As condições de seca na Austrália estão levando a uma menor produção de leite, a uma menor quantidade de queijos fabricados, bem como a um menor valor das exportações de lácteos, segundo mostram dados recém divulgados.
Segundo a Corporação Australiana de Lácteos (Australian Dairy Corporation - ADC), as condições climáticas vêm piorando significativamente nos últimos dois meses. Apesar de a produção de leite ter declinado somente 0,9% nos primeiros quatro meses do ano fiscal de 2002-03, a produção será mais severamente afetada de agora em diante.
"As limitadas ofertas estão pressionando pra cima os custos do uso de água, bem como os preços dos grãos e dos alimentos dos animais", informou um relatório divulgado recentemente pela ADC. "Estes fatores, combinados com os menores preços da matéria-prima, farão com que os volumes produzidos se reduzam muito mais rapidamente, comparado com o último ano".
De julho a setembro de 2002, a produção de queijos caiu 8%, comparado com o mesmo período de 2001, para 81,713 mil toneladas, com todos os tipos de queijos mostrando uma redução no volume produzido. O queijo do tipo cheddar apresentou uma redução de 4% em sua produção, para 47,514 mil toneladas, enquanto a produção de queijos de outros tipos, excetuando-se o cheddar, caiu 13%, para 34,199 mil toneladas.
Esta menor produção, como conseqüência, prejudicou as exportações, cujo valor caiu 19% neste referido trimestre, devido ao declínio das exportações de queijos e manteiga. Entretanto, os volumes de exportação aumentaram em 10% de julho a setembro de 2002, à medida que os leites em pó de baixo valor substituíram os queijos, de alto valor. Os volumes de todos os leites em pó - desnatado, soro de leite, e integral - aumentaram, assim como ocorreu com produtos como caseína.
A ADC informou que esta tendência mudará à medida que a estação for avançando. O primeiro trimestre foi relativamente não importante, à medida que foi responsável por somente 20% do valor em 2001-02.
Com o declínio na produção de queijos, a demanda local pressionou para cima as importações, com as importações de queijos aumentando 9% no trimestre, principalmente de queijos da Nova Zelândia, exceto o cheddar.
A ADC informou em uma nota divulgada recentemente que os preços internacionais de lácteos, particularmente de leites em pó, aumentaram nos últimos dois meses devido à limitada disponibilidade de produtos na Austrália e na Nova Zelândia.
Imposto referente à indústria de lácteos foi estendido até 2010
Os consumidores australianos pagarão o imposto destinado à indústria de lácteos por mais tempo do que o esperado porque não estão utilizando produtos lácteos suficientes.
O imposto foi determinado no país com o objetivo de pagar pela reconstrução do setor após a desregulamentação ocorrida em 2000, com expectativa de término em 2008. Porém, o lento consumo de produtos lácteos na Austrália levará a extensão do tempo de cobrança do imposto até 2010.
O porta-voz da entidade responsável pela reestruturação do setor de lácteos - Autoridade de Ajuste do Setor de Lácteos -, Darryl Gifford, disse que os termos de instalação deste imposto sempre foram mutáveis.
"Um relatório informou que uma das variáveis chave foi o consumo de leite e as taxas de juros. Se o consumo de leite aumentar, naturalmente a coleta de fundos com o imposto aumentará e o período de tempo envolvido na cobrança deste imposto diminuirá. Com relação à taxa de juros, se esta diminuir, também se reduzirá o tempo necessário de coleta deste imposto".
Fonte: The Age (por Philip Hopkins) e Australian Broadcasting Corporation, adaptado por Equipe MilkPoint
Seca prejudica produção e exportação de lácteos na Austrália
Publicado por: MilkPoint
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