Santa Catarina tem queda de até 15% no preço do leite com o fim da entressafra

Publicado por: MilkPoint

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Em setembro, o setor leiteiro de Santa Catarina encerra mais um período de entressafra com perspectivas desanimadoras para os próximos meses. Em agosto, o preço médio do litro do produto no Estado ficou em R$ 0,30, contra os R$ 0,34 do mesmo período do ano passado. Com o aumento na oferta, que já deverá ocorrer nos próximos 15 dias, a tendência é uma queda de no mínimo 15% no preço do litro do leite colocado na plataforma da indústria. Entretanto, a retração no preço não deve ficar nesse patamar. Até o final deste ano, novas quedas tendem a ocorrer. A projeção de produção para 2001 em Santa Catarina é de 1,1 bilhão de litros de leite, contra os 1,016 bilhão de litros do ano passado.

Segundo Tabajara Marcondes, analista de mercado do Instituto de Economia e Planejamento Agrícola do Estado (Icepa/SC), a causa disso foi o aumento na produção brasileira neste ano em todo o País, principalmente na região Centro Oeste. "Entre outras coisas, ocorreu uma redução na industrialização do leite devido aos programas de racionamento de energia elétrica, o que resultou na sobra de matéria-prima. Isso puxou os preços para baixo em todo o Brasil, já que a formação do preço do leite é feita de forma integrada."

Já os representantes da indústria dizem que a única forma de se continuar envasando o leite é reduzir os preços pagos ao produtor. Segundo Walter Hoeschel Neto, secretário executivo do Sindicato das Indústrias Beneficiadoras de Leite (Sindileite) e diretor do laticínio Lactoplasa, de Lages (SC), o aumento da oferta do produto no varejo está puxando os preços para baixo. "A indústria tem registrado aumento de custos de matéria-prima, como embalagens e outros itens utilizados no beneficiamento, que não pode repassar aos produtos." Segundo ele, os laticínios tiveram que baixar em cerca de 20% os preços do leite colocado nas gôndolas dos supermercados e mercearias ainda em julho, forçados por um excesso de produção vindo de outros estados e pelo início da safra de Goiás que, neste ano, ocorreu mais cedo. A tendência é de que a situação se agrave com o início da safra.

Segundo Marcondes, as mudanças não se refletem apenas na produção propriamente dita. "São visíveis também em outros diversos aspectos que envolvem a atividade, como, por exemplo, a organização e demandas políticas dos produtores. O momento de crise por que passa o setor é um exemplo claro. Imediatamente após o decréscimo nos preços recebidos nas diversas regiões produtoras, desencadearam-se movimentos para que os problemas não se intensifiquem ainda mais."

Já o presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo, considera possível que a queda nas cotações de preços seja artificial, provocada por algumas indústrias que continuam importando leite mesmo com a vigência de medidas antidumping e o aumento da produção nacional. "Não há redução no consumo, como alegam as indústrias, e nenhum motivo para uma redução nos preços ao produtor".

Segundo ele, uma pesquisa realizada pelo Ibope revelou que houve um aumento de 1% no consumo de leite nas principais capitais. Enquanto de janeiro a julho do ano passado foram consumidos o equivalente a 2,245 bilhões de litros do produto, no mesmo período deste ano o resultado foi de 2,268 bilhões de litros.

Fonte: Gazeta Mercantil (por João Henrique Baggio), adaptado por Equipe MilkPoint
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José Moreira Barreto
JOSÉ MOREIRA BARRETO

OUTRO - TOCANTINS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 10/09/2001

Qualquer dificuldade na indústria de laticínio, a primeira providência tomada é baixar o preço do leite ao produtor. Poderiam baixar o preço dos outros insumos, como salário, energia, embalagem, etc.

Mas, se até agora tudo deu certo quando baixam o preço do leite aos produtores, pra que se preocuparem com outra coisa, até mesmo com a incompetência?






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