Estudos realizados pelo Departamento de Administração e Economia da Universidade Federal de Lavras (Ufla) mostraram que os produtores rurais de Minas Gerais não têm muito o que comemorar amanhã - Dia do Agricultor. Isso porque, em um comparativo dos últimos 5 anos, os índices de relações de troca na agricultura demonstram que, se em maio de 1996 eram necessários 519,50 litros de leite para custear uma cesta básica, em maio deste ano o volume já era de 602,81 litros. A renda do produtor acumulada nos últimos 12 meses também registrou perdas. Enquanto em um ano a remuneração aumentou 0,28%, os custos de produção cresceram 11,67% no mesmo período.
Segundo o professor Ricardo Pereira Reis, coordenador dos trabalhos, os levantamentos têm por referência o mercado agrícola do sul de Minas, mas os números podem ser projetados para todas regiões de produção agropecuária no Estado em relação aos principais itens agrícolas, porque os dados para a pesquisa são coletados junto aos mercados atacadistas, cooperativas e entidades representativas do setor.
A pesquisa sobre Índice de Relações de Troca na Agricultura utilizou como referência o volume em litros de leite que seriam necessários para custear, no período de maio de 1996 a maio de 2001, itens ou insumos usados nas atividades agropecuárias e alguns bens de consumo e serviços urbanos. Foram utilizados como base de comparação os custos com ordenhadeira, frete, trator, veículos utilitários, energia elétrica, mensalidade escolar, aluguel residencial, cesta básica e empregada doméstica.
Os índices demostraram que, para a compra de um trator 685, são necessários 141.096,87 litros de leite, enquanto que em maio de 1996, esse volume era de 71.333,33. Com relação à manutenção de uma empregada doméstica, foi demostrado que em maio desse ano, eram necessários 512,50 litros de leite, enquanto que em 1996, esse volume era de 373,33 litros. O aumento também foi notado no preço do frete do leite que, em maio de 1996 era de 7,20 litros e em maio de 2001, 9,37 litros.
Porém, itens como ordenhadeira e aluguel residencial apresentaram queda. Com relação a ordenhadeiras, os dados levantados foram a partir de maio de 1999, quando eram necessários 20.244,82 litros de leite para se adquirir uma unidade, enquanto que no mesmo mês desse ano, esse total era de 18.750,00 litros. O pagamento de um aluguel, que requeria em maio de 1996 o volume de 1.319,43 litros, caiu para 861,59 litros em maio de 2001.
Os dados que compõem a Pesquisa Índices de Preços Agrícolas, desenvolvida e divulgada mensalmente pela Ufla, constataram que a variação no Índice de Preços Recebidos pelo Produtor (IPR) superou a do Índice de Preços Pagos (IPP) em julho. Os índices de preços de venda dos produtos agropecuários subiram em média 2,96% contra 1,13% de aumento nos preços pagos pelos insumos. Segundo Reis, entretanto, o indicativo da defasagem da renda dos agricultores é o acumulado no ano.
A análise das variações de preços de agosto de 2000 a julho de 2001 demonstra que os custos da produção rural em Minas, no acumulado de agosto de 2000 a julho deste ano, cresceram 11,67%, enquanto a renda do produtor subiu apenas 0,28% no mesmo período. "A alta da renda agrícola este mês foi motivada pela melhoria dos preços pagos ao leite e ao milho", disse Reis. O leite tipo C foi de 9% e do milho 14%.
Conforme avalia o especialista, o setor cafeeiro é o que mais tem acumulado perdas e pressionado os preços agrícolas para baixo, pois o produto é, historicamente, um dos de maior peso no PIB agropecuário.
No setor leiteiro, embora tenha sido constatado que, nos últimos 12 meses, os pecuaristas de leite foram, ao lado dos produtores hortifrutigranjeiros, o grupo que obteve ganhos mais expressivos nos preços pagos pelo produto - 8,71% - esse é o setor que registrou também um grau crescente de informalidade. "Cerca de 30% do leite produzido no estado é informal, não é fiscalizado. No país, estes percentuais são em torno de 45%. O problema é que é um equívoco nivelar por baixo. A renda do produtor tem de ser satisfatória tanto para pequeno quanto médios e grandes produtores, pois na cadeia produtiva um elo condiciona a sobrevivência do outro e o mercado informal, além de subvalorizar os produtos agrícolas e seus derivados, compromete a qualidade da produção."
fonte: Gazeta Mercantil (por Virna Campos), adaptado por Equipe MilkPoint
Renda do produtor rural de Minas registra queda
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