Secretaria da Fome pode voltar setor leiteiro para o mercado interno

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O anúncio feito ontem (28) pelo presidente eleito Luis Inácio Lula da Silva, a respeito da criação da Secretaria de Emergência Social, já apelidada de "Secretaria da Fome", dada a prioridade ao combate da desnutrição, gera expectativas de aumento no consumo interno de alimentos, dentre eles o leite e os derivados.

Com 50 milhões de necessitados, o Brasil conta com um enorme potencial de crescimento em relação ao consumo de lácteos, a ponto de previsões da FAO apontarem um provável incremento no consumo de mais de 9 bilhões de litros até 2010, o segundo maior crescimento esperado no mundo, perdendo apenas para a Índia, com 27 bilhões de incremento. Esse acréscimo, se expresso em quantidade per capita, alcança quase 35 kg/habitante/ano, o terceiro maior entre os países analisados, ficando atrás apenas da Hungria e da República Tcheca, países que verificaram declínio de consumo na década passada, fruto da derrocada do comunismo na Europa e que devem passar por um processo de recuperação nessa década.

Porém, esses números parecem improváveis de se atingir se considerarmos o consumo per capita nos últimos anos. O país está patinando na casa dos 120 a 130 kg/habitante/ano já há alguns anos, de forma que o aumento previsto pela FAO parece soar como exagerado otimismo.

Com a eleição do novo presidente e sua declarada disposição de atacar o problema da fome, as previsões podem estar mais próximas da realidade. Caso realmente se consiga um avanço significativo nesse campo, um novo mercado interno pode se abrir, com amplas possibilidades do país alargar o mercado em quase 40% até o final da década.

Em tempos nos quais exportação tem sido a palavra de ordem no setor leiteiro, como alternativa de desovar excedentes de produção e como alternativa de obtenção de preços mais compensadores, fruto do baixo custo de produção e das oportunidades no mercado internacional, talvez estejamos entrando em um novo período de fomento ao consumo interno, que seria o principal responsável pelo aumento da produção. Programas sociais de distribuição de leite, por exemplo, podem ser estimulados, coincidindo um triplo interesse: da população assistida, dos produtores e da indústria.

É ainda muito cedo para ir mais além nessa análise, mesmo porque os desafios serão muitos e nem sempre aquilo que se pretende fazer acaba sendo realizado em sua totalidade. De qualquer forma, a julgar pelos primeiros pronunciamentos do novo presidente, o setor leiteiro pode nutrir expectativas positivas, pois combater a fome vem ao encontro de quem produz um alimento nobre, de importância reconhecida no combate à desnutrição. Como escreveu Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil, em artigo publicado hoje no MilkPoint (clique aqui para ler): "será que agora vai" ?

Fonte: MilkPoint, por Marcelo P. Carvalho
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