte-americano entra em 2026 com bases mais diversificadas, maior presença internacional e perspectivas de expansão sustentada.
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As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.