Saldo do processo de reestruturação da Parmalat

Publicado por: MilkPoint

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O processo de reestruturação que a Parmalat do Brasil vem fazendo teve como saldo, além do fechamento de fábricas, centros de distribuição e postos de captação de leite, a demissão de mais de 1,3 mil pessoas entre novembro de 2000 e agosto de 2001, segundo estudo feito pela ONG Observatório Social, ligada à CUT. A pesquisa, cujo objetivo foi fazer um estudo da Parmalat sob a ótica das leis trabalhistas, além da defesa do meio ambiente e outras questões sociais, durou sete meses, nos quais a ONG trabalhou diretamente com a Parmalat, com dados fornecidos pela empresa.
A multinacional italiana cortou seu efetivo no país de 7,2 mil para 5,9 mil funcionários - número que deve crescer com a possibilidade de fechamento de outras três fábricas indicadas no estudo: Morada Nova (CE), Natal (RN) e Campos (RJ). A Parmalat não confirma o número de demissões nem a desativação de unidades. A empresa só confirma o fechamento da fábrica de queijos em Catalão (GO), que vinha sendo esvaziada durante o período do estudo da ONG. Ao todo, a Parmalat fechou pelo menos 3 fábricas desde o ano passado. E, até o fim deste ano, a unidade de Itamonte (MG) também será desativada.

Segundo o coordenador do estudo, o economista João Paulo Veiga, as demissões na Parmalat já podiam ser esperadas. Em 1999, enquanto o faturamento da América do Sul era inferior ao da Europa e América do Norte e Central, o número de funcionários era mais que o dobro, fato que demonstra a baixa relação de produtividade faturamento/funcionário.

Parmalat contesta estudo

A Parmalat, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que não concorda com o raciocínio do pesquisador e critica o estudo, argumentando que "não existe base de informações para fazer esse tipo de afirmação". A empresa também contesta o saldo de demissões. Segundo ela, em dezembro de 2000 havia 6.730 trabalhadores e, hoje, 6.490. A Parmalat afirma ainda que neste quadro não estão incluídos os funcionários da Glória e Avaré, aquisições feitas neste mês.

As unidades-chave da Parmalat, segundo o estudo, são Jundiaí (SP), Santa Helena (GO), Carazinho (RS) e Garanhuns (PE). E nada indica que isso irá mudar. O processo de reestruturação da companhia no País, que foi acelerado desde que o uruguaio Miguel Borzone assumiu a presidência da empresa no início de 2000, deve continuar sob o comando de Ricardo Gonçalves, o novo presidente vindo da Nestlé.

Fonte: Valor Online (por Giuliano Ventura e Patrícia Duarte), adaptado por Equipe MilkPoint
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