Rondônia e Mato Grosso estão sendo considerados novos pólos de pecuária leiteira do País pelas grandes empresas do setor. Os dois estados, embora ainda concentrados em pequenos laticínios, cresceram mais que o dobro da média nacional (27%) na última década.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da FNP Consultoria mostram que a produção em Rondônia cresceu 59,5% de 1991 a 2000, passando de 252 milhões de litros em 1991 para 402 milhões em 2000. No Mato Grosso, o crescimento no mesmo período foi de 80%, passando de 239 para 430 milhões. As causas da expansão são o baixo custo das terras e da mão-de-obra, o clima propício e estradas para a região Sudeste.
A Nestlé já atua na captação de leite no Mato Grosso. A Parmalat, que está em Rondônia desde 1993, capta hoje 1,6 milhão de litros/mês, o que responde por cerca de 2% a 3% do total da empresa no Brasil. Inclusive, a empresa vê na região potencial para exportação para os países do norte da América do Sul.
No Mato Grosso, destacam-se os municípios de Alta Floresta e Nova Canaã, no norte do Estado. Segundo o professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, Luis Fernando Laranja, a região tem chance para se transformar em pólo importante de pecuária. A produção hoje se aproxima de 150 mil litros por dia nos dois municípios.
Segundo Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil, o custo de produção em Rondônia ou Mato Grosso fica por pouco mais de R$ 0,20 o litro, enquanto em regiões como São Paulo e Minas Gerais chega perto de R$ 0,40. A qualidade do produto, no entanto, costuma ser mais baixa em razão da pequena profissionalização do setor na região da Amazônia Legal.
A esse custo de produção, para as grandes empresas, têm sido interessante pagar pelo transporte do produto na forma longa vida, que passou a ser o padrão de comercialização do leite. Setenta por cento da produção de longa vida já vai para fora dos estados.
Para o agrônomo Maurício Nogueira, da Scot Consultoria, Rondônia está seguindo os passos de Goiás no estímulo à produção. De 1991 a 1996, Goiás deixou o posto de quinto maior produtor para se consolidar em segundo, respondendo, no ano passado, por mais de 2 bilhões de litros de leite por ano, menos apenas que Minas Gerais, com seus 5,8 bilhões de litros.
Fonte: Valor Online (por Giuliano Ventura), adaptado por Equipe MilkPoint
Rondônia e Mato Grosso podem ser novos pólos de pecuária leiteira
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